quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Maduro envia carta de protesto a governo da Argentina após chanceler denunciar agressão

Fonte Opera Mundi | 15/12/16

Chanceler Delcy Rodríguez disse ter sido agredida ao tentar participar de reunião do Mercosul; Chancelaria argentina afirmou 'não saber de nada'

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, enviou uma carta de protesto ao governo argentino na noite de quarta-feira (14/12) após a chanceler do país, Delcy Rodríguez, afirmar ter sido agredida por seguranças argentinos ao tentar entrar no Ministério das Relações Exteriores e Culto em Buenos Aires, para participar de uma reunião do Mercosul, do qual Caracas está temporariamente suspensa.

“[Rodríguez] Foi jogada no chão às portas da Chancelaria [argentina] e ao entrar foi agredida pelos chefes de segurança do edifício. Emitimos um protesto enérgico e total à covardia do governo argentino contra esta digna jovem mulher que representa a voz do povo de Simón Bolívar”, disse Maduro na quarta.

O mandatário afirmou ter sido um episódio “nunca antes visto” e que a “direita intolerante” passou a recorrer novamente à violência. “Em vez de buscar que o Mercosul se fortaleça como o Mercosul social dos povos, que já havíamos conseguido, impuseram um plano retrógrado de destruição e divisão do Mercosul”, disse ele.

Além de Maduro, o Ministério das Relações Exteriores de Cuba também mostrou solidariedade à chanceler venezuelana nesta quinta-feira (15/12), publicando uma nota de repúdio ao episódio descrito por Rodríguez.

“A agressão física em uma reunião internacional contra representantes oficiais de outros governos, um dos quais, além do mais, é mulher, é injustificável”, afirmou o escritório, que também pediu diálogo e negociação para a Argentina e a Venezuela.

Reunião do Conselho do Mercosul

Na quarta-feira, Delcy Rodríguez afirmou ter sido agredida ao intentar ingressar no Ministério das Relações Exteriores argentino para participar da reunião do Conselho do Mercosul, do qual a Venezuela está temporariamente suspensa, e para a qual Caracas "não estava convidada”, segundo os outros participantes.

“Em nenhuma parte do mundo, nunca, se recebeu a chanceleres com tropas de segurança antiprotesto e se agrediu uma chanceler e sua delegação oficial”, disse Rodríguez, após o incidente.

No mesmo dia, a Argentina assumiu a presidência pro tempore do bloco, após meses de impasse, em que a Venezuela foi impedida de assumir o cargo por não ter supostamente cumprido com os protocolos de adesão ao Mercosul - motivo pelo qual o país foi suspenso do grupo.

Na ocasião, a Venezuela insistiu em assumir a Presidência rotativa mesmo assim e agora diz não reconhecer ter sido suspensa do bloco, afirmando ter cumprido com todas as suas obrigações.

Procurada por Opera Mundi, o Ministério de Relações Exteriores e Culto da Argentina afirmou “não saber de nada e não ter visto nada” com relação às agressões relatadas por Rodríguez e disse, ainda, não ter recebido nenhuma carta do presidente Maduro.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

UE e Cuba assinam primeiro acordo bilateral e bloco põe fim à 'posição comum'

Fonte Rede Brasil Atual | 12/12/16

"Hoje reconhecemos que há mudança em Cuba e queremos acompanhar esta mudança, levar a relação para um novo nível", afirmou a alta representante da UE para as Relações Exteriores, Federica Mogherini

A União Europeia (UE) e Cuba assinaram nesta segunda-feira (12) seu primeiro acordo bilateral, de diálogo político e cooperação, com o qual o bloco põe fim à "posição comum", que impunha uma relação unilateral e restritiva com a ilha desde 1996.

"Hoje reconhecemos que há mudança em Cuba e queremos acompanhar esta mudança, levar a relação para um novo nível", afirmou a alta representante da UE para as Relações Exteriores, Federica Mogherini, na cerimônia de assinatura do documento, que também contou com participação do chanceler cubano, Bruno Rodríguez, e representantes dos 28 países do bloco comunitário europeu.

O acordo "seguramente contribuirá para desenvolver os vínculos políticos, sociais, financeiros, acadêmicos, esportivos e de cooperação", disse Rodríguez, para quem o pacto fará uma "modesta contribuição para o equilíbrio, o entendimento, a justiça e a paz nesta época conturbada de crescentes perigos para a espécie humana".

Com a assinatura deste acordo, UE e Cuba abrem uma nova etapa de relações e deixam para trás a "política comum", por meio da qual ficava restrita qualquer negociação do bloco com o governo cubano enquanto não houvesse o que os europeus chamavam de "avanços" no campo dos direitos humanos dentro da ilha. A atitude era vista por Havana como um obstáculo para a normalização dos contatos.

Mogherini, que antes de assinar o tratado voltou a oferecer suas condolências pela morte do líder cubano Fidel Castro, uma "figura histórica", ressaltou que este acordo estabelece "a primeira relação contratual entre a UE e seus Estados e Cuba".

"Viramos a página e hoje começamos a escrever juntos um novo capítulo", indicou a alta representante da UE, que também comentou que o Conselho da UE "decidiu revogar a 'posição comum' de 1996 com efeito a partir da assinatura".

A diplomata afirmou que o acordo ajudará as partes a "aproveitarem plenamente o potencial de diálogo e cooperação" e que é "o instrumento pelo qual a UE pode apoiar melhor a modernização social e econômica de Cuba". Segundo ela, o acordo vai oferecer uma "plataforma comum para o investimento bilateral e cooperar mais estreitamente em desafios globais como a migração, a luta contra o terrorismo e a mudança climática".

Já o chanceler cubano disse que, "com boa vontade e reciprocidade, é possível avançar sobre as diferenças". "Estamos abertos à construção de uma nova etapa nas relações sobre as bases do respeito e da reciprocidade", afirmou. Rodríguez também reconheceu "o impulso das companhias europeias" que acompanharam Cuba "nos momentos mais difíceis".

As negociações do acordo começaram em abril de 2014 e terminaram em março deste ano, após sete encontros. No dia 11 de março, Mogherini esteve em Havana para participar da sétima reunião oficial de diálogo político entre UE e Cuba, durante a qual foi firmado o pacto.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Tabaré Vázquez diz que suspensão da Venezuela do Mercosul é reversível


Fonte Terra | 04/12/16

O presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, se mostrou neste domingo disposto a se reunir com seu colega venezuelano, Nicolás Maduro, para debater a suspensão temporária da Venezuela do Mercosul, uma medida que - disse - não é "irreversível" e pode ser mudada se forem aplicados fundamentos jurídicos e diálogo.

No último dia 2, os quatro países fundadores do Mercosul (Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai) comunicaram à Venezuela que o país deixa de exercer seus "direitos inerentes" como Estado parte do bloco regional, após ter descumprido as obrigações assumidas no Protocolo de Adesão.

"Em política e nas relações entre os países, nada é irreversível, tudo pode mudar. Mas tem que haver fundamentos jurídicos, fundamentos legais, fundamentos sólidos, para ver o caminho que vamos seguir rumo ao futuro", afirmou Vázquez em declarações à Agência Efe em Viena.

Sobre o pedido de Nicolás Maduro de uma reunião, o líder uruguaio se mostrou hoje disposto a ter esse encontro assim que tenha retornado de sua atual viagem pela Europa.

"Se o presidente Maduro quer se reunir comigo, não será a primeira oportunidade. Temos uma boa relação pessoal e nos reuniremos para discutir e ver no marco do jurídico qual é a situação atual do Mercosul e dos países que o integram", disse Vázquez.

O presidente do Uruguai lembrou que nesta semana e na próxima estará na Europa e que não pode concretizar ainda quando pode ser realizada essa reunião.

Por outro lado, destacou que na opinião do executivo uruguaio, na Venezuela funciona a divisão de poderes, independentemente se esteja de acordo de "como estão funcionando".

"Mas há um poder legislativo, há um Poder Judiciário e há um poder executivo funcionando. Enquanto estas condições se deem, nós achamos que não existem elementos para aplicar a cláusula (democrática)", afirmou.

Em meados de setembro, Argentina, Brasil e Paraguai, com a abstenção do Uruguai que permitiu o consenso, decidiram que, se para 1º de dezembro Venezuela não cumprisse com suas obrigações como membro do Mercosul, seria suspensa por tempo indeterminado.

Nesse sentido, Vázquez rejeitou as palavras de Maduro de que os outros membros do Mercosul tinham convencido o Uruguai com mentiras sobre a decisão de suspender a Venezuela.

"O Uruguai é muito consciente do que que faz e seu governo sempre é muito bem pensado, muito elaborado e muito fundamentado, reitero, sobretudo em elementos jurídicos e legais, afirmou o líder uruguaio.

Além disso, insistiu que o governo e o presidente do Uruguai "sempre em todos os temas aposta pelo diálogo, a troca respeitosa de ideias, com fundamentos".

Vázquez inaugurou hoje em Viena uma exposição de fotografia de cinco artistas uruguaios e se reuniu com centenas de membros da colônia uruguaia residente na capital austríaca.

O presidente, oncologista de formação, se reuniu ontem, após sua chegada a Viena, com o diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e hoje inaugura um congresso internacional sobre câncer de pulmão, do qual é o convidado de honra.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Papa pede que "em nenhum lugar do mundo existam crianças-soldado"

Fonte portal Terra | 01/12/16

Papa Francisco pediu que "em nenhum lugar do mundo existam crianças-soldado", em mensagem de vídeo publicada nesta quinta-feira na internet.

O vídeo faz parte de uma iniciativa impulsionada por Jorge Bergoglio, que publica todo mês em espanhol uma gravação na qual analisa o que considera os principais desafios da humanidade.

Neste vídeo de dezembro, o papa afirma que "neste mundo, que desenvolveu as tecnologias mais sofisticadas, armas acabam nas mãos de crianças-soldado".

"Devemos fazer todo o possível para respeitar a dignidade das crianças e acabar com esta forma de escravidão. Seja quem for, se está tão comovido como eu, peço que se una a este propósito, para que em nenhum lugar do mundo existam crianças-soldado", acrescentou.

Em ocasiões anteriores, o papa refletiu sobre assuntos como a proteção ao meio ambiente, a igualdade entre homens e mulheres, a crise dos refugiados, a exploração do trabalho e o diálogo entre religiões para promover a paz.

domingo, 27 de novembro de 2016

Morte de Fidel Castro repercute pelo mundo

Fonte DW | 26/11/16

Quer aliados ou opositores, líderes políticos internacionais registram morte do líder socialista cubano como grande virada de página na história do século 20. Obama diz que a história julgará "essa figura singular".
Fidel Castro discursa na Praça da Revolução de Havana no Dia do Trabalho, em 2006
Castro discursa na Praça da Revolução de Havana no Dia do Trabalho, em 2006
Logo em seguida ao anúncio da morte do líder cubano Fidel Castro, aos 90 anos, chefes de governo e de Estado de todo o mundo se apressaram em apresentar suas mensagens de condolências neste sábado (26/11).

Em comunicado, o presidente da França, François Hollande, observou que Castro encarnava tanto as "esperanças" como as "decepções" da Revolução Cubana.

"Como protagonista da Guerra Fria [...] ele representava para os cubanos o orgulho de rejeitar a dominação externa", disse, referindo-se à decisão do revolucionário, no início da década de 1960, de distanciar seu país dos Estados Unidos. Esse afastamento foi mantido até 2015, mesmo depois de a presidência cubana ser assumida, em 2008, pelo irmão mais novo de Fidel, Raúl Castro.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou que a história "registrará e julgará o imenso impacto" da "figura singular" que foi Fidel Castro. O presidente acrescentou que a Casa Branca estende a "mão da amizade" ao povo cubano depois da morte de Fidel e lembrou que, como presidente, "trabalhou arduamente" para abrir um novo capítulo nas relações entre os Estados Unidos e Cuba.

Como observou o ministro italiano do Exterior, Paolo Gentiloni, na rede social Twitter, a morte de Castro marca "a virada de uma das grandes e trágicas páginas da história do último século". O presidente da China, Xi Jinping, limitou-se a declarar que "o camarada Castro viverá para sempre".

Havana decretou nove dias de luto nacional por seu antigo presidente, que será cremado já neste sábado. As cinzas serão enterradas na cidade de Santiago, no sul, após quatro dias de procissão através do país.

Rússia e Castro: velhos camaradas

O chefe de Estado russo, Vladimir Putin, louvou o histórico líder: "O nome desse destacado homem de Estado é corretamente considerado o símbolo de uma era na história do mundo moderno [...] Fidel Castro era um amigo sincero e confiável da Rússia."

Por sua vez, o primeiro-ministro Dimitri Medvedev tuitou uma foto sua ao lado do líder cubano, comentando que este tinha "um interesse pronunciado nos eventos do mundo e da Rússia".

As relações entre a república insular caribenha e a extinta União Soviética se aprofundaram no fim da década de 50 e início da de 60, devido ao impasse entre Havana e Washington. Para diversos analistas, essa foi a época em que o mundo esteve mais perto de uma guerra nuclear.

O ex-líder soviético Mikhail Gorbatchov afirmou que Castro deixou um legado significativo para Cuba. "Fidel se levantou e fortaleceu seu país durante o mais duro bloqueio americano, quando a pressão sobre ele era colossal. E ele ainda conduziu sua nação para fora desse bloqueio, a caminho do progresso independente." Por isso, Castro será recordado como um "político proeminente", que teve a capacidade de "deixar uma marca profunda na história da humanidade", concluiu Gorbatchov.

Amigos e admiradores em diversos continentes

O presidente Michel Temer disse que Fidel Castro foi um líder de convicções. "Ele marcou a segunda metade do século 20 com a defesa firme das ideias em que acreditava".

Já o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou como "a perda de um irmão mais velho" a morte de Castro, que para ele foi "o maior de todos os latino-americanos".

"Para os povos de nosso continente e os trabalhadores dos países mais pobres, especialmente para os homens e mulheres da minha geração, Fidel foi sempre uma voz de luta e esperança", escreveu Lula no Twitter. Sobre o ex-metalúrgico, Castro declarara, certa vez: "Tem alma de campeão, admiro a sua perseverança. É o otimismo e a esperança da região."

Também aliado próximo do regime cubano, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pronunciou palavras combativas na estação de TV Telesur: "Vamos continuar vencendo e continuar lutando. Fidel Castro é um exemplo da luta por todas as pessoas do mundo. Vamos seguir adiante com esse legado." O antecessor de Maduro, Hugo Chávez, é citado como "filho espiritual" de Fidel.

Igualmente aliada de Cuba na era socialista, a Índia registrou pesar pela morte do líder latino-americano, com o presidente Pranab Mukherjee prestando "condolências comovidas pelo triste falecimento do líder revolucionário cubano, antigo presidente e amigo da Índia".

Em Bruxelas, a chefe da política externa da União Europeia, Federica Mogherini, rendeu homenagem ao "homem decidido e figura histórica", frisando: "Ele morre em tempos de grandes desafios e incertezas. E de grandes mudanças em seu país." Agora, a UE deseja cooperar mais estreitamente com Cuba, acrescentou a política italiana.

Cuban-americans festejam

Depois que Fidel Castro assumiu o governo, em 1959, muitos cidadãos fugiram da ilha, estabelecendo-se nos Estados Unidos, sobretudo em Miami e Nova Jersey.

Em grande parte, esses exilados eram adeptos do presidente Fulgencio Batista, deposto pela revolução castrista; outros consideravam a política do socialista excessivamente opressiva. No fim de 2014, Cuba e Estados Unidos anunciaram a retomada e normalização de suas relações bilaterais, após 54 anos.

Na cidade de Miami, milhares de imigrantes cubanos, de diferentes gerações, comemoraram neste sábado a notícia da morte do ex-presidente. "Estamos todos celebrando, isso é como um carnaval", comentou o cuban-american Jay Fernandez, de 72 anos à agência de notícias AP. "Satã, Fidel agora é teu, dá a ele o que ele merece, não deixa ele descansar em paz!"

A notícia da morte do revolucionário caribenho polarizou a imprensa dos EUA. Para o New York Times, ele foi alguém que "demonizou 11 presidentes americanos e por um breve tempo propeliu o mundo até a beira da guerra nuclear".

Apesar disso, Castro "se tornou uma figura internacional de destaque, cuja importância no século 20 excedeu de longe o que se poderia esperar do chefe de Estado de uma ilha caribenha com 11 milhões de habitantes", completou o diário nova-iorquino.

O Washington Post, por sua vez, relembrou o estadista revolucionário como "um fanal espiritual da extrema esquerda mundial", enquanto "seus detratores o viam como um líder repressivo, que transformou Cuba num Gulag de fato".

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Erdogan diz que voto do Parlamento Europeu sobre Turquia na UE "não tem valor"


Fonte Estado de Minas | 23/11/16

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, declarou nesta quarta-feira que a votação no Parlamento Europeu sobre a possibilidade de congelar o processo de acesso do país na União Europeia "não tem valor" para os turcos. Os legisladores da UE devem realizar a votação, que não tem poder de lei, nesta semana.

O processo de entrada da Turquia pode ser suspenso após a grande onda de repressão no país desde um fracassado golpe militar em julho. Países da UE mostraram sérias preocupações com a atitude oficial, que resultou em grandes expurgos no funcionalismo público de pessoas com supostas ligações com um clérigo que vive nos EUA e é apontado como culpado pelo golpe. Foram também presos jornalistas e políticos favoráveis aos curdos e centenas de meios de comunicação e organizações da sociedade civil foram fechados.

Alguns países da UE pediram a suspensão das conversas para entrada da Turquia na UE, mas o bloco tenta chegar a um denominador comum que possa equilibrar a necessidade europeia de ajuda de Ancara para barrar centenas de refugiados que buscam a Europa e as preocupações com os abusos contra os direitos humanos.

Durante reunião anual da Organização para a Cooperação Islâmica em Istambul, Erdogan disse que "aos nossos olhos, esta votação não tem valor". Segundo ele, a Turquia luta por estabilidade e um futuro e "isso não será interrompido" por legisladores europeus "levantando e abaixando suas mãos". Para Erdogan, a Turquia mostrou que "arriscará sua vida pelos seus direitos, pelas liberdades e por sua honra".

O líder turco frequentemente acusa a UE de aplicar "duplos padrões" no caso da entrada da Turquia na UE. Ele também acusa vários países do bloco de apoio a militantes turcos e a outros grupos violentos que atuam em seu país.

Erdogan sugeriu que a Turquia poderia realizar um referendo sobre o futuro das negociações com a UE e que a Turquia poderia ingressar na Organização de Cooperação de Xangai, que inclui Rússia e China, como uma alternativa ao bloco europeu.

Em Berlim, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, disse que é importante manter os canais de comunicação abertos com a Turquia. Segundo ela, porém, isso não deve ser um obstáculo para criticar os "eventos alarmantes" ocorridos no país. Merkel ainda ressaltou que Berlim se opõe a "qualquer forma de terrorismo".

Colômbia e Farc assinam hoje segundo acordo de paz

Fonte EBC | 24/11/16

O governo colombiano e o grupo guerrilheiro Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) assinarão hoje (24) o segundo acordo de paz para tentar colocar fim a um conflito armado de 52 anos, um dos mais longos na América Latina.

Após o primeiro acordo ser rejeitado em referendo popular no dia 2 de outubro, o governo e as Farc assinarão este segundo texto de paz em uma cerimônia discreta, ao contrário do que ocorreu há dois meses, em Cartagena, quando o presidente Juan Manuel Santos e o líder das Farc, Rodrigo Londoño, firmaram o documento histórico diante de 13 chefes de Estado e 2,5 mil convidados.

A assinatura do segundo acordo deve ocorrer no período da manhã, no Teatro Colón, de Bogotá, construído entre 1885 e 1895 e localizado diante do Palácio San Carlos, sede do Ministério das Relações Exteriores. Devem participar da cerimônia apenas Santos, Londoño e outros membros das Farc.

Um acordo de paz tem sido negociado pelo governo colombiano com as Farc há quatro anos, com reuniões em Cuba. Após várias rodadas, as duas partes chegaram a um consenso, mas o acordo foi rejeitado pelos eleitores, em uma das piores derrotas políticas para Santos, que recebeu este ano o Prêmio Nobel da Paz.

Um dos principais opositores ao acordo é o ex-presidente Álvaro Uribe, que continua criticando o segundo texto, alegando que ele ainda contém "temas graves que não foram modificados". Uribe também exigiu que o novo texto passe por outro referendo popular, apesar de Santos ter prometido que o acordo será ratificado imediatamente pelo Congresso, onde tem o apoio da maioria.

"Tenho dito que o acordo deve ser apresentado em referendo popular, como ocorre com todo tema sensível ao qual não há consenso", comentou o ex-mandatário, segundo a Agência Ansa.

No referendo anterior, os eleitores mais consevadores votaram "não" ao acordo devido a pontos sensíveis, como a participação de membros das Farc na política colombiana e a suposta "impunidade" (redução de penas) de crimes cometidos pelo grupo.

O conflito armado entre as Farc e o Exército colombiano já matou mais de 260 mil pessoas. Em seu auge, o movimento de extema-esquerda realizava sequestros de civis e atentados.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

TPI acusa Rússia de ocupar Crimeia, e país tira assinatura do estatuto da corte

Fonte Conjur | 17/11/16

O Tribunal Penal Internacional (TPI) concluiu, na terça-feira (15/11), que a anexação da Crimeia pela Rússia é uma ocupação. A reação do governo de Vladimir Putin foi rápida: no dia seguinte, o país retirou sua assinatura do estatuto da corte.

Embora a medida não tenha muito impacto prático — afinal, a Rússia não ratificou o Estatuto de Roma, que criou o tribunal em 1998 —, ajuda ainda mais a esvaziar a corte, que julga casos de genocídio, crimes de guerra e delitos contra a humanidade. Recentemente, África do Sul, Burundi e Gâmbia deixaram o tribunal sob a alegação de que ele foca excessivamente países do continente. Vale lembrar que os três países mais populosos do mundo — China, Índia e EUA — também não se sujeitaram ao TPI.

Em sua decisão, a corte internacional afirmou que “a situação na Crimeia e em Sebastopol é equivalente ao conflito armado internacional entre Ucrânia e a Federação Russa”, conforme informou o jornal britânico The Guardian. Além disso, o TPI apontou que os russos usaram membros de suas forças armadas para assumir controle da região sem consentimento da Ucrânia, que possuía a área.

Ainda que a Rússia tenha insistido que a Crimeia se uniu ao país de forma voluntária, observadores internacionais dizem que o referendo que legitimou a anexação foi organizado às pressas, sem atender a padrões internacionais, e foi submetido à população enquanto tropas russas já invadiam a região — algo posteriormente admitido por Putin.

Em resposta à conclusão do TPI, o governo russo declarou que a corte é “parcial e ineficiente”, não tendo alcançado as expectativas da comunidade internacional. No começo do ano, após decisões contrárias à Rússia sobre a guerra contra a Geórgia, de 2008, o país já havia anunciado que reconsideraria sua postura perante o tribunal, embora estivesse fora de sua jurisdição. Agora, a medida da gestão Putin torna altamente improvável uma ratificação do Estatuto de Roma em um futuro próximo.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

O país que Donald Trump promete

Fonte DW | 10/11/16

Campanha eleitoral do republicano foi marcada por propostas controversas, incluindo a construção de um muro na fronteira dos EUA com o México e a expulsão de imigrantes ilegais. Resta observar se ele vai cumpri-las.

Como candidato à presidência dos EUA, o republicano Donald Trump fez muitas promessas controversas. Em algumas delas, ele voltou atrás durante a campanha, mas outros pontos polêmicos parecem continuar válidos. Entre eles, estão a construção de um muro na fronteira com o México, a expulsão de imigrantes ilegais dos EUA, um controle mais severo da entrada de estrangeiros no país, a redução de impostos e o fim do ObamaCare.

Livre comércio

"America First" – Para Trump, o próprio país vem em primeiro lugar. Ele defende uma política protecionista para reforçar a economia dos EUA. Ele quer proteger o país de produtos estrangeiros e considera o livre comércio prejudicial.

Por isso, Trump quer renegociar o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta) com o Canadá e o México, ou mesmo sair do acordo. Quanto ao Acordo Transpacífico, entre EUA e 11 outros países do Pacífico, cujas negociações foram concluídas um ano atrás, Trump disse que quer, definitivamente, sair dele.

Além disso, ele pretende introduzir tarifas para desencorajar que as empresas americanas produzam no exterior e depois introduzam as mercadorias no país com isenção de impostos.

Migração

Em seu plano para os primeiros cem dias no cargo, Trump anunciou que irá iniciar logo a deportação de "dois milhões de imigrantes criminosos e ilegais". Quem for deportado e entrar ilegalmente nos Estados Unidos, deve pegar, segundo ele, pelo menos dois anos de prisão.

Já no primeiro dia no cargo, Trump pretende suspender a imigração de "regiões propensas ao terrorismo". Os controles de segurança para imigrantes, de um modo geral, deverão ser mais severos. Trump também chegou a defender que muçulmanos sejam proibidos de entrar no país.

México

"Se não temos uma fronteira, não temos um Estado", disse Trump em um vídeo de campanha. Ele comparou as instalações fronteiriças a um queijo suíço. Diversas vezes, Trump anunciou que iria construir na fronteira sul do país um muro para impedir a entrada de imigrantes ilegais e o tráfico de drogas. E o México deveria reembolsar os EUA pelo custo do muro.

Otan

Durante a campanha eleitoral, Trump repetidamente fez críticas à Otan e questionou, entre outras coisas, o motivo de os EUA sempre terem que assumir papel de liderança. Em uma entrevista ao New York Times, ele afirmou que alguns membros da Otan não estariam pagando suas contribuições. Quando questionada se os EUA iriam ajudar militarmente os países-membros da organização – como é obrigação contratual –, Trump disse que "se eles cumprirem suas obrigações em relação a nós, então a resposta é sim".

Clima

No primeiro debate de TV com Hillary Clinton, Trump afirmou que ele nunca disse considerar a mudança climática uma invenção dos chineses. Um de seus tweets de 2012 prova o contrário.

Repetidamente, Trump chamou o aquecimento global de fraude. Para "proteger os trabalhadores americanos", Trump quer, de acordo com o seu plano de cem dias, cortar bilhões em pagamentos a programas de mudança climática das Nações Unidas e usar o dinheiro, em vez disso, em programas de infraestrutura ambiental e hidráulica em seu próprio país. Em maio, ele havia anunciado planos para sair do Acordo do Clima de Paris, o que legalmente não deve ser algo tão fácil.

Executivo e Legislativo

Em seu primeiro dia como presidente, Trump quer anular cada um dos decretos "inconstitucionais" de Barack Obama. Também tem a intenção de congelar o número de funcionários públicos e sugeriu a limitação do mandato de membros do Congresso.

Energia

Acompanhando sua abordagem sobre o clima, ele quer aprovar projetos energéticos "indispensáveis", como o controverso oleoduto Keystone. Obama havia rejeitado o projeto, devido a preocupações com a proteção climática. Além disso, ele quer suspender restrições, para que as reservas do país de petróleo, gás natural, xisto e carvão sejam exploradas e, assim, novos empregos sejam criados.

Impostos

Trump quer alcançar um crescimento econômico de 4% ao ano e criar ao menos 25 milhões de novos postos de trabalho. Isso deve ser obtido, entre outras coisas, através de reduções de impostos. Os impostos corporativos devem ser reduzidos de 35% para 15% para encorajar mais empresas a permanecerem nos Estados Unidos. O imposto de renda deve ser limitado a 33% para pessoas com rendimentos elevados, e trabalhadores com baixos salários devem, em parte, ficar isentos. Uma família de classe média com dois filhos terá que pagar 35% menos impostos. Os americanos mais ricos, segundo levantamento da revista Forbes, vão economizar anualmente 275 mil dólares em impostos, e os mais pobres, 128 dólares.

Seguro de saúde

Várias vezes, Trump anunciou que iria abolir um dos pontos mais importantes da gestão de Obama: o seguro de saúde que recebeu seu nome, o ObamaCare, o substituindo por um sistema próprio.Aborto

Em março, Trump afirmou que o aborto deveria ser ilegal e que mulheres ou médicos deveriam "de alguma forma" ser punidos. Sua campanha afirmou mais tarde que apenas aqueles que realizam um aborto ilegal deveriam ser punidos, mas não as mulheres. Ele pretende cortar fundos da Planned Parenthood – organização de saúde que também opera, entre outras, clínicas de aborto – e quer permitir abortos somente em casos excepcionais. Essas exceções seriam estupro, incesto e perigo para a vida da mãe. Ele também quer nomear juízes para a Suprema Corte que sejam contra o aborto.

Armas

A Segunda Emenda da Constituição é sagrada para Trump. O texto protege o direito à posse de armas. "Se eu for presidente vocês podem contar cem por cento com isso [a proteção do direito]", disse Trump num vídeo de campanha.

Processos judiciais contra adversários

No segundo debate televisivo, Trump ameaçou levar Hillary à prisão pelo caso dos seus e-mails. "Se eu ganhar, vou instruir meu procurador-geral para que um promotor especial lide com sua situação", disse a ela.

Durante seu discurso sobre o plano de cem dias, ele também anunciou que vai processar as mulheres que foram a público o acusando de assédio sexual. Ele as chamou de mentirosas.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

May garante a Juncker que mantém desejo de iniciar "Brexit" até Março

Fonte Público | 04/11/16


Primeira-ministra britânica falou com o presidente da Comissão Europeia no dia seguinte à deliberação do Tribunal Superior que considera que o Parlamento terá de apreciar termos de saída da União Europeia. Deputado conservador apresentou demissão.

A primeira-ministra britânica, Theresa May, quer manter o rumo que traçou para conduzir o processo de saída do Reino Unido da União Europeia, independentemente da deliberação do Tribunal Superior que considerou que o Governo tem de esperar pelo aval do Parlamento para accionar o artigo 50 do Tratado da União Europeia. É esta a mensagem que May vai fazer passar já esta sexta-feira, numa conversa com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

O grande objectivo da primeira-ministra é assegurar a Juncker que o calendário fixado por Londres vai ser cumprido – accionar o artigo 50 até ao final de Março do próximo ano. A partir daí, abre-se uma janela temporal de dois anos para negociar a futura relação do Reino Unido com a UE após esse período. “Prevemos ainda invocar o artigo 50 até ao fim de Março”, assegurou à AFP um porta-voz de May.

Mas os desejos de Downing Street arriscam-se a bater de frente contra a realidade. O Governo britânico reagiu de imediato à sentença do Tribunal Superior, garantindo que vai recorrer da decisão para o Supremo Tribunal. Mas caso o sentido da decisão se mantenha, os deputados britânicos serão mesmo chamados a pronunciar-se sobre os termos do “Brexit”.

A decisão do Tribunal Superior fez a primeira "baixa" nas fileiras dos conservadores. O deputado Stephen Phillips apresentou esta sexta-feira devido a "diferenças significativas acerca de políticas com o actual Governo".

Neste momento, ninguém sabe que tipo de papel será desempenhado pelo Parlamento britânico nessa eventualidade. A única certeza parece ser a de que o processo será longo e será praticamente impossível a May cumprir o prazo que ela própria definiu.

Foi isso mesmo que a deputada conservadora na Câmara dos Lordes, Patience Wheatcroft, disse na BBC na manhã desta sexta-feira. Wheatcroft afirmou que “é apenas correcto atrasar a invocação do artigo 50 até termos uma ideia mais clara sobre o que de realmente consiste”.

A imprensa tablóide – partidária do “Brexit” desde a primeira hora – criticou duramente a deliberação dos juízes do Tribunal Superior. “Inimigos do povo” é a manchete do Daily Mail que aparece com uma fotografia dos três juízes. O Sun optou por um jogo de palavras com o título “Quem pensam que são?” (Who do EU think you are?) e até o normalmente mais contido Daily Telegraph escolheu para manchete uma frase sensacionalista: “Os juízes contra o povo”.

Presidente sul-coreana aceita ser investigada em escândalo político

Fonte G1 | 04/11/16

Nunca um chefe de Estado foi investigado pela Promotoria na Coreia do Sul.
Pesquisa mostra que 5% aprovam e 89% desaprovam Park Geun-Hye.

A presidente sul-coreana, Park Geun-Hye, envolvida em um escândalo político pela influência de uma amiga nas decisões do governo, aceitou nesta sexta-feira (4) ser investigada por um promotor.

"Farei tudo o que puder para cooperar no que for necessário. Aceitarei uma investigação", afirmou a chefe do Executivo sul-coreano, em um pronunciamento transmitido pelas principais emissoras do país, após dez dias de silêncio em meio ao maior escândalo político dos últimos anos.

Nunca um chefe de Estado da Coreia do Sul país foi investigado pela Promotoria desde a fundação do país, em 1948.

Park Geun-hye se recusou a oferecer explicações detalhadas sobre seu envolvimento, mas pediu "suas mais sinceras desculpas" aos cidadãos da Coreia do Sul.

Nos últimos dias, a presidente substituiu o primeiro-ministro, seu chefe de gabinete e três secretários, em uma tentativa de responder a enorme polêmica gerada no país pelo caso "Choi Soon-sil". Diversos protestos têm pedido a sua saída do governo.

Uma pesquisa de opinião divulgada nesta sexta mostra que a taxa de aprovação da presidente caiu para apenas 5%. Já 89% desaprovam a performance de Geun-hye. É a pior avaliação da história para um(a) presidente da Coreia do Sul.

Na quinta, promotores prenderam uma ajudante da presidente, Jeong Ho-seong, considerada uma figura central no escândalo. Ela é suspeita de vazar documentos confidenciais a Choi Soon-sil.

O escândalo

Choi Soon-sil, de 60 anos, é uma amiga íntima de Park e está sendo investigada por supostamente ter se apropriado de dinheiro público e influenciar na política do país, apesar de não possuir nenhum cargo público.

Ela é suspeita de ter se aproveitado de seus contatos na presidência para extorquir os principais conglomerados econômicos do país, como a Samsung --que teria destinado importantes somas de dinheiro a fundações criadas pela amiga da presidente.

Ela também é suspeita de interferir em questões de estado, incluindo a nomeação de altos funcionários. Na quinta, um tribunal de Seul emitiu um mandado de prisão contra ela por fraude e abuso de poder.

O escândalo abalou a confiança no governo de Park, que ainda tem mais de um ano de mandato, e levou milhares de manifestantes às ruas. A oposição critica Park e parte exige sua demissão --o que exigiria eleições antecipadas, de resultado incerto.

Casa Azul

No discurso, a presidente conservadora negou ter caído nas mãos de uma seita e de ter realizado rituais na a residência presidencial, a Casa Azul, como afirmam vários jornais.

"Tem havido boatos de que entrei para uma seita e que celebraram rituais na Casa Azul, mas quero deixar claro que nada disto é verdade", afirmou Park em um emotivo discurso. "Se for preciso, quero responder sinceramente às investigações da Promotoria".

"Os últimos acontecimentos são culpa minha e foram provocados pela minha falta de atenção", declarou Geun-Hye, admitindo que "baixou a guarda" com Choi. "Não posso me perdoar (...) e é difícil dormir à noite".

Choi Soon-sil é filha do falecido líder de uma seita religiosa que foi mentor de Park há décadas, por isso começou a ser espalhado no país que rumores que a presidente estava sendo influenciada pelo xamanismo, uma religião ancestral e ainda existente na Coreia do Sul. "Os rumores sobre seitas e xamanismo não são verdadeiros. Quero deixar isso claro", afirmou Park.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Novo secretário-geral da ONU defende reforma do Conselho de Segurança

Fonte El País | 01/02/11

Mudanças na estrutura é o principal pleito do Brasil dentro da instituição internacional

O Brasil pode ter ganhado um forte aliado para o seu principal pleito diante da Organização das Nações Unidas, a reforma de seu Conselho de Segurança. A dois meses de assumir o cargo de secretário-geral da ONU, o português Antonio Guterres afirmou nesta segunda-feira que é a favor da mudança no grupo responsável pelas principais decisões da entidade.

“As Nações Unidas precisam, em muitos aspectos, de reformas de maneira que seja uma organização mais eficaz. Para que seja mais ligada aos tempos de hoje, e não aos tempos que corresponderam à sua formação”, afirmou Guterres durante a abertura da Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, em Brasília.

Atualmente, o Brasil forma, ao lado da Alemanha, do Japão e da Índia, o G4, grupo que defende uma ampliação do conselho com o objetivo de contemplar as potências regionais ao colegiado. O Conselho de Segurança — composto permanentemente por Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido — tem o poder, por exemplo, de autorizar ou não intervenção em áreas de conflitos ou até mesmo elaborar comunicados conjuntos condenando atitudes de alguns países.

Para defender seu ponto de vista, Guterres recorreu ao posicionamento de um antigo secretário-geral da ONU, o ganês Kofi Annan. “Como disse Kofi Annan, não haverá uma reforma das Nações Unidas mais completa enquanto o próprio conselho de segurança não se reformar. É evidente que esta é uma responsabilidade essencial dos Estados-membros”.

Ex-premiê de Portugal, eleito para chefiar a ONU no último dia 13, Guterres disse que será um facilitador do debate sobre reformas nas Nações Unidas, mas não disse claramente se gostaria de ver o Brasil dentro do Conselho de Segurança.

As discussões sobre a reforma do conselho iniciaram ainda na década de 1990 e ganharam força em 2004, quando representantes do G4 formalizaram esse pleito. Na concepção desses países, a atual formação do colegiado não reflete a realidade geopolítica. Quando foi criado, logo após a Segunda Guerra Mundial, o conselho (incluindo membros permanentes e rotativos) representava 22% dos Estados-membros da ONU. Hoje, representa menos de 8%.

Em Brasília, Guterres também participou de um encontro com o presidente brasileiro, Michel Temer, e disse que o Brasil pode cumprir um papel de mediador global em um momento que as potências perderam a capacidade de prevenir conflitos.

“A comunidade internacional perdeu grande parte de sua capacidade em matéria de prevenção e resolução de conflitos. E uma das razões para isso é o fato das relações de poder serem cada vez menos claras e, portanto, é cada vez mais difícil de se criar uma ordem internacional organizada”, afirmou.

ONU acusa oposição síria de ignorar normas de direito humanitário

Fonte Sputinik | 02/11/16

A ONU acusou a oposição síria de ter assassinado dezenas de civis em Aleppo.

Stephané Dujjaric, porta-voz do secretário-geral da ONU, acusou a oposição na Síria de violar as normas de direito internacional humanitário em Aleppo.

De acordo com o escritório do Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU, durante o fim de semana no oeste de Aleppo, zona controlada pelas forças governamentais, na sequência de bombardeios intensos de artilharia realizados pela oposição armada, morreram mais de 30 civis e dezenas resultaram feridas.

"Uma tão grande quantidade de vítimas indica que os grupos armados da oposição não cumprem a proibição fundamental do direito humanitário internacional sobre ataques indiscriminados e os princípios da precaução e da proporcionalidade", afirmou Dujjaric.

Anteriormente, o comando do exército sírio havia afirmado que extremistas da Frente al-Nusra (grupo terrorista proibida na Rússia) e seus aliados intensificaram a ofensiva contra Aleppo aproveitando assim do cessar-fogo anunciado.

Os militares sírios também informaram que no fim de semana foram mortas 84 pessoas e mais de 280 ficaram feridas devido aos ataques dos extremistas em Aleppo.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

EI usa milhares de civis como escudo humano em Mossul, diz ONU

Fonte DW | 28/10/16

Porta-voz das Nações Unidas afirma que cerca de 8 mil famílias foram sequestradas pelos jihadistas nos arredores de Mossul. Intenção, segundo a ONU, é impedir que Exército iraquiano ataque posições do EI na cidade.

Combatentes do grupo extremista "Estado Islâmico" (EI) sequestraram dezenas de milhares de civis nos arredores da cidade de Mossul com o intuito de usá-los como escudos humanos durante a ofensiva liderada pelo governo iraquiano, afirmaram as Nações Unidas nesta sexta-feira (28/10).

De acordo com a porta-voz da agência de direitos humanos da ONU, Ravina Shamdasani, relatos confiáveis sugerem que o EI tem forçado civis a deixarem suas casas em zonas periféricas. Eles são então levados à cidade iraquiana. Cerca de 8 mil famílias foram sequestradas, disse a porta-voz.

"A estratégia covarde do 'Estado Islâmico' é uma tentativa de utilizar a presença de reféns civis para tornar certas áreas e regiões imunes às operações militares. Estão usando dezenas de milhares de mulheres, homens e crianças como escudos humanos", declarou Shamdasani, acrescentando que "muitos dos que se recusaram a obedecer foram executados na hora" pelos jihadistas.

A porta-voz da ONU ainda afirmou que o grupo extremista matou 232 pessoas em Mossul na última quarta-feira, sendo 190 ex-membros das forças de segurança do Iraque e 42 civis que se recusaram a cumprir as ordens dos terroristas. Além disso, no dia anterior, o EI já havia matado 24 pessoas.

Segundo Shamdasani, todas essas informações foram confirmadas, mas não são dados absolutos. "São relatos indicativos dos crimes que estão acontecendo, o que significa que o número de executados ou de pessoas deslocadas pelo 'Estado Islâmico' pode ser muito maior", precisou a porta-voz.

No último dia 17 de outubro, as Forças Armadas do Iraque, com apoio de milícias curdas e da coalizão americana, iniciaram uma operação militar para expulsar o grupo extremista de Mossul, segunda maior cidade iraquiana e último reduto jihadista no país.

De acordo com o general da Força Aérea americana Matthew Isler, as forças do governo retomaram cerca de 40 aldeias das mãos do "Estado Islâmico" desde o início da ofensiva, há 12 dias. O Exército iraquiano se encontra agora a cerca de seis quilômetros a leste dos limites de Mossul. O progresso, porém, tem sido mais lento ao sul da cidade, onde as forças ainda estão 35 quilômetros distantes.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Assembleia da ONU aprova, sem votos contrários, resolução pelo fim do bloqueio a Cuba

Fonte Brasil de Fato | 26/10/16

Fim definitivo do bloqueio, no entanto, depende de aprovação do Congresso estadunidense

Esta é a vigésima quinta vez consecutiva que um texto sobre este tema vai a votação nas Nações Unidas - Créditos: ONU/Manuel Elias
Esta é a vigésima quinta vez consecutiva que um texto sobre este tema vai a votação nas Nações Unidas / ONU/Manuel Elias
A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou, na tarde desta quarta-feira (26), resolução que pede o fim do embargo econômico a Cuba. O resultado foi de 191 votos contra a imposição do bloqueio, duas abstenções (Estados Unidos e Israel) e nenhum voto a favor do embargo.

Ao discursar, antes de depositar o voto na sessão, a embaixadora norte-americana, Samantha Power, informou a decisão do país de se abster e foi aplaudida durante o discurso. Esta é a vigésima quinta vez consecutiva que uma resolução com este conteúdo é analisada pelo órgão deliberativo da ONU.No ano passado, a resolução já havia sido aprovada com uma votação recorde: todos os Estados-membros foram favoráveis, mas Estados Unidos e Israel se mantiveram contrários.

O texto da resolução deste ano reconhece os avanços nas relações entre os governos dos Estados Unidos e Cuba e relembra a visita feita pelo presidente Barack Obama ao país em março. Além disso, pede que o Congresso estadunidense retire a sanção. “A medida segue vigente com graves efeitos para a população cubana e para os cubanos residentes em outros países”, diz a resolução.

No ano passado, as relações entre os dois países foram retomadas, mas o fim do embargo econômico, comercial e financeiro imposto contra Cuba continua a ser a questão de maior interesse para o povo cubano. O bloqueio foi imposto em 1962 por John Kennedy.

*Com informações da Rádio ONU

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Crianças sírias 'são exploradas em fábricas de grifes europeias na Turquia', revela investigação da BBC

Fonte BBC Brasil | 25/10/16

Refugiados sírios estão sendo explorados em fábricas na Turquia que produzem roupas para marcas conhecidas como Zara, Mango, Marks and Spencer e Asos, revelou uma investigação da BBC.

Os refugiados, em alguns casos menores de idade, trabalham mais de doze horas por dia e ganham menos que os demais funcionários das fábricas, de acordo com revelações feitas pelo programa Panorama.

A reportagem conversou com dezenas de trabalhadores sírios empregados de forma ilegal na indústria têxtil.

Todas as marcas negam responsabilidade e afirmam que monitoram cuidadosamente suas cadeias de produção. Elas dizem não ter informação sobre exploração de refugiados ou menores de idade.

Muitas roupas vendidas no Reino Unido são produzidas na Turquia devido à proximidade da Europa. A curta distância permite às marcas atender a pedidos de última hora e efetuar entregas com maior rapidez.

Segundo dados da ONU, há mais de 4,8 milhões de sírios fugindo da guerra e a Turquia acolhe 2,7 milhões deles - é o país que mais os recebe no mundo.

A maioria dos recém chegados não tem permissão de trabalho.

Investigação

Para investigar as denúncias de exploração, a reportagem da BBC utilizou câmeras escondidas.

Foram encontrados quatro sírios menores de idade trabalhando em uma oficina têxtil que produz roupas para a loja britânica Marks and Spencer e para a cadeia Asos.

Em entrevista, os refugiados disseram ganhar um pouco mais de uma libra (R$ 3,82) por hora, um valor muito abaixo do salário mínimo na Turquia. Um intermediário realiza os pagamentos na rua, na clandestinidade.

Além disso, um dos refugiados relatou situações de maus tratos nessas fábricas. "As máquinas têm todos os direitos: se uma for quebrada, eles a consertam imediatamente. Se algo acontecer com um sírio, se desfazem dele como um pedaço de pano", disse.

O mais jovem trabalhador em uma das fábricas visitadas que produz roupas para a Marks and Spencer tinha 15 anos e trabalhava 15 horas por dia engomando roupas que depois seriam enviadas ao Reino Unido.

"Eles falam de seus salários irrisórios e condições terríveis de trabalho. Sabem que estão sendo explorados, mas também sabem que não podem fazer nada a respeito", disse o repórter do Panorama, Darragh MacIntyre.

'Inaceitáveis'

Questionada pela BBC, a empresa Marks and Spencer - uma das mais importantes redes de varejo do Reino Unido - disse que não encontrou sequer um refugiado sírio em sua cadeia de produção durante as inspeções.

Um porta-voz da companhia afirmou que as revelações do Panorama são "extremamente sérias e inaceitáveis".

A empresa insiste que emprega legalmente qualquer sírio que trabalhe em suas fábricas.

"Todos os nossos fornecedores estão contratualmente obrigados a seguir nossos princípios globais de abastecimento. Isto inclui o que esperamos e exigimos deles em termos de respeito aos trabalhadores", disse o porta-voz.

Mas os funcionários sírios que trabalham na oficina que produz roupas para a marca afirmaram que as auditorias realizadas para checar o padrão de produção não funcionam porque os refugiados são escondidos antes da chegada dos investigadores. Somente na fábrica onde trabalham, eles já foram escondidos três vezes das 10h às 18h.

Já a Asos reconheceu que uma oficina visitada pelo Panorama em Istambul produz roupas para sua marca, mas não é "aprovada" pelo grupo. Na oficina - que produz e entrega roupas a uma das principais fabricantes da marca em Istambul, Hazar, através de subcontratos - as imagens mostraram uma criança de 10 anos de idade trabalhando.

Desde então, a companhia inspecionou as oficinas e encontrou 11 adultos e três menores sírios. A Asos disse que os menores encontrados receberam apoio financeiro para ir à escola e os adultos um salário até que encontrem um trabalho legal.

Um porta-voz da companhia disse ao Panorama que iniciou programas de recuperação "apesar de que o que acontecia na fábrica (onde foram encontrados os sírios) não tem nada a ver com a Asos".

Zara e Mango

O programa da BBC também encontrou refugiados sírios que trabalham 12 horas por dia em uma fábrica de calças jeans para Mango e Zara. Os refugiados manuseavam produtos químicos para tingir as calças sem usar máscara.

A companhia Mango disse que a fábrica fazia subcontratos sem seu conhecimento e que em uma inspeção após o programa não encontrou trabalhadores sírios.

Mango disse que seus funcionários estão "em boas condições com exceção de algumas medidas de segurança pessoal".

A empresa matriz da Zara, Inditex, disse à BBC que suas inspeções nas fábricas são "uma forma muito eficaz de seguir e melhorar as condições laborais" e que já havia sido informada sobre descumprimento de regras da oficina inspecionada pela BBC em junho, mas deu a ela um prazo até dezembro para a melhoria de condições de trabalho.

Esta não é a primeira vez em que a Zara está envolvida em um caso de exploração de funcionários.

No Brasil, a empresa foi implicada em 2011 em um flagrante envolvendo 15 funcionários bolivianos e peruanos trabalhando em condições degradantes em uma oficina terceirizada em São Paulo e firmou um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) se comprometendo a empreender medidas para combater o problema.

Contudo, segundo uma auditoria do Ministério do Trabalho em maio de 2015, a Zara Brasil descumpriu o acordo firmado - em fiscalização a fornecedores, foram verificados excesso de jornada de trabalho, atraso nos pagamentos e trabalho infantil, além da exclusão de imigrantes da linha de produção, o que levou o órgão a autuar a empresa com uma multa total de R$ 838 mil.

À época, a empresa negou o descumprimento e recorreu dos autos.

O Ministério Público do Trabalho analisa desde então o relatório dos fiscais - a apresentação dos resultados está prevista para novembro, quando também deve ser atualizado o valor da multa que a companhia pode ter de pagar.

Para Danielle McMullan, do Centro de Direitos Humanos e Negócios de Londres, uma organização que investiga casos de exploração trabalhista em mais de 6 mil companhias no mundo, as marcas não entendem que têm responsabilidades.

"Não é o bastante dizer que não sabem nada a respeito e negar as irregularidades. Eles têm a responsabilidade de supervisionar onde suas roupas são feitas e em quais condições", afirma McMullan.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Na reta final: seis temas principais da campanha eleitoral nos Estados Unidos

Fonte BBC Brasil | 24/10/16

A corrida para a Casa Branca entrou na reta final nesta semana, após a realização do último debate entre os dois principais candidatos à Presidência americana.

Urnas já foram abertas em alguns Estados e a votação se encerra em 8 de novembro.

A BBC Brasil listou seis dos principais temas da campanha que opõe a democrata Hillary Clinton ao republicano Donald Trump.

1 - Imigrantes e refugiados

Este é um dos temas em que Hillary e Trump mais divergem. O empresário tem como uma de suas principais propostas a construção de um muro na fronteira dos Estados Unidos com o México para barrar imigrantes.

Ele já afirmou que deportaria todos os imigrantes sem visto e que suspenderia temporariamente a entrada de muçulmanos nos Estados Unidos - posições que ampliaram a rejeição do candidato entre latinos e outras minorias étnicas.

Hillary diz que logo no início de seu governo buscaria regularizar milhões de imigrantes que vivem nos EUA sem documentos (o presidente Barack Obama também defendia a medida ao ser eleito, mas teve suas propostas barradas pelo Congresso e pela Suprema Corte).

No último debate com Trump, na quarta-feira, ela disse que não deportaria pais de filhos americanos.

2 - Acordos comerciais

Os candidatos convergem em alguns pontos em suas posições sobre o comércio dos EUA com outros países. Trump se afastou da linha tradicional do Partido Republicano em favor do livre comércio e passou a defender a revisão dos acordos comerciais entre os EUA e outras nações. Ele é especialmente crítico ao Nafta, a aliança comercial entre EUA, México e Canadá.

Trump diz que o Nafta favoreceu o México, fazendo com empresas americanas transferissem fábricas para o país vizinho. Também critica duramente a estratégia comercial da China e diz que aumentará impostos sobre produtos chineses para que empresas americanas consigam competir com elas.

Em sua campanha, Hillary também tem se mostrado crítica a acordos de livre comércio, o que diverge de sua posição histórica em relação ao assunto. Quando era secretária de Estado do governo Barack Obama, ela ajudou a negociar a Parceria Transpacífico (TPP, na sigla em inglês), que poderá ser o maior acordo comercial do mundo, unindo Japão, EUA e outros dez países voltados para o Oceano Pacífico.

Na campanha, porém, ela recuou e deixou de apoiar a iniciativa.

3 - Trump e as mulheres

Nas últimas semanas, Hillary ampliou a vantagem em relação a Trump nas pesquisas após a divulgação de vídeo em que o empresário fazia menções ofensivas a mulheres. Sem saber que estava sendo gravado, durante a produção de um programa em 2005, ele descreveu ocasiões em que tentou agarrar mulheres sem o consentimento delas e se referiu a mulheres de maneira vulgar.

O episódio fez com que importantes líderes republicanos deixassem de apoiá-lo. Desde então, algumas mulheres deram entrevistas acusando o empresário de tê-las assediado. Houve ainda outros momentos da campanha em que Trump se referiu a mulheres de maneira desrespeitosa ou ofensiva.

Ele nega os relatos de assédio e diz que as mulheres que o acusam buscam fama. Os casos, porém, causaram dano à campanha do empresário e podem ser decisivos para o resultado da eleição.

Segundo uma pesquisa do Public Religion Research Institutedivulgada em 11 de outubro, Hillary tem 33 pontos percentuais de vantagem em relação a Trump entre as mulheres americanas.

4 - Hillary e os e-mails

Hillary atravessou a campanha sendo questionada pelo uso de um servidor privado para trocar e-mails confidenciais enquanto era secretária de Estado (chefe da chancelaria) do governo Obama. A prática fez com que ela fosse investigada pelo FBI, a polícia federal americana, e convocada a depor no Congresso.

Após investigar o caso, o FBI criticou a conduta de Hillary, mas decidiu não recomendar que ela fosse denunciada à Justiça. O episódio, porém, tornou a democrata alvo de duras críticas de Trump e outros adversários políticos - eles dizem que Hillary pôs a segurança dos americanos em risco.

As críticas voltaram a se intensificar nos últimos dias com a divulgação de documentos apontando que funcionários do governo Obama pressionaram o FBI a aliviar a investigação contra Hillary. Ela se desculpou repetidas vezes pela conduta.

5 - Rússia e hackers

Rival histórica dos Estados Unidos, a Rússia tem ocupado um papel central na campanha presidencial. Em várias ocasiões, Trump demonstrou simpatia pelo presidente russo, Vladimir Putin, e disse que se aproximaria do país para tratar temas globais.

A postura do empresário destoa da visão tradicional do Partido Republicano, que vê a Rússia com grande desconfiança. O assunto esquentou quando o governo Obama acusou a Rússia de hackear e divulgar e-mails da campanha de Hillary. Moscou nega envolvimento no caso.

No último debate, Hillary disse que, se Trump vencer a eleição, ele será um "fantoche" de Putin.

6 - Estado Islâmico

O grupo extremista, que hoje controla partes da Síria e do Iraque e vem promovendo ou inspirando atentados pelo mundo, tem sido tratado na campanha como a maior ameaça aos Estados Unidos hoje.

Trump acusa Hillary de "fundar" o EI por suas ações enquanto era secretária de Estado. Ela ocupava o posto quando Obama promoveu a retirada das tropas americanas do Iraque, movimento considerado precipitado por Trump.

Ele também condena a decisão de Hillary de votar a favor da Guerra no Iraque quando era senadora e afirma que o governo Obama permitiu a entrada de simpatizantes do grupo ao receber milhares refugiados sírios.

Trump disse ter um plano para derrotar o Estado Islâmico, mas se recusou a divulgá-lo para que o "inimigo não saiba" o que pretende fazer. Ele já afirmou, porém, que buscaria uma parceria com a Rússia para combater o grupo.

Hillary defende intensificar ataques aéreos contra os militantes e aumentar o apoio a forças locais que enfrentam o grupo. Ela diz ainda que se valeria da diplomacia para pôr fim à Guerra na Síria e ao embate entre sunitas e xiitas no Iraque, dois conflitos que colaboraram com a ascensão do Estado Islâmico.

Brexit: 4 meses após plebiscito, britânicos ainda não sabem como será a vida fora da União Europeia

Fonte BBC Brasil | 24/10/16

O Reino Unido surpreendeu o mundo ao decidir sair da União Europeia, em um plebiscito realizado em junho, mas passados quatro meses, muitas perguntas ainda permanecem sem reposta e pouco se sabe sobre como isso vai de fato acontecer.

O resultado do plebiscito de 23 de junho revelou uma profunda divisão no país. O Brexit (palavra criada pela fusão de "Britain" e "exit", ou saída da Grã-Bretanha) recebeu 51,9% dos votos contra 48,1% pela permanência na UE. O interior da Inglaterra e o País de Gales apoiaram majoritariamente a saída da UE, enquanto Londres, Escócia e Irlanda do Norte optaram pela permanência.

Desde então, o país se debate para tentar encontrar a melhor maneira de se relacionar com seus vizinhos europeus. A economia e o controle de fronteiras são os principais temas das discussões que têm rachado partidos políticos e dividido a sociedade britânica.

A hipótese de anulação do plebiscito, defendida por muitos, se torna mais distante à medida que o tempo passa. A atual primeira-ministra britânica, Theresa May, anunciou que até março do ano que vem dará início ao processo formal de negociações para a retirada do país da União Europeia.

A BBC Brasil preparou um guia com perguntas e respostas que ajudam a explicar o que está em discussão e o que deve acontecer daqui para a frente.

Quais são as consequências mais imediatas do Brexit para o Reino Unido?

O Reino Unido perde acesso ao mercado único sem impostos nem tarifas comerciais, que é a base da economia europeia. No coração dele está o livre movimento de bens, pessoas e capitais entre os países da UE.

Embora um país possa fazer parte do mercado único e não da UE, como a Noruega, isto depende de acordos a serem assinados quando o processo formal de saída for iniciado. O que, segundo estimativas, pode ocorrer até 2019.

Além disso, países da UE poderiam vir a ser levados a "punir" o Reino Unido para desestimular outras nações do bloco que por ventura queiram seguir caminho semelhante.

Quais são as consequências mais imediatas para a UE?

O consenso até o momento é de que o mais afetado pela separação deve ser o Reino Unido. Mas analistas acreditam que também haverá consequências em outras partes da Europa.

Para a consultoria britânica Global Counsel, a UE se tornaria um parceiro comercial menos atraente em nível mundial e perderia poder globalmente.

No entanto, isso poderia ser compensado por uma maior coesão dos países restantes, já que o Reino Unido é um dos membros do bloco que mais se opõem ao aprofundamento da integração europeia.

Vários países da UE dependem em grande parte da economia britânica. É o caso da França, que exporta boa parcela da produção agrícola para o outro lado do Canal da Mancha.

Os líderes da UE não sabem o quanto a saída britânica servirá de incentivo para movimentos populistas e nacionalistas existentes nos países do bloco.

Mas todos têm o temor comum de que um possível sucesso do Brexit seja o ponto de partida que tornará real o pesadelo do fim da União Europeia.

O Reino Unido já está fora do bloco europeu?

Ainda não. O Reino Unido continua na União Europeia (UE) com acesso ao mercado único do bloco, com todos os privilégios e obrigações anteriores à votação.

Por enquanto, tudo continua como antes. As negociações para a saída do bloco só começam oficialmente quando a Grã-Bretanha acionar o Artigo 50 do Tratado de Lisboa, que estabelece um prazo de dois anos para a conclusão do processo e a saída do bloco.

A primeira-ministra Theresa May - sucessora de David Cameron, que renunciou logo depois do resultado do referendo - prometeu acionar o Artigo 50 até o fim de março de 2017, mas ainda enfrenta resistências políticas internas e até questionamentos legais.

O Brexit pode ser cancelado?

"Brexit significa Brexit", disse Theresa May quando tomou posse no dia 13 de julho, para indicar que, efetivamente, o Reino Unido não irá voltar atrás em relação à saída da UE. Mesmo sendo ela, como David Cameron, favorável a permanência do país na UE, May prometeu levar adiante o processo de separação conforme decidido pelos britânicos.

Mas, há quem acredite que o resultado do plebiscito deva ser submetido ao Parlamento para só então passar a ter valor legal e institucional. No momento, a Justiça analisa recurso submetido pelo grupo People's Challenge (Desafio do Povo), liderado por uma investidora da City londrina, alegando que o governo não pode acionar o Artigo 50 sem que o tema seja revisto pelo Parlamento - que teria poder de vetar a decisão do plebiscito.

O processo pode chegar à Câmara dos Lordes (a câmara alta do Parlamento britânico), majoritariamente contrária ao Brexit.

Em tese, os parlamentares poderiam bloquear a saída do bloco, mas analistas consideram que contrariar os eleitores seria um suicídio político, principalmente para o partido Conservador, atualmente no governo e com maioria no Parlamento.

Qual o impacto do Brexit no dia a dia da economia do Reino Unido?

Antes do referendo, vários economistas previam um impacto imediato e importante na economia do Reino Unido e na confiança do consumidor. Até agora essas previsões não se tornaram realidade.

O setor de serviços cresceu 0,4% em julho, bem mais do que se esperava. Isso mostraria que os consumidores continuaram gastando normalmente depois da votação.

Mas houve uma redução da confiança entre os pequenos empresários. Uma pesquisa da federação britânica das Pequenas Empresas mostrou, pela primeira vez em quatro anos, pessimismo quanto ao futuro pós Brexit.

A inflação aumentou para 0,6% em julho e se manteve assim em agosto. O Serviço Nacional de Estatísticas afirma que há poucos sinais de que isso vá se refletir nos preços ao consumidor.

Além disso, o valor da libra esterlina caiu quase 20% desde o fim de junho. A moeda sofreu a maior desvalorização diária em três anos diante do euro depois que Theresa May prometeu, no início de outubro, começar o processo formal de Brexit em março de 2017.

A alteração mais visível foi o enfraquecimento da libra perante o euro e o dólar. Atualmente, uma libra está cotada a US$1,20 e nas casas de câmbio de aeroportos e pontos turísticos, um euro já vale mais do que uma libra.

A queda da libra é boa para os exportadores, mas torna as viagens ao exterior mais caras para os britânicos. Também aumenta o preço da importação de manufaturados, por exemplo.

Nesse sentido, o enfraquecimento da moeda foi agravado também pelo corte dos juros realizado em julho pelo Bank of England, o banco central britânico, de 0,5% para 0,25%.

Hard Brexit x Soft Brexit

A União Europeia é o mercado comercial mais importante para a Grã-Bretanha, recebendo em 2015, US$ 220 bilhões de exportações britânicas. Por outro lado, o país importou dos vizinhos europeus no ano passado US$ 290 bilhões (números do UK Trade Department, o Departamento de Comércio do Reino Unido).

No momento, a primeira-ministra Theresa May tenta garantir junto a União Europeia o chamado "soft Brexit" a saída negociada com a manutenção do acesso privilegiado ao mercado comum, com direito a tarifas preferenciais que facilitam e estimulam o comércio, da mesma forma que possuem Noruega e Suíça, países que não pertencem ao bloco comum europeu.

Mas ainda não estão claras que concessões os europeus vão exigir dos britânicos.

A alternativa, apelidada de "hard Brexit" seria a retirada completa da União Europeia, tirando da Grã-Bretanha os privilégios econômicos, o que tornaria o país um parceiro comercial comum, sujeito a taxas mais altas e condições mais árduas.

Com o partido governista dividido entre os que defendem um ou outro caminho, a primeira-ministra já sinalizou que sua preferência é pelo "soft Brexit", a saída amplamente negociada com a manutenção de privilégios.

Imigração e livre circulação de europeus

Junto com a economia, a questão de controle de fronteiras é, sem dúvida, o ponto mais importante da saída da Grã-Bretanha da União Europeia. E até o momento existem muito mais perguntas e dúvidas do que respostas e soluções para a questão.

Estima-se que cerca de 3,3 milhões de cidadãos europeus vivam na Grã-Bretanha, e algo em torno de 1,2 milhão de britânicos estariam vivendo em outros países da União Europeia. Até o momento, membros de ambos os contingentes desfrutam de plena liberdade de movimento entre os 28 países do bloco, tendo assegurado o direito de trabalho, onde quer que decidam permanecer.

Por estarem no centro da decisão tomada pelos que votaram pela saída da UE, o tema da imigração e a questão do emprego são talvez as mais complexas de serem resolvidas. Pelo custo político evidente, nenhuma solução avaliada até então parece resolver inteiramente as difíceis questões que se apresentam.

Os cidadãos europeus radicados na Grã-Bretanha perderão direitos de residência e trabalho? Em contrapartida o que acontecerá com os britânicos que vivem na Europa?

Até o momento estas questões continuam sem resposta, ou mesmo uma indicação de que rumo tomarão as negociações nesse sentido.

Por que o Reino Unido fez o plebiscito?

Pressionado internamente por membros de seu partido, e externamente pelo crescimento de um sentimento nacionalista no país, o então primeiro-ministro David Cameron prometeu realizar o plebiscito se o partido Conservador vencesse as eleições parlamentares de 2015, garantindo sua permanência.

Cameron acreditava que o voto pela permanência na Europa, defendido por ele, seria vencedor e com isso derrotaria seus adversários, consolidando e fortalecendo sua liderança.

A derrota inesperada lhe custou o cargo. Após a confirmação do resultado, David Cameron renunciou a liderança do Partido Conservador e em consequência ao cargo de primeiro-ministro.

Muitos dos chamados eurocéticos argumentavam que a UE tinha crescido demais nas últimas décadas, exercendo cada vez mais controle sobre a vida cotidiana dos britânicos.

As pressões aumentaram com o crescimento eleitoral do partido nacionalista Ukip, defensor da saída da UE.

Mas as origens da oposição britânica à UE remontam a tensões históricas com os vizinhos no continente. O Reino Unido, segundo historiadores, nunca abraçou uma identidade europeia como a Alemanha ou a França.

Entre novas e velhas tensões, as mais visíveis são a defesa da soberania nacional, o orgulho pela identidade britânica, a desconfiança com a burocracia de Bruxelas, o controle de fronteiras e as questões de segurança interna e defesa.

União Europeia (UE)

É a união econômica e política de 28 países. As origens remontam à Comunidade Econômica Europeia (CEE), criada em 1957.

O Reino Unido aderiu à CEE em 1973 e, dois anos depois, após renegociar suas condições, realizou um plebiscito sobre a sua permanência.

A integração foi aprovada por 67% dos eleitores. Na época, o Reino Unido sofria com o declínio industrial, inflação e greves trabalhistas. O projeto europeu era visto como benéfico para a economia.

Mas, em 1985, quando foi criada a área de Schengen, que estabelece uma fronteira comum, o Reino Unido optou por manter-se à margem continuando a estabelecer a sua própria politica de imigração.

Apesar de integrar desde 1993 o mercado único e a livre circulação de bens e pessoas, o Reino Unido não adotou o euro e manteve sua própria moeda, a libra esterlina.

Como é a relação entre a UE e o Reino Unido?

Historicamente o país mantém com a UE uma relação delicada, em que centralização e controle nacional estão em constante oposição.

O tema econômico também sempre foi central nessa relação. Um dos argumentos pela separação é o de que a economia britânica atual é muito mais criativa e dinâmica que a dos anos 1970. E estas duas características seriam prejudicadas pela burocracia de Bruxelas.

Os britânicos não adotaram a moeda única europeia por não admitirem interferência externa em sua política monetária. Mesmo sem integrar a zona do euro, a Grã-Bretanha obteve proteções para a City londrina - o mais importante mercado financeiro da Europa - e ganhou o direito de determinar sua própria política de imigração e limitar os benefícios que imigrantes europeus podem obter no país.

Quem critica a saída da UE?

Os partidos Trabalhista, Liberal Democrata, Nacionalista Escocês (SNP), e o galês Plaid Dymru.

Entre os líderes estrangeiros, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, foi um dos críticos e acabou sendo acusado de ingerência pelos britânicos.

França e Alemanha, assim como organizações multilaterais - como o Fundo Monetário Internacional (FMI) - também preferiam que o Reino Unido permanecesse no bloco.

Quem defende o Brexit?

O defensor de primeira hora foi o partido nacionalista Ukip, que obteve 13% dos votos nas últimas eleições mas tem representação diminuta no Parlamento devido ao sistema eleitoral britânico. O ex-líder Nigel Farage mostrou-se incansável na promoção de um discurso racista e xenófobo.

Metade dos parlamentares conservadores apoiou o Brexit. Alguns trabalhistas também, descontentes com as políticas de austeridade e liberalismo econômico do bloco.

Durante a campanha que antecedeu o plebiscito, os defensores da saída propagaram o discurso sobre a retomada da soberania do Reino Unido, que consideravam perdida para a UE.

O candidato republicano à Casa Branca, Donald Trump, disse que o Reino Unido estará melhor fora da UE, e lamentou os efeitos da imigração na Europa. Foi a vez de Trump ser atacado por sua ingerência na crise britânica.