domingo, 27 de novembro de 2016

Morte de Fidel Castro repercute pelo mundo

Fonte DW | 26/11/16

Quer aliados ou opositores, líderes políticos internacionais registram morte do líder socialista cubano como grande virada de página na história do século 20. Obama diz que a história julgará "essa figura singular".
Fidel Castro discursa na Praça da Revolução de Havana no Dia do Trabalho, em 2006
Castro discursa na Praça da Revolução de Havana no Dia do Trabalho, em 2006
Logo em seguida ao anúncio da morte do líder cubano Fidel Castro, aos 90 anos, chefes de governo e de Estado de todo o mundo se apressaram em apresentar suas mensagens de condolências neste sábado (26/11).

Em comunicado, o presidente da França, François Hollande, observou que Castro encarnava tanto as "esperanças" como as "decepções" da Revolução Cubana.

"Como protagonista da Guerra Fria [...] ele representava para os cubanos o orgulho de rejeitar a dominação externa", disse, referindo-se à decisão do revolucionário, no início da década de 1960, de distanciar seu país dos Estados Unidos. Esse afastamento foi mantido até 2015, mesmo depois de a presidência cubana ser assumida, em 2008, pelo irmão mais novo de Fidel, Raúl Castro.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou que a história "registrará e julgará o imenso impacto" da "figura singular" que foi Fidel Castro. O presidente acrescentou que a Casa Branca estende a "mão da amizade" ao povo cubano depois da morte de Fidel e lembrou que, como presidente, "trabalhou arduamente" para abrir um novo capítulo nas relações entre os Estados Unidos e Cuba.

Como observou o ministro italiano do Exterior, Paolo Gentiloni, na rede social Twitter, a morte de Castro marca "a virada de uma das grandes e trágicas páginas da história do último século". O presidente da China, Xi Jinping, limitou-se a declarar que "o camarada Castro viverá para sempre".

Havana decretou nove dias de luto nacional por seu antigo presidente, que será cremado já neste sábado. As cinzas serão enterradas na cidade de Santiago, no sul, após quatro dias de procissão através do país.

Rússia e Castro: velhos camaradas

O chefe de Estado russo, Vladimir Putin, louvou o histórico líder: "O nome desse destacado homem de Estado é corretamente considerado o símbolo de uma era na história do mundo moderno [...] Fidel Castro era um amigo sincero e confiável da Rússia."

Por sua vez, o primeiro-ministro Dimitri Medvedev tuitou uma foto sua ao lado do líder cubano, comentando que este tinha "um interesse pronunciado nos eventos do mundo e da Rússia".

As relações entre a república insular caribenha e a extinta União Soviética se aprofundaram no fim da década de 50 e início da de 60, devido ao impasse entre Havana e Washington. Para diversos analistas, essa foi a época em que o mundo esteve mais perto de uma guerra nuclear.

O ex-líder soviético Mikhail Gorbatchov afirmou que Castro deixou um legado significativo para Cuba. "Fidel se levantou e fortaleceu seu país durante o mais duro bloqueio americano, quando a pressão sobre ele era colossal. E ele ainda conduziu sua nação para fora desse bloqueio, a caminho do progresso independente." Por isso, Castro será recordado como um "político proeminente", que teve a capacidade de "deixar uma marca profunda na história da humanidade", concluiu Gorbatchov.

Amigos e admiradores em diversos continentes

O presidente Michel Temer disse que Fidel Castro foi um líder de convicções. "Ele marcou a segunda metade do século 20 com a defesa firme das ideias em que acreditava".

Já o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou como "a perda de um irmão mais velho" a morte de Castro, que para ele foi "o maior de todos os latino-americanos".

"Para os povos de nosso continente e os trabalhadores dos países mais pobres, especialmente para os homens e mulheres da minha geração, Fidel foi sempre uma voz de luta e esperança", escreveu Lula no Twitter. Sobre o ex-metalúrgico, Castro declarara, certa vez: "Tem alma de campeão, admiro a sua perseverança. É o otimismo e a esperança da região."

Também aliado próximo do regime cubano, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pronunciou palavras combativas na estação de TV Telesur: "Vamos continuar vencendo e continuar lutando. Fidel Castro é um exemplo da luta por todas as pessoas do mundo. Vamos seguir adiante com esse legado." O antecessor de Maduro, Hugo Chávez, é citado como "filho espiritual" de Fidel.

Igualmente aliada de Cuba na era socialista, a Índia registrou pesar pela morte do líder latino-americano, com o presidente Pranab Mukherjee prestando "condolências comovidas pelo triste falecimento do líder revolucionário cubano, antigo presidente e amigo da Índia".

Em Bruxelas, a chefe da política externa da União Europeia, Federica Mogherini, rendeu homenagem ao "homem decidido e figura histórica", frisando: "Ele morre em tempos de grandes desafios e incertezas. E de grandes mudanças em seu país." Agora, a UE deseja cooperar mais estreitamente com Cuba, acrescentou a política italiana.

Cuban-americans festejam

Depois que Fidel Castro assumiu o governo, em 1959, muitos cidadãos fugiram da ilha, estabelecendo-se nos Estados Unidos, sobretudo em Miami e Nova Jersey.

Em grande parte, esses exilados eram adeptos do presidente Fulgencio Batista, deposto pela revolução castrista; outros consideravam a política do socialista excessivamente opressiva. No fim de 2014, Cuba e Estados Unidos anunciaram a retomada e normalização de suas relações bilaterais, após 54 anos.

Na cidade de Miami, milhares de imigrantes cubanos, de diferentes gerações, comemoraram neste sábado a notícia da morte do ex-presidente. "Estamos todos celebrando, isso é como um carnaval", comentou o cuban-american Jay Fernandez, de 72 anos à agência de notícias AP. "Satã, Fidel agora é teu, dá a ele o que ele merece, não deixa ele descansar em paz!"

A notícia da morte do revolucionário caribenho polarizou a imprensa dos EUA. Para o New York Times, ele foi alguém que "demonizou 11 presidentes americanos e por um breve tempo propeliu o mundo até a beira da guerra nuclear".

Apesar disso, Castro "se tornou uma figura internacional de destaque, cuja importância no século 20 excedeu de longe o que se poderia esperar do chefe de Estado de uma ilha caribenha com 11 milhões de habitantes", completou o diário nova-iorquino.

O Washington Post, por sua vez, relembrou o estadista revolucionário como "um fanal espiritual da extrema esquerda mundial", enquanto "seus detratores o viam como um líder repressivo, que transformou Cuba num Gulag de fato".

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Erdogan diz que voto do Parlamento Europeu sobre Turquia na UE "não tem valor"


Fonte Estado de Minas | 23/11/16

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, declarou nesta quarta-feira que a votação no Parlamento Europeu sobre a possibilidade de congelar o processo de acesso do país na União Europeia "não tem valor" para os turcos. Os legisladores da UE devem realizar a votação, que não tem poder de lei, nesta semana.

O processo de entrada da Turquia pode ser suspenso após a grande onda de repressão no país desde um fracassado golpe militar em julho. Países da UE mostraram sérias preocupações com a atitude oficial, que resultou em grandes expurgos no funcionalismo público de pessoas com supostas ligações com um clérigo que vive nos EUA e é apontado como culpado pelo golpe. Foram também presos jornalistas e políticos favoráveis aos curdos e centenas de meios de comunicação e organizações da sociedade civil foram fechados.

Alguns países da UE pediram a suspensão das conversas para entrada da Turquia na UE, mas o bloco tenta chegar a um denominador comum que possa equilibrar a necessidade europeia de ajuda de Ancara para barrar centenas de refugiados que buscam a Europa e as preocupações com os abusos contra os direitos humanos.

Durante reunião anual da Organização para a Cooperação Islâmica em Istambul, Erdogan disse que "aos nossos olhos, esta votação não tem valor". Segundo ele, a Turquia luta por estabilidade e um futuro e "isso não será interrompido" por legisladores europeus "levantando e abaixando suas mãos". Para Erdogan, a Turquia mostrou que "arriscará sua vida pelos seus direitos, pelas liberdades e por sua honra".

O líder turco frequentemente acusa a UE de aplicar "duplos padrões" no caso da entrada da Turquia na UE. Ele também acusa vários países do bloco de apoio a militantes turcos e a outros grupos violentos que atuam em seu país.

Erdogan sugeriu que a Turquia poderia realizar um referendo sobre o futuro das negociações com a UE e que a Turquia poderia ingressar na Organização de Cooperação de Xangai, que inclui Rússia e China, como uma alternativa ao bloco europeu.

Em Berlim, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, disse que é importante manter os canais de comunicação abertos com a Turquia. Segundo ela, porém, isso não deve ser um obstáculo para criticar os "eventos alarmantes" ocorridos no país. Merkel ainda ressaltou que Berlim se opõe a "qualquer forma de terrorismo".

Colômbia e Farc assinam hoje segundo acordo de paz

Fonte EBC | 24/11/16

O governo colombiano e o grupo guerrilheiro Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) assinarão hoje (24) o segundo acordo de paz para tentar colocar fim a um conflito armado de 52 anos, um dos mais longos na América Latina.

Após o primeiro acordo ser rejeitado em referendo popular no dia 2 de outubro, o governo e as Farc assinarão este segundo texto de paz em uma cerimônia discreta, ao contrário do que ocorreu há dois meses, em Cartagena, quando o presidente Juan Manuel Santos e o líder das Farc, Rodrigo Londoño, firmaram o documento histórico diante de 13 chefes de Estado e 2,5 mil convidados.

A assinatura do segundo acordo deve ocorrer no período da manhã, no Teatro Colón, de Bogotá, construído entre 1885 e 1895 e localizado diante do Palácio San Carlos, sede do Ministério das Relações Exteriores. Devem participar da cerimônia apenas Santos, Londoño e outros membros das Farc.

Um acordo de paz tem sido negociado pelo governo colombiano com as Farc há quatro anos, com reuniões em Cuba. Após várias rodadas, as duas partes chegaram a um consenso, mas o acordo foi rejeitado pelos eleitores, em uma das piores derrotas políticas para Santos, que recebeu este ano o Prêmio Nobel da Paz.

Um dos principais opositores ao acordo é o ex-presidente Álvaro Uribe, que continua criticando o segundo texto, alegando que ele ainda contém "temas graves que não foram modificados". Uribe também exigiu que o novo texto passe por outro referendo popular, apesar de Santos ter prometido que o acordo será ratificado imediatamente pelo Congresso, onde tem o apoio da maioria.

"Tenho dito que o acordo deve ser apresentado em referendo popular, como ocorre com todo tema sensível ao qual não há consenso", comentou o ex-mandatário, segundo a Agência Ansa.

No referendo anterior, os eleitores mais consevadores votaram "não" ao acordo devido a pontos sensíveis, como a participação de membros das Farc na política colombiana e a suposta "impunidade" (redução de penas) de crimes cometidos pelo grupo.

O conflito armado entre as Farc e o Exército colombiano já matou mais de 260 mil pessoas. Em seu auge, o movimento de extema-esquerda realizava sequestros de civis e atentados.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

TPI acusa Rússia de ocupar Crimeia, e país tira assinatura do estatuto da corte

Fonte Conjur | 17/11/16

O Tribunal Penal Internacional (TPI) concluiu, na terça-feira (15/11), que a anexação da Crimeia pela Rússia é uma ocupação. A reação do governo de Vladimir Putin foi rápida: no dia seguinte, o país retirou sua assinatura do estatuto da corte.

Embora a medida não tenha muito impacto prático — afinal, a Rússia não ratificou o Estatuto de Roma, que criou o tribunal em 1998 —, ajuda ainda mais a esvaziar a corte, que julga casos de genocídio, crimes de guerra e delitos contra a humanidade. Recentemente, África do Sul, Burundi e Gâmbia deixaram o tribunal sob a alegação de que ele foca excessivamente países do continente. Vale lembrar que os três países mais populosos do mundo — China, Índia e EUA — também não se sujeitaram ao TPI.

Em sua decisão, a corte internacional afirmou que “a situação na Crimeia e em Sebastopol é equivalente ao conflito armado internacional entre Ucrânia e a Federação Russa”, conforme informou o jornal britânico The Guardian. Além disso, o TPI apontou que os russos usaram membros de suas forças armadas para assumir controle da região sem consentimento da Ucrânia, que possuía a área.

Ainda que a Rússia tenha insistido que a Crimeia se uniu ao país de forma voluntária, observadores internacionais dizem que o referendo que legitimou a anexação foi organizado às pressas, sem atender a padrões internacionais, e foi submetido à população enquanto tropas russas já invadiam a região — algo posteriormente admitido por Putin.

Em resposta à conclusão do TPI, o governo russo declarou que a corte é “parcial e ineficiente”, não tendo alcançado as expectativas da comunidade internacional. No começo do ano, após decisões contrárias à Rússia sobre a guerra contra a Geórgia, de 2008, o país já havia anunciado que reconsideraria sua postura perante o tribunal, embora estivesse fora de sua jurisdição. Agora, a medida da gestão Putin torna altamente improvável uma ratificação do Estatuto de Roma em um futuro próximo.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

O país que Donald Trump promete

Fonte DW | 10/11/16

Campanha eleitoral do republicano foi marcada por propostas controversas, incluindo a construção de um muro na fronteira dos EUA com o México e a expulsão de imigrantes ilegais. Resta observar se ele vai cumpri-las.

Como candidato à presidência dos EUA, o republicano Donald Trump fez muitas promessas controversas. Em algumas delas, ele voltou atrás durante a campanha, mas outros pontos polêmicos parecem continuar válidos. Entre eles, estão a construção de um muro na fronteira com o México, a expulsão de imigrantes ilegais dos EUA, um controle mais severo da entrada de estrangeiros no país, a redução de impostos e o fim do ObamaCare.

Livre comércio

"America First" – Para Trump, o próprio país vem em primeiro lugar. Ele defende uma política protecionista para reforçar a economia dos EUA. Ele quer proteger o país de produtos estrangeiros e considera o livre comércio prejudicial.

Por isso, Trump quer renegociar o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta) com o Canadá e o México, ou mesmo sair do acordo. Quanto ao Acordo Transpacífico, entre EUA e 11 outros países do Pacífico, cujas negociações foram concluídas um ano atrás, Trump disse que quer, definitivamente, sair dele.

Além disso, ele pretende introduzir tarifas para desencorajar que as empresas americanas produzam no exterior e depois introduzam as mercadorias no país com isenção de impostos.

Migração

Em seu plano para os primeiros cem dias no cargo, Trump anunciou que irá iniciar logo a deportação de "dois milhões de imigrantes criminosos e ilegais". Quem for deportado e entrar ilegalmente nos Estados Unidos, deve pegar, segundo ele, pelo menos dois anos de prisão.

Já no primeiro dia no cargo, Trump pretende suspender a imigração de "regiões propensas ao terrorismo". Os controles de segurança para imigrantes, de um modo geral, deverão ser mais severos. Trump também chegou a defender que muçulmanos sejam proibidos de entrar no país.

México

"Se não temos uma fronteira, não temos um Estado", disse Trump em um vídeo de campanha. Ele comparou as instalações fronteiriças a um queijo suíço. Diversas vezes, Trump anunciou que iria construir na fronteira sul do país um muro para impedir a entrada de imigrantes ilegais e o tráfico de drogas. E o México deveria reembolsar os EUA pelo custo do muro.

Otan

Durante a campanha eleitoral, Trump repetidamente fez críticas à Otan e questionou, entre outras coisas, o motivo de os EUA sempre terem que assumir papel de liderança. Em uma entrevista ao New York Times, ele afirmou que alguns membros da Otan não estariam pagando suas contribuições. Quando questionada se os EUA iriam ajudar militarmente os países-membros da organização – como é obrigação contratual –, Trump disse que "se eles cumprirem suas obrigações em relação a nós, então a resposta é sim".

Clima

No primeiro debate de TV com Hillary Clinton, Trump afirmou que ele nunca disse considerar a mudança climática uma invenção dos chineses. Um de seus tweets de 2012 prova o contrário.

Repetidamente, Trump chamou o aquecimento global de fraude. Para "proteger os trabalhadores americanos", Trump quer, de acordo com o seu plano de cem dias, cortar bilhões em pagamentos a programas de mudança climática das Nações Unidas e usar o dinheiro, em vez disso, em programas de infraestrutura ambiental e hidráulica em seu próprio país. Em maio, ele havia anunciado planos para sair do Acordo do Clima de Paris, o que legalmente não deve ser algo tão fácil.

Executivo e Legislativo

Em seu primeiro dia como presidente, Trump quer anular cada um dos decretos "inconstitucionais" de Barack Obama. Também tem a intenção de congelar o número de funcionários públicos e sugeriu a limitação do mandato de membros do Congresso.

Energia

Acompanhando sua abordagem sobre o clima, ele quer aprovar projetos energéticos "indispensáveis", como o controverso oleoduto Keystone. Obama havia rejeitado o projeto, devido a preocupações com a proteção climática. Além disso, ele quer suspender restrições, para que as reservas do país de petróleo, gás natural, xisto e carvão sejam exploradas e, assim, novos empregos sejam criados.

Impostos

Trump quer alcançar um crescimento econômico de 4% ao ano e criar ao menos 25 milhões de novos postos de trabalho. Isso deve ser obtido, entre outras coisas, através de reduções de impostos. Os impostos corporativos devem ser reduzidos de 35% para 15% para encorajar mais empresas a permanecerem nos Estados Unidos. O imposto de renda deve ser limitado a 33% para pessoas com rendimentos elevados, e trabalhadores com baixos salários devem, em parte, ficar isentos. Uma família de classe média com dois filhos terá que pagar 35% menos impostos. Os americanos mais ricos, segundo levantamento da revista Forbes, vão economizar anualmente 275 mil dólares em impostos, e os mais pobres, 128 dólares.

Seguro de saúde

Várias vezes, Trump anunciou que iria abolir um dos pontos mais importantes da gestão de Obama: o seguro de saúde que recebeu seu nome, o ObamaCare, o substituindo por um sistema próprio.Aborto

Em março, Trump afirmou que o aborto deveria ser ilegal e que mulheres ou médicos deveriam "de alguma forma" ser punidos. Sua campanha afirmou mais tarde que apenas aqueles que realizam um aborto ilegal deveriam ser punidos, mas não as mulheres. Ele pretende cortar fundos da Planned Parenthood – organização de saúde que também opera, entre outras, clínicas de aborto – e quer permitir abortos somente em casos excepcionais. Essas exceções seriam estupro, incesto e perigo para a vida da mãe. Ele também quer nomear juízes para a Suprema Corte que sejam contra o aborto.

Armas

A Segunda Emenda da Constituição é sagrada para Trump. O texto protege o direito à posse de armas. "Se eu for presidente vocês podem contar cem por cento com isso [a proteção do direito]", disse Trump num vídeo de campanha.

Processos judiciais contra adversários

No segundo debate televisivo, Trump ameaçou levar Hillary à prisão pelo caso dos seus e-mails. "Se eu ganhar, vou instruir meu procurador-geral para que um promotor especial lide com sua situação", disse a ela.

Durante seu discurso sobre o plano de cem dias, ele também anunciou que vai processar as mulheres que foram a público o acusando de assédio sexual. Ele as chamou de mentirosas.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

May garante a Juncker que mantém desejo de iniciar "Brexit" até Março

Fonte Público | 04/11/16


Primeira-ministra britânica falou com o presidente da Comissão Europeia no dia seguinte à deliberação do Tribunal Superior que considera que o Parlamento terá de apreciar termos de saída da União Europeia. Deputado conservador apresentou demissão.

A primeira-ministra britânica, Theresa May, quer manter o rumo que traçou para conduzir o processo de saída do Reino Unido da União Europeia, independentemente da deliberação do Tribunal Superior que considerou que o Governo tem de esperar pelo aval do Parlamento para accionar o artigo 50 do Tratado da União Europeia. É esta a mensagem que May vai fazer passar já esta sexta-feira, numa conversa com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

O grande objectivo da primeira-ministra é assegurar a Juncker que o calendário fixado por Londres vai ser cumprido – accionar o artigo 50 até ao final de Março do próximo ano. A partir daí, abre-se uma janela temporal de dois anos para negociar a futura relação do Reino Unido com a UE após esse período. “Prevemos ainda invocar o artigo 50 até ao fim de Março”, assegurou à AFP um porta-voz de May.

Mas os desejos de Downing Street arriscam-se a bater de frente contra a realidade. O Governo britânico reagiu de imediato à sentença do Tribunal Superior, garantindo que vai recorrer da decisão para o Supremo Tribunal. Mas caso o sentido da decisão se mantenha, os deputados britânicos serão mesmo chamados a pronunciar-se sobre os termos do “Brexit”.

A decisão do Tribunal Superior fez a primeira "baixa" nas fileiras dos conservadores. O deputado Stephen Phillips apresentou esta sexta-feira devido a "diferenças significativas acerca de políticas com o actual Governo".

Neste momento, ninguém sabe que tipo de papel será desempenhado pelo Parlamento britânico nessa eventualidade. A única certeza parece ser a de que o processo será longo e será praticamente impossível a May cumprir o prazo que ela própria definiu.

Foi isso mesmo que a deputada conservadora na Câmara dos Lordes, Patience Wheatcroft, disse na BBC na manhã desta sexta-feira. Wheatcroft afirmou que “é apenas correcto atrasar a invocação do artigo 50 até termos uma ideia mais clara sobre o que de realmente consiste”.

A imprensa tablóide – partidária do “Brexit” desde a primeira hora – criticou duramente a deliberação dos juízes do Tribunal Superior. “Inimigos do povo” é a manchete do Daily Mail que aparece com uma fotografia dos três juízes. O Sun optou por um jogo de palavras com o título “Quem pensam que são?” (Who do EU think you are?) e até o normalmente mais contido Daily Telegraph escolheu para manchete uma frase sensacionalista: “Os juízes contra o povo”.

Presidente sul-coreana aceita ser investigada em escândalo político

Fonte G1 | 04/11/16

Nunca um chefe de Estado foi investigado pela Promotoria na Coreia do Sul.
Pesquisa mostra que 5% aprovam e 89% desaprovam Park Geun-Hye.

A presidente sul-coreana, Park Geun-Hye, envolvida em um escândalo político pela influência de uma amiga nas decisões do governo, aceitou nesta sexta-feira (4) ser investigada por um promotor.

"Farei tudo o que puder para cooperar no que for necessário. Aceitarei uma investigação", afirmou a chefe do Executivo sul-coreano, em um pronunciamento transmitido pelas principais emissoras do país, após dez dias de silêncio em meio ao maior escândalo político dos últimos anos.

Nunca um chefe de Estado da Coreia do Sul país foi investigado pela Promotoria desde a fundação do país, em 1948.

Park Geun-hye se recusou a oferecer explicações detalhadas sobre seu envolvimento, mas pediu "suas mais sinceras desculpas" aos cidadãos da Coreia do Sul.

Nos últimos dias, a presidente substituiu o primeiro-ministro, seu chefe de gabinete e três secretários, em uma tentativa de responder a enorme polêmica gerada no país pelo caso "Choi Soon-sil". Diversos protestos têm pedido a sua saída do governo.

Uma pesquisa de opinião divulgada nesta sexta mostra que a taxa de aprovação da presidente caiu para apenas 5%. Já 89% desaprovam a performance de Geun-hye. É a pior avaliação da história para um(a) presidente da Coreia do Sul.

Na quinta, promotores prenderam uma ajudante da presidente, Jeong Ho-seong, considerada uma figura central no escândalo. Ela é suspeita de vazar documentos confidenciais a Choi Soon-sil.

O escândalo

Choi Soon-sil, de 60 anos, é uma amiga íntima de Park e está sendo investigada por supostamente ter se apropriado de dinheiro público e influenciar na política do país, apesar de não possuir nenhum cargo público.

Ela é suspeita de ter se aproveitado de seus contatos na presidência para extorquir os principais conglomerados econômicos do país, como a Samsung --que teria destinado importantes somas de dinheiro a fundações criadas pela amiga da presidente.

Ela também é suspeita de interferir em questões de estado, incluindo a nomeação de altos funcionários. Na quinta, um tribunal de Seul emitiu um mandado de prisão contra ela por fraude e abuso de poder.

O escândalo abalou a confiança no governo de Park, que ainda tem mais de um ano de mandato, e levou milhares de manifestantes às ruas. A oposição critica Park e parte exige sua demissão --o que exigiria eleições antecipadas, de resultado incerto.

Casa Azul

No discurso, a presidente conservadora negou ter caído nas mãos de uma seita e de ter realizado rituais na a residência presidencial, a Casa Azul, como afirmam vários jornais.

"Tem havido boatos de que entrei para uma seita e que celebraram rituais na Casa Azul, mas quero deixar claro que nada disto é verdade", afirmou Park em um emotivo discurso. "Se for preciso, quero responder sinceramente às investigações da Promotoria".

"Os últimos acontecimentos são culpa minha e foram provocados pela minha falta de atenção", declarou Geun-Hye, admitindo que "baixou a guarda" com Choi. "Não posso me perdoar (...) e é difícil dormir à noite".

Choi Soon-sil é filha do falecido líder de uma seita religiosa que foi mentor de Park há décadas, por isso começou a ser espalhado no país que rumores que a presidente estava sendo influenciada pelo xamanismo, uma religião ancestral e ainda existente na Coreia do Sul. "Os rumores sobre seitas e xamanismo não são verdadeiros. Quero deixar isso claro", afirmou Park.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Novo secretário-geral da ONU defende reforma do Conselho de Segurança

Fonte El País | 01/02/11

Mudanças na estrutura é o principal pleito do Brasil dentro da instituição internacional

O Brasil pode ter ganhado um forte aliado para o seu principal pleito diante da Organização das Nações Unidas, a reforma de seu Conselho de Segurança. A dois meses de assumir o cargo de secretário-geral da ONU, o português Antonio Guterres afirmou nesta segunda-feira que é a favor da mudança no grupo responsável pelas principais decisões da entidade.

“As Nações Unidas precisam, em muitos aspectos, de reformas de maneira que seja uma organização mais eficaz. Para que seja mais ligada aos tempos de hoje, e não aos tempos que corresponderam à sua formação”, afirmou Guterres durante a abertura da Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, em Brasília.

Atualmente, o Brasil forma, ao lado da Alemanha, do Japão e da Índia, o G4, grupo que defende uma ampliação do conselho com o objetivo de contemplar as potências regionais ao colegiado. O Conselho de Segurança — composto permanentemente por Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido — tem o poder, por exemplo, de autorizar ou não intervenção em áreas de conflitos ou até mesmo elaborar comunicados conjuntos condenando atitudes de alguns países.

Para defender seu ponto de vista, Guterres recorreu ao posicionamento de um antigo secretário-geral da ONU, o ganês Kofi Annan. “Como disse Kofi Annan, não haverá uma reforma das Nações Unidas mais completa enquanto o próprio conselho de segurança não se reformar. É evidente que esta é uma responsabilidade essencial dos Estados-membros”.

Ex-premiê de Portugal, eleito para chefiar a ONU no último dia 13, Guterres disse que será um facilitador do debate sobre reformas nas Nações Unidas, mas não disse claramente se gostaria de ver o Brasil dentro do Conselho de Segurança.

As discussões sobre a reforma do conselho iniciaram ainda na década de 1990 e ganharam força em 2004, quando representantes do G4 formalizaram esse pleito. Na concepção desses países, a atual formação do colegiado não reflete a realidade geopolítica. Quando foi criado, logo após a Segunda Guerra Mundial, o conselho (incluindo membros permanentes e rotativos) representava 22% dos Estados-membros da ONU. Hoje, representa menos de 8%.

Em Brasília, Guterres também participou de um encontro com o presidente brasileiro, Michel Temer, e disse que o Brasil pode cumprir um papel de mediador global em um momento que as potências perderam a capacidade de prevenir conflitos.

“A comunidade internacional perdeu grande parte de sua capacidade em matéria de prevenção e resolução de conflitos. E uma das razões para isso é o fato das relações de poder serem cada vez menos claras e, portanto, é cada vez mais difícil de se criar uma ordem internacional organizada”, afirmou.

ONU acusa oposição síria de ignorar normas de direito humanitário

Fonte Sputinik | 02/11/16

A ONU acusou a oposição síria de ter assassinado dezenas de civis em Aleppo.

Stephané Dujjaric, porta-voz do secretário-geral da ONU, acusou a oposição na Síria de violar as normas de direito internacional humanitário em Aleppo.

De acordo com o escritório do Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU, durante o fim de semana no oeste de Aleppo, zona controlada pelas forças governamentais, na sequência de bombardeios intensos de artilharia realizados pela oposição armada, morreram mais de 30 civis e dezenas resultaram feridas.

"Uma tão grande quantidade de vítimas indica que os grupos armados da oposição não cumprem a proibição fundamental do direito humanitário internacional sobre ataques indiscriminados e os princípios da precaução e da proporcionalidade", afirmou Dujjaric.

Anteriormente, o comando do exército sírio havia afirmado que extremistas da Frente al-Nusra (grupo terrorista proibida na Rússia) e seus aliados intensificaram a ofensiva contra Aleppo aproveitando assim do cessar-fogo anunciado.

Os militares sírios também informaram que no fim de semana foram mortas 84 pessoas e mais de 280 ficaram feridas devido aos ataques dos extremistas em Aleppo.