sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Corte argentina condena 28 ex-repressores à prisão perpétua

Fonte EBC | 26/08/16

A Justiça da Argentina condenou à prisão perpétua 28 ex-repressores pelos crimes cometidos na base militar clandestina conhecida como "La Perla", reconhecendo, pela primeira, que foram cometidos crimes de lesa humanidade no país também antes da última ditadura (1976-1983). As informações são da Agência Ansa.

O promotor Jaime Díaz Gavier, envolvido no julgamento, explicou, em entrevista ao jornal La Nación, que é a primeira vez que o país reconhece a existência de terrorismo de Estado no período da democracia e execuções, torturas, além de roubos de bebês.

A sentença, que denuncia um "plano sistemático de extermínio", abre caminho para que sejam investigados crimes durante o governo de Isabel Perón, que precedeu a ditadura.

Entre os réus, o mais famoso é o militar aposentado Luciano Benjamin Menendez, de 89 anos, que já cumpre outras sentenças de prisão perpétua por seu papel durante a ditadura. Acusado de assassinato e sequestros de opositores, ele era conhecido como "a hiena", por rir durante as sessões de tortura.

O julgamento foi acompanhado de perto por centenas de parentes de vítimas e ativistas de direitos humanos, que comemoraram o veredito com gritos de "assassino"

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Os desafios do Reino Unido no contexto de saída da União Europeia, por Bruno Theodoro Luciano

Fonte Revista Mundorama | 23/08/16

Os resultados do referendo realizado em junho passado no Reino Unido transformaram o cenário político nacional e regional do país. Com a expressiva participação de 72% dos eleitores britânicos, 52% dos votantes decidiram que o país deve deixar a União Europeia (UE), terminando um relacionado iniciado em 1973. Esta não foi a primeira vez que os britânicos se debruçaram sobre essa questão. Em 1975, um referendo sobre o mesmo tema foi realizado no Reino Unido, todavia o número eleitores que apoiaram a saída foi menos expressivo, 32%.

Os resultados das urnas apresentaram um país dividido não somente por regiões, mas também por níveis etários e educacionais. Enquanto o interior da Inglaterra e o País de Gales votaram pela saída, Escócia, Irlanda do Norte e Londres votaram pela permanência. Ao passo que jovens e pessoas com maior nível educacional tenderam a optar por continuar na UE, os mais velhos e pessoas com menor qualificação profissional tenderam a escolher a saída.

A vitória do voto por deixar a UE imediatamente levou à renúncia do premiê britânico David Cameron e à sua rápida substituição pela sua Secretária de Assuntos Internos, Theresa May. Embora tenha se posicionado ao longo do referendo favorável à manutenção do país na União Europeia, May mostrava-se favorável à redução do número de imigrantes recebidos pelo Reino Unido nos últimos anos. A segunda mulher a exercer o cargo outrora ocupado pela “dama de ferro” Margaret Thatcher inaugurou seu mandato com um discurso de que “Brexit quer dizer Brexit”, reduzindo as chances dos insatisfeitos com o resultado das urnas de realização de um novo referendo ou mesmo de desconsideração dos resultados das urnas pelo parlamento, tendo em vista sua natureza consultiva. A nomeação de um secretário exclusivo para as negociações com a UE e a escolha do polêmico ex-prefeito de Londres Boris Johnson para Secretário de Assuntos Exteriores indicam que os setores políticos que apoiaram a saída da UE ocuparão um lugar destacado neste novo governo.

Os primeiros passos da gestão de Theresa May mostram os grandes desafios que seu mandato terá. Antes de negociar uma saída da UE, May deverá garantir a unidade do país frente aos resultados do referendo, trazendo para a negociação representantes da Escócia e da Irlanda do Norte, os quais preferiam se manter na UE. Uma saída mal negociada da UE pode fazer com que a Escócia realize uma nova versão do referendo de independência realizado em 2014. Muitos eleitores escoceses naquele momento preferiram continuar parte do Reino Unido justamente por este ser um Estado-membro da UE. Além disso, uma negociação que não leve em consideração a questão da Irlanda pode fazer com que barreiras novamente separem a Irlanda do Norte (parte do Reino Unido) da República da Irlanda, gerando o renascimento do conflito irlandês, estabilizado no final dos anos 1990.

As primeiras viagens internacionais da nova primeira-ministra para a Alemanha e França buscam dar o tom de prioridade às negociações do ‘Brexit’. Theresa May informou aos líderes europeus que somente acionará o artigo 50 do Tratado da União Europeia – referente à saída de Estados-membros do bloco – no final deste ano ou início de 2017, quando o país consolidará uma posição para negociar os termos da saída. Até lá, temas como restrição aos imigrantes europeus, direito dos britânicos residentes nos países europeus, acesso comercial ao mercado europeu e manutenção dos benefícios do centro financeiro de Londres deverão estar em pauta nas discussões políticas britânicas.

As negociações não serão fáceis para ambos os lados e devem levar cerca de dois anos para serem concluídas. Enquanto o governo britânico vai buscar a melhor negociação possível, reduzindo a entrada de imigrantes no país e garantindo livre acesso comercial à UE, os líderes europeus buscarão uma saída rápida e com o mínimo de concessões possíveis, procurando abafar as chances de um efeito dominó para outros países insatisfeitos com a integração europeia.

Resta saber qual será o lugar do Reino Unido no mundo assim que concretizada sua saída da UE. Embora os partidários do ‘Brexit’ tenham defendido que o país teria mais liberdade em negociar com grandes potências internacionais ao sair da UE, o fato do país deliberadamente se afastar do maior bloco comercial e político do mundo na realidade dá um sinal contraditório sobre o futuro papel do Reino Unido como um ator global de maior relevância. No plano dos valores, a saída britânica sem dúvidas representa o maior golpe sofrido na história da integração europeia, caracterizada por sucessivas adesões dos países do sul e do leste da Europa. Pela primeira vez, um Estado-membro decide, ao contrário, sair do bloco e retomar sua “carreira solo”.

sábado, 20 de agosto de 2016

SÍRIA: NOVO ROSTO INFANTIL DO SOFRIMENTO, NUMA PAÍS SEM AJUDA HUMANITÁRIA

Fonte EuroNews | 18/08/16

Imagem portal R7
Um menino de cinco anos vítima de um bombardeamento, em Alepo, tornou-se, esta quinta-feira, o mais recente símbolo do sofrimento dos 1,5 milhões de civis sitiados naquela cidade síria.

A criança foi resgatada de um edifício, ferida e desorientada, mas sabe-se que a sua família também sobreviveu ao ataque.

O menino das imagens, divulgadas pelo grupo de ativistas antiregime Alepo Media Center, foi identificado como Omran Daqneesh, residente no bairro de Qaterji, controlado pelos rebeldes, que foi bombardeado na quarta-feira à noite.

Um fotograma retirado do vídeo, publicado na internet pela organização, já foi visto por cerca de 100 mil pessoas, partilhado por milhares e publicado pela generalidade da imprensa internacional.

Em protesto pelo impasse para conseguir uma trégua de 48 horas em Alepo, o enviado especial da ONU para a Síria, Steffan de Mistura, anunciou que “suspendi a reunião do Grupo de Trabalho Humanitário como símbolo de profunda consternação, de respeito pelo Dia Mundial Humanitário, que se celebra a 19 de agosto, e de profunda infelicidade por a ajuda não estar a chegar a qualquer ponto da Síria, exceto Deir al-Zor. No caso de Alepo, a zona leste continua cercada e a zona ocidental está em vias de o ficar também”.

Segundo a ONU, há um mês que não entra qualquer ajuda humanitária na cidade, a segunda maior da Síria, situada no noroeste do país.

O antigo pólo comercial e industrial tem sido um dos principais palcos dos combates entre as forças do regime e os grupos rebeldes e jihadistas.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Venezuela rejeita acusações de 'Tríplice Aliança' e diz ter cumprido protocolo de adesão a Mercosul


Fonte Opera Mundi | 15/08/16

Brasil, Argentina e Paraguai atuam 'manobras falsárias e antijurídicas', diz Caracas, que os acusa de trazer 'preferências ideológicas neoliberais' para o bloco

O governo da Venezuela rechaçou nesta segunda-feira (15/08) as afirmações de Brasil, Argentina e Paraguai de que não teria cumprido compromissos do protocolo de adesão do Mercosul e afirmou que país foi “insigne no processo de incorporação” ao bloco.

Os três países – denominados “Tríplice Aliança” pelo governo venezuelano – se posicionaram contrários à passagem da presidência do bloco a Caracas e usam o termo de adesão para tentar impedir que isso aconteça oficialmente.

Nesse contexto, a chancelaria venezuelana, por meio de comunicado, classificou como “manobras falsárias e antijurídicas” as afirmações dos três países. A Venezuela “não só incorporou grande parte do compêndio normativo do Mercosul” como “igualou, e na maioria dos casos superou, os Estados Partes, que estando desde o início da fundação do Mercosul não internalizaram todo seu acervo normativo”, diz a chancelaria.

O governo venezuelano também “denuncia ante a comunidade internacional a persistência destes governos em vulnerar os tratados constitutivos do Mercosul, fazendo prevalecer suas preferências políticas e ideológicas neoliberais sobre os genuínos interesses dos povos e seus processos de integração”, diz o comunicado.

Brasil e Paraguai afirmaram neste sábado (13/08) que a Venezuela não cumpriu compromissos do protocolo de adesão ao bloco. "Esta circunstância requer uma revisão jurídica, com o amparo do direito internacional, pelos Estados fundadores do Mercosul", diz a carta assinada pelo chanceler paraguaio, Eladio Loizaga.

Ele acrescentou que esses “descumprimentos” por parte da Venezuela já são conhecidos pelos governos dos outros três países fundadores do Mercosul (Brasil, Argentina e Uruguai) e que serão tratados no próximo dia 23, na reunião de coordenadores do bloco que será realizada em Montevidéu. O chanceler declarou que dessa reunião poderia sair uma resolução jurídica que teria "efeitos administrativos em relação à filiação da Venezuela".

Impasse no Mercosul

A Presidência Pro Tempore do Mercosul era do Uruguai, até o fim de julho, quando o país encerrou seu mandato e entregou o cargo para a Venezuela, que informou as chancelarias dos outros membros que assumiria a liderança do bloco.

O anúncio foi seguido por protestos por parte do Brasil, Argentina e Paraguai, que alegaram que o país passa por problemas políticos e econômicos, não cumprindo os requisitos para liderar o bloco. O Uruguai afirma, entretanto, não haver impedimento para a passagem da Presidência rotativa do Mercosul a Caracas.

Brasil, Argentina e Paraguai defendem a formação de uma comissão de embaixadores dos países-membros para dirigir o bloco até o fim do ano, quando se encerraria o mandato da Venezuela e o cargo seria passado para a Argentina.

No dia 5 de agosto, porém, o governo da Venezuela disse que o país estava assumindo de forma oficial a Presidência temporária do Mercosul e denunciou o que qualificou de “boicote” de Brasil, Paraguai e Argentina contra sua liderança à frente do bloco.

No sábado (13/08), o Paraguai pediu uma “revisão jurídica” do protocolo de adesão da Venezuela, após afirmar que houve “descumprimento das obrigações contidas nos referidos instrumentos”. A medida faz parte das tentativas do Paraguai de tentar impedir que a Venezuela assuma oficialmente a Presidência do bloco.

O governo brasileiro, por sua vez, afirmou na ocasião que, “diante do cenário de descumprimento unilateral de disposições essenciais para a execução do protocolo”, “avaliará a situação detidamente, à luz do direito internacional”.

Já o chanceler uruguaio, Rodolfo Nin Novoa, afirmou nesta segunda-feira (15/08) que "não está prevista em nenhum lugar" uma "Presidência coletiva" do Mercosul, como propõem Brasil, Argentina e Paraguai. "Não está prevista [a Presidência coletiva] e, se estivesse, precisaríamos de um consenso. Além disso, a Venezuela não aceitaria [essa proposta]", afirmou Novoa.

Ele reiterou a posição manifestada pelo Uruguai desde antes do fim de seu mandato, de que atualmente corresponde à Venezuela a Presidência rotativa do Mercosul. "Não há nenhuma pré-condição para assumir a Presidência", disse Novoa, afirmando que o bloco se encontra em um "vazio jurídico". "Tudo pode ser interpretado. Quero ajudar para que isso funcione", afirmou, acrescentando que o Uruguai tem a intenção de comparecer às reuniões convocadas pela Venezuela sobre a questão.

sábado, 13 de agosto de 2016

Venezuela e Colômbia chegam a acordo para reabrir fronteira

Fonte DW | 12/08/16

Após quase um ano fechada, fronteira será reaberta de maneira "controlada e gradual", começando com cinco pontos liberados para pedestres. Centro binacional deve garantir segurança na região.
Juan Manuel Santos (esq.) e Nicolás Maduro
Juan Manuel Santos (esq.) e Nicolás Maduro
Os presidentes da Venezuela, Nicolás Maduro, e da Colômbia, Juan Manuel Santos, chegaram nesta quinta-feira (11/08) a um acordo para a abertura "ordenada, controlada e gradual" da extensa fronteira entre os dois países, fechada há quase um ano por decisão de Caracas.

"Vamos abrir a fronteira de forma ordenada, controlada e gradual", anunciou Santos em entrevista ao lado de Maduro, após reunião de cerca de duas horas e meia em Puerto Ordaz, no estado venezuelano de Bolívar.

Os governantes disseram que a abertura da fronteira começará com a passagem de pedestres em cinco pontos do limite fronteiriço a partir deste sábado, entre as 6h e as 19h, e que haverá um controle migratório. "Será expedido um documento para que os moradores da fronteira tenham as facilidades e para que se possa controlar quem entra e quem sai", detalhou Santos.

O presidente colombiano também destacou que a segurança na fronteira será uma questão-chave para que possa haver normalidade na região e, para isso, foi criado um centro binacional para "a luta contra o crime internacional". Maduro afirmou que a decisão de reabrir a fronteira foi tomada no último dia 23 de julho, quando os dois presidentes se reuniram em Havana.

Tensão na fronteira

A Venezuela e a Colômbia tem mais de 2.219 quilômetros de fronteira comum. Em julho deste ano, mais de 100 mil venezuelanos cruzaram a fronteira para comprar produtos básicos e medicamentos, durante dois domingos em que houve abertura.

Em 19 de agosto do ano passado, Maduro ordenou o fechamento da ponte Simón Bolívar, principal passagem entre a cidade colombiana de Cúcuta e as localidades venezuelanas de San António e Ureña. Cinco dias depois, as autoridades venezuelanas decretaram estado de emergência em seis municípios fronteiriços com a Colômbia, justificando a medida com o combate a grupos paramilitares, ao narcotráfico e ao contrabando.

O estado de emergência foi depois ampliado para 20 municípios, abrangendo os estados venezuelanos de Táchira, Zúlia e parte de Apure, o que levou ao fechamento de toda a fronteira. Desde então, mais de 1.355 colombianos foram repatriados e mais de 19 mil abandonaram a Venezuela voluntariamente, segundo fontes não oficiais.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Drone dos EUA mata líder do Estado Islâmico para Afeganistão e Paquistão

Fonte G1 | 12/08/16

Hafiz Saeed Khan foi atingido em um ataque em 26 de julho.
Morte anunciada por embaixador afegão foi confirmada pelos EUA.

O líder do braço do Estado Islâmico no Afeganistão e no Paquistão foi morto num ataque de um drone norte-americano em 26 de julho, disse uma autoridade de defesa dos Estados Unidos nesta sexta-feira (12), após o embaixador afegão no Paquistão anunciar o ocorrido para a Reuters.

A morte de Hafiz Saeed Khan é um golpe para os esforços do Estado Islâmico de expandir dos seus redutos na Síria e no Iraque para o Afeganistão e o Paquistão, locais onde já há vários movimentos jihadistas, incluindo o Taliban e a Al-Qaeda.

É a segunda morte de um militante proeminente executada pelos Estados Unidos na região em meses. Em maio, um ataque de um drone no Paquistão matou o mulá Akhtar Mansour, líder do Taliban afegão.

Apesar disso, a guerra de 15 anos no Afeganistão continua sem uma vitória clara à vista. Combatentes do Taliban têm ameaçado pelo menos duas capitais de província, em Helmand e Kunduz, e um relatório do governo norte-americano disse que forças afegãs perderam 5 por cento de território neste ano.

Em termos do seu próprio território, o Estado Islâmico está em sua maior parte confinado a alguns distritos da província de Nangarhar no Afeganistão, que faz fronteira com o Paquistão, onde militantes do grupo, a maior parte deles desertores do Taliban, são responsabilizados por ataques a vilas e postos do governo.

Ainda assim, preocupações de que o Estado Islâmico poderia estar ampliando o seu alcance operacional se intensificaram nesta semana quando o grupo assumiu a responsabilidade por um ataque contra um hospital paquistanês que matou pelo menos 74 pessoas em Quetta, no sudoeste do país. Uma facção do Taliban paquistanês também assumiu a responsabilidade pela ação.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Putin ressalta vontade de 'restabelecer diálogo' com a Turquia

Fonte Estado de Minas | 09/08/16

O presidente russo, Vladimir Putin, ressaltou a vontade de Moscou e Ancara de "restabelecer o diálogo e as relações" bilaterais, ao receber nesta terça-feira em São Petersburgo seu colega turco, Recep Tayyip Erdogan, após nove meses de crise diplomática.

Trata-se da primeira viagem ao exterior do chefe de Estado turco após a tentativa de golpe militar de 15 de julho, que foi seguida de expurgos sem precedentes em todos os setores da sociedade turca e muito criticados pelo Ocidente.

"A sua visita, que acontece apesar da situação política interna na Turquia, mostra que todos nós queremos restaurar o diálogo e as relações no interesse dos povos russo e turco", disse Putin, após um aperto de mão entre os dois líderes no palácio Konstantinovski.

Por sua vez, Erdogan, que havia anunciado sua viagem à Rússia como "uma nova etapa, um início do zero" com Vladimir Putin, ressaltou que as relações entre os dois países estavam agora entrando em uma fase "positiva", acrescentando que a "solidariedade" entre Moscou e Ancara iria contribuir para resolver os problemas da região.

As relações entre Moscou e Ancara se deterioraram consideravelmente após a destruição, em novembro, de um caça russo pela Força Aérea turca ao longo da fronteira turco-síria.

No final de junho, os dois países ensaiaram uma reaproximação depois que o presidente turco pediu desculpas pelo incidente.

Putin, que foi um dos primeiros líderes estrangeiros a telefonar para Erdogan após a tentativa de golpe em 15 de julho, reafirmou nesta terça-feira que a Rússia é "categoricamente contra qualquer tentativa de agir por meios inconstitucionais".

Ele disse esperar que a Turquia "consiga superar este problema e que a ordem e a lei constitucional sejam restauradas" na Turquia.

Enquanto Moscou e Ancara estreitam sua relações, o golpe fracassado envenenou as relações da Turquia com os Estados Unidos.

A Turquia afirmou nesta terça-feira, através de seu ministro da Justiça, que os Estados Unidos não devem sacrificar as relações bilaterais pelo "terrorista" Fethullah Gülen, que segundo Ancara instigou o golpe de Estado frustrado de 15 de julho.

"Se Gülen não for extraditado, os Estados Unidos sacrificarão as relações (bilaterais) por culpa deste terrorista", declarou o ministro Bekir Bozdag à agência de notícias pró-governamental Anatolia.

'Relação pragmática'

As relações entre Turquia e Rússia - países que disputam uma influência nas regiões estratégica do mar Negro e Oriente Médio - nunca foram fáceis.

No entanto, antes da crise pela destruição do avião russo, os dois países conseguiram "compartimentar" os litígios em temas como Síria ou Ucrânia para se concentrar na cooperação estratégica como o gasoduto TurkStream à Europa, a construção de uma central nuclear russa na Turquia ou o objetivo de 100 bilhões de dólares (90 bilhões de euros) de comércio bilateral.

Agora, a Turquia quer reparar os danos causados pelas sanções russas aos seus setores da agricultura, da construção e do turismo.

Segundo estatísticas russas, os intercâmbios comerciais caíram 43%, a 6,1 bilhões de dólares (5,5 bilhões de euros), entre janeiro e maio do ano atual.

A chegada de turistas russos caiu 93% interanual em junho.

Se o turismo for reativado, poderá voltar à mesa o projeto de gasoduto TurkStream, que deve levar 31,5 bilhões de metros cúbicos anuais à Turquia passando pelo mar Negro, e a central nuclear de Akkuyu.

Para o conselheiro de política externa de Putin, Yuri Ushkalov, o fato de Erdogan viajar à Rússia com tanta rapidez depois da tentativa de golpe mostra a importância que Ancara confere as suas relações com Moscou.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Em carta, Venezuela anuncia a países-membros do Mercosul que assumirá Presidência do bloco

Fonte Opera Mundi | 01/08/16

Informe da chancelaria venezuelana teria sido enviado a demais países do bloco na sexta-feira, após fim do mandato do Uruguai, que apoia liderança de Caracas

Após o encerramento do mandato do Uruguai na presidência rotativa do Mercosul nesta sexta-feira (29/07), a Venezuela informou aos demais países do bloco que assumirá a liderança da organização, segundo uma carta enviada por seu Ministério das Relações Exteriores e à qual a Agência Efe teve acesso neste sábado (30/07).

A carta tem como data sexta-feira, 29 de julho, e teria sido enviada às chancelarias dos países-membros do bloco. "Informamos que, a partir de hoje, a República Bolivariana da Venezuela assumirá com beneplácito o exercício da Presidência Pro Tempore do Mercosul, com fundamento no artigo 12 do tratado de Assunção e em correspondência com o artigo 5 do Protocolo de Ouro Preto".

A chanceler venezuelana, Delcy Rodríguez; país anunciou que assumirá presidência do Mercosul
Na carta, a Venezuela ressalta que estes artigos são os "únicos instrumentos normativos fundacionais que regulam a procedência e continuidade da Presidência Pro Tempore" do Mercosul.

O governo do Uruguai comunicou ontem aos países do Mercosul que estava deixando a presidência do bloco após o fim do período de seis meses em que lhe competia liderar a organização.

No comunicado, Montevidéu reiterou sua posição de que a Venezuela deve ser o próximo país a ocupar a presidência do Mercosul, como estabelecem as regras do bloco. “O Uruguai entende que no dia de hoje não existem argumentos jurídicos que impeçam a passagem da Presidência Pro Tempore à Venezuela”, diz a nota.

Também na sexta-feira (29/07), a chanceler venezuelana, Delcy Rodríguez, reiterou que “não há nenhuma razão jurídica” para que seu país seja impedido de ascender à presidência rotativa da organização.

Rodríguez também pediu que os países-membros do Mercosul “mantenham a unidade” do bloco, que tem sido, nos últimos meses, palco de uma disputa política internacional devido à oposição do governo do Paraguai, liderado por Horacio Cartes, e do governo interino do Brasil, liderado por Michel Temer, ao governo venezuelano, liderado por Nicolás Maduro.

Na sexta-feira, fontes diplomáticas uruguaias informaram à Agência Efe que a passagem da liderança à Venezuela não foi realizada devido a “diferenças internas” entre os membros da organização.

Na quarta-feira (27/07), foi cancelada a reunião de chanceleres do bloco que estava prevista para este sábado (30/07), na qual se discutiria a questão da transição. Paraguai e Brasil, que são contrários à passagem da liderança à Venezuela, já haviam anunciado ao Uruguai que não participariam da reunião.

Os países do bloco mantêm divergências quanto à interpretação do protocolo para a transferência do mandato, abordada no Tratado de Assunção e no Protocolo de Ouro Preto (1994).

A orientação que há nos documentos é que "a presidência do Conselho do Mercado Comum será exercida por rotação dos Estados partes, em ordem alfabética, por um período de seis meses".

Enquanto a Venezuela entende que o processo de transição é automático, Paraguai e Brasil defendem que é necessário consenso entre os Estados, além de uma reunião para efetuar a passagem. A Argentina não se posicionou de forma definida a respeito da questão.

A Opera Mundi, um funcionário do Mercosul disse que a entidade, até o fim da sexta-feira, não tinha informações sobre o processo de transferência da presidência do bloco.

Não é justo associar o Islã ao terrorismo, diz papa

Fonte Agência EBC | 01/08/16

O papa Francisco disse que não é "verdadeiro e nem justo" associar o Islã à violência ou ao terrorismo. "Uma coisa é certa, em quase todas as religiões sempre existe um pequeno grupo fundamentalista. Nós também temos", afirmou.

Em declaração a jornalistas a bordo do avião papal, quando voltava da Polônia, onde participou nos últimos dias da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), o argentino acrescentou que "o Estado que se define islâmico apresenta uma identidade de violência", que não pode ser ligada ao Islã, referindo-se ao grupo Estado Islâmico.

"Todos os dias, quando abro os jornais, vejo violência na Itália, alguém que mata a namorada, outro que mata a sogra. E são católicos batizados. Se falo de violência islâmica, também tenho de falar da violência cristã", disse. "Nem todos os islâmicos são violentos e nem todos os católicos são violentos. É como uma salada de frutas: tem de tudo dentro".

Na última semana, dois homens que diziam agir em nome do Estado Islâmico invadiram uma igreja na França e degolaram o padre Jacques Hamel, de 84 anos. O Vaticano tem tomado cuidado para afastar a ideia de uma guerra religiosa e evitar novos ataques. A Santa Sé e o papa estão pedindo para os católicos se unirem a fiéis de outras religiões para combater a violência.