sexta-feira, 29 de abril de 2016

EUA: ataque a hospital do Afeganistão não é crime de guerra

Fonte portal Terra | 29/04/16

Joseph L. Votel
Joseph L. Votel / Foto Getty Images

O Pentágono afirmou nesta sexta-feira que o bombardeio a um hospital da organização Médicos sem Fronteiras (MSF) no Afeganistão em outubro de 2015 não é um crime de guerra porque "não foi deliberado", e confirmou as sanções leves a 16 militares, ao apresentar a investigação oficial do ataque que deixou 42 mortos.

"O ataque não foi deliberado (...). Foi consequência de uma combinação de erros humanos e técnicos", afirmou o general Joseph L. Votel, que dirige o Comando Central a cargo das operações no Oriente Médio, em entrevista coletiva.

Votel reconheceu que o hospital estava na lista de alvos "a não bombardear", mas disse que a tripulação "não teve acesso" a essa informação durante o ataque "em uma situação de combate extremamente intensa" contra os talibãs.

De acordo com o relatório, a tripulação do avião com armamento pesado AC-130 confundiu o hospital da MSF contra o qual estavam disparando com uma posição de talibãs que estava a 400 metros.

Votel confirmou as sanções leves a 16 militares, entre os quais estão um general de duas estrelas, a tripulação do avião que participou da operação, e forças especiais do Exército dos EUA

Um dos oficiais foi suspenso de seu posto de comando e retirado do Afeganistão, enquanto o resto recebeu sanções menores, como cartas de reprimenda e volta a cursos de treinamento.

A Médicos sem Fronteiras qualificou o ataque como "brutal" e exigiu uma investigação independente, algo a que os EUA se negaram.

A investigação se centrou nos motivos pelos quais o avião AC-130 realizou diversos ataques aéreos sobre o hospital, apesar das ligações da ONG para funcionários americanos em Cabul e Washington para que parassem com o bombardeio.

Votel disse que demoraram "alguns momentos" para que estas ligações passassem os diferentes filtros da cadeia de comando até que chegassem aos oficiais encarregados da operação e pudessem comunicar o erro aos militares no terreno para que parassem o ataque.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Coreia do Norte prepara Congresso que pode mudar rumo econômico do país

Fonte portal Terra | 28/04/16

A Coreia do Norte vive imersa nos preparativos do VII Congresso do Partido dos Trabalhadores, o primeiro a ser realizado em 36 anos, e que será realizado em 6 de maio, um acontecimento político que pode mudar o rumo econômico da fechada ditadura.

Em intenso isolamento internacional, o regime de Kim Jong-un pode anunciar um novo plano de desenvolvimento econômico e inclusive começar a formalizar um sistema de mercado.

No começo da manhã é possível ver no centro de Pyongyang bandas e grupos de meninas uniformizadas com bandeiras vermelhas que entretêm os cidadãos a caminho ao trabalho.

Desde 27 de fevereiro, os norte-coreanos não folgaram nenhum dia e tiveram que fazer horas extras para aumentar a produtividade para o grande Congresso que será realizado no início de maio.

Trata-se da chamada "campanha dos 70 dias" iniciada por Kim Jong-un sob o lema "Triunfaremos", que ocorre em meio a um longo momento de tensão no qual foram impostas duras sanções ao regime devido aos últimos testes nucleares e de mísseis.

"O objetivo é dar peso político ao Congresso. Envolver a população em uma campanha que cria unidade ideológica ao redor do regime com as mudanças que serão adotadas", explicou Chang Yong-seok, pesquisador da Universidade Nacional de Seul.

Na monumental praça de Kim Il-sung de Pyongyang, palco dos grandes desfiles militares do regime, centenas de pessoas ensaiam perfeitamente organizadas todos os dias, de manhã até a noite.

Os preparativos são para uma grande marcha com tochas que ocorrerá na capital durante o Congresso, que gera expectativa por toda a cidade.

No último Congresso, celebrado em 1980, o então líder e fundador da pátria, Kim Il-sung, anunciou que o filho Kim Jong-il o sucederia no poder, o que iniciou a primeira dinastia comunista da história.

Os encontros anteriores serviram, na maioria das vezes, para anunciar novos planos econômicos e iniciativas políticas, além de introduzir mudanças na estrutura do partido.

"Desta vez, o Congresso vai ser focado na economia. A consolidação política e militar são um fato. Agora falta fazer frente à economia do país", revelou um funcionário do Ministério das Relações Exteriores norte-coreano.

Analistas políticos afirmam que o Partido dos Trabalhadores, órgão encarregado de definir as políticas do Estado e um dos dois pilares do regime junto com o Exército Popular, pode aprovar um novo plano de desenvolvimento econômico.

"Dadas as duras condições exteriores, o objetivo será aumentar a produtividade através de medidas como o desenvolvimento tecnológico, uma reforma da educação e novos projetos agrícolas", detalhou Chang, analista do Instituto de Estudos para a Paz e a Unificação.

Outros vão além e acreditam que as medidas pode ser mais revolucionárias, como William Brown, professor de estudos estrangeiros da Universidade de Georgetown em Washington.

"Sendo otimista, poderia se formalizar um legítimo sistema de mercado, mudar a cotação de divisas e atualizar os preços e salários para refletir a realidade do país", comentou o professor ao jornal "Korean Times".

A Coreia do Norte não enfrenta apenas o desafio econômico do isolamento, pela primeira vez um alto número de norte-coreanos conta com poder aquisitivo e inclusive o demonstra de maneira ostentosa. Já se pode falar de uma classe média emergente.

O país vive o que alguns analistas consideram um "capitalismo camuflado" onde surgiram oportunidades econômicas, como novas licenças para negócios vinculados ao governo, inclusive de exportação, e mais autonomia de gestão nos setores industrial e agrícola.

Essas mudanças são evidentes na capital, onde cada vez mais habitantes, e não só as elites políticas, podem comer em pizzarias modernas e restaurantes de comida japonesa, pegar táxis, comprar óculos de sol de última moda e produtos estrangeiros com dólares ou euros.

O Congresso do Partido dos Trabalhadores é realizado em um momento no qual alguns jovens reconhecem, sem dar muita importância, que deixaram de sonhar em ser militares ou funcionários públicos e que preferem ser "empresários".

Oposição conseguiu assinaturas para referendo contra Maduro

Fonte revista Exame | 28/04/16

A coalizão opositora da Venezuela afirmou nesta quinta-feira que coletou mais que o triplo das assinaturas exigidas para o processo de referendo revogatório do mandato do presidente Nicolás Maduro.

O primeiro-vice-presidente da Assembleia Nacional, deputado Enrique Márquez, disse que, segundo os registros preliminares, a oposição obteve na véspera mais de 600 mil assinaturas na primeira jornada nacional de coleta de nomes.

O número representa mais que o triplo do exigido pelas autoridades eleitorais para avançar no processo de votação popular contra Maduro.

Márquez disse à emissora local Unión Radio que a oposição ampliará durante a quinta-feira a coleta de assinaturas para fortalecer seus registros.

A oposição diz que o grande número de assinaturas reflete o crescente descontentamento com o governo, diante da inflação fora do controle, de grandes problemas de abastecimento de alimentos e remédios e de uma complexa crise elétrica, que obrigou nesta semana as autoridades a impor cortes de luz em 19 dos 24 Estados do país e gerou protestos em algumas cidades.

O Conselho Nacional Eleitoral exigiu que a aliança opositora obtivesse as assinaturas de 1% (197.978) do total do colégio eleitoral nacional, para avançar nos trâmites do processo.

Caso as autoridades eleitorais validem as assinaturas, a oposição poderia passar para outra fase, que implica a coleta de quase 4 milhões de assinaturas para garantir formalmente o referendo.

A coalizão oposicionista espera no início da próxima semana que o Conselho Nacional Eleitoral valide as assinaturas, a fim de caminhar para garantir nos próximos meses o referendo contra Maduro, que alcançou neste ano a metade de seu mandato de seis anos.

Na véspera, o presidente minimizou o movimento e disse que o movimento governista seguirá no poder pelo menos até 2018.

A coalizão opositora decidiu em março trabalhar simultaneamente pelo referendo revogatório e por uma emenda para acelerar o fim do governo de Maduro.

A Constituição prevê que a votação possa ocorrer assim que a autoridade eleita atinja a metade de seu mandato previsto.

Na semana passada, a maioria opositora do Congresso aprovou em primeira discussão um projeto de emenda constitucional que prevê a redução do mandato presidencial de seis para quatro anos e o fim da reeleição indefinida.

A iniciativa deve ser submetida nos próximos dias a um segundo debate, para sua aprovação final.

O Tribunal Supremo de Justiça, porém, afirmou nesta semana que o mandato de Maduro não será afetado por qualquer emenda constitucional.

Sem candidato a chefe de Governo, Espanha terá novas eleições

Fonte Jornal Floripa | 28/04/16

O rei Felipe VI da Espanha comunicou nesta terça-feira (26) ao Parlamento que, na falta de um candidato a chefe de Governo com apoio da maioria dos deputados, não fará uma nova indicação. Assim, será necessário dissolver as câmaras e convocar novas eleições legislativas, seis meses depois das já realizadas.

“O rei comunicou ao senhor presidente do Congresso, Don Patxi López Álvarez, que não formula uma proposta de candidato à presidência do governo”, informou a Casa Real em um comunicado, referindo-se ao artigo da Constituição que estabelece que, neste caso, devem ser realizadas novas eleições.

O comunicado foi feito após o fracasso de uma proposta de última hora para formar um governo de coalizão de esquerdas que sucedesse o do primeiro-ministro conservador Mariano Rajoy.

Após dois dias de intensas conversas com líderes políticos, o rei Felipe VI constatou que nenhum candidato tinha apoio suficiente para ser empossado por um Parlamento fragmentado.

As câmaras serão dissolvidas no dia 3 de maio e novas legislativas serão convocadas, explicou o presidente do Congresso, Patxi López, após uma reunião com o monarca. As eleições estão previstas para acontecer no dia 26 de junho, conforme preveem os prazos constitucionais.

“Não posso nem devo me submeter a uma nova tentativa de posse” por falta de apoio, reconheceu pouco antes o líder socialista Pedro Sánchez (PSOE), que já tinha fracassado em março na sua tentativa de ser eleito líder do governo.

“Era evidente que, para constituir um governo, seria necessário fazer acordos, esse era o mandato das urnas”, destacou Rajoy que, apesar de liderar o partido mais votado nas últimas eleições, também não conseguiu atrair aliados.

Tentativas frustadas

A Espanha, bloqueada politicamente há quatro meses após tentativas frustradas de negociação entre os partidos para formar um governo, viveu nesta terça-feira durante algumas horas a esperança de evitar as novas eleições, que prolongarão a falta de um executivo por pelo menos mais três meses.

O partido nacionalista valenciano Compromís anunciou durante a manhã que estaria disposto a negociar um governo de coalizão de esquerda com os socialistas do PSOE, o partido radical Podemos e a coalizão comunista Izquierda Unida.

Apesar de terem aceitado a maioria dos pontos do acordo, os socialistas exigiram que o novo governo fosse composto por personalidades “independentes” e liderado por Pedro Sánchez. As condições, contrárias à proposta inicial de formar um governo de coalizão, foram rejeitadas pelos demais partidos.

É “absolutamente inaceitável do ponto de vista do senso comum”, respondeu o líder do Compromís, Joan Baldoví. “O PSOE não pode pretender conseguir nossos votos gratuitamente”, acrescentou.

Mudança no Parlamento

As últimas eleições, realizadas em dezembro, foram consideradas históricas pela entrada no legislativo de dois partidos emergentes – Podemos e Ciudadanos – que simbolizavam a esperança da mudança.

Na ocasião, o Partido Popular, de Rajoy, foi o mais votado, mas sem a maioria absoluta de deputados que tinha conseguido eleger em 2011. Sem aliados, o líder conservador renunciou à tentativa de ser empossado pelo novo parlamento.

A missão foi então passada ao socialista Sanchéz, que não conseguiu obter os votos suficientes para ser empossado.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Após 30 anos, desastre de Chernobyl continua atual

Fonte Jornal do Brasil | 22/04/16

Maior desastre nuclear ocorreu em 26 de abril de 1986

No dia 26 de abril de 1986, o reator número quatro na central da usina nuclear de Chernobyl explodiu provocando o maior desastre nuclear da história. Durante a madrugada daquele dia, uma enorme bola de fogo destruiu o teto do edifício de 500 toneladas e liberou no ar 9 toneladas de partículas radioativas.

Há 30 anos do acidente na antiga União Soviética, agora Ucrânia, após o terror e a desinformação iniciais, as consequências do desastre ainda existem e são acompanhadas por preocupações.

"As áreas contaminadas continuarão dessa forma por pelo menos décadas. Existem elementos químicos que resistem por séculos, mas a coisa mais importante é que devemos estar de olho no desenvolvimento das [usinas] nucleares", disse Valery Makarenko, presidente da União Chernobyl, organização com sede em Kiev, na Ucrânia, que ajuda os sobreviventes do desastre.

"Parece que o mundo ainda não leva a sério as consequências de Chernobyl já que, 25 anos depois, aconteceu a catástrofe de Fukushima", afirmou o ucraniano, que foi o primeiro repórter a cobrir a explosão do reator em 1986.

Além dos perigos da energia nuclear e dos possíveis acidentes que podem ocorrer em sua decorrência, o jornalista também falou sobre os liquidadores, os operários, bombeiros, militares e voluntários que se ofereceram a apagar o fogo, a conter os danos e estragos da explosão e a construir o "sarcófago", estrutura de cimento armado que tinha como objetivo cobrir o reator e assim conter a radiação liberada no acidente.

"Dos 350 mil liquidadores ucranianos apenas 120 mil estão vivos. Eles pagaram um preço altíssimo [para ajudar] e ainda o pagam", explicou Makarenko, ressaltando que os que não faleceram naquele ano ou até os dias de hoje, continuam sofrendo com as consequências daquela madrugada devido a doenças, principalmente o câncer.

As vítimas de Chernobyl são difíceis de serem quantificadas e as estimativas variam de alguns milhares a centenas de milhares. Além disso, a desinformação oferecida pela União Soviética na época e a falsa promessa de que o desastre não era tão grave também ajudaram no aumento das mortes.

É o caso de Pripyat, cidade modelo construída para trabalhadores da central localizada a 5 quilômetros da usina. O município que antigamente tinha em torno de 45 mil habitantes, e que agora é fantasma, teve seus moradores evacuados apenas no dia 27 de abril, quando centenas de ônibus levaram as pessoas para locais mais seguros.

Muitos desses habitantes não entendiam a gravidade do acontecimento e acreditavam que voltariam para suas casas em pouco tempo. Entre eles estava a ucraniana Svetlana Nazarenko, que era engenheira na central. "Não entendíamos que estávamos deixando a cidade para sempre por que nos diziam que era só por três dias", disse ela.

Seu marido, Petro, que morreu há 16 anos por causa de um tumor, também acreditava que voltaria a trabalhar na usina em breve já que ela "só seria fechada em 2000", contou a ucraniana. (ANSA)

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Povo brasileiro saberá impedir qualquer retrocesso, diz Dilma na ONU

Fonte agência Brasil | 22/04/16

Nova Iorque - EUA, 22/04/2016. Presidente Dilma Rousseff durante sessão de abertura da cerimônia de assinatura do acordo de Paris (Roberto Stuckert Filho/PR)
Presidente Dilma Rousseff durante sessão de abertura da cerimônia de assinatura do acordo de Paris, na sede da ONU, em Nova YorkRoberto Stuckert Filho/PR
A presidenta Dilma Rousseff discursou na manhã de hoje (22) na sessão de abertura da cerimônia de assinatura do Acordo de Paris, na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Dilma Rousseff mencionou a crise política que vive o Brasil. Dilma disse que a sociedade brasileira soube vencer o autoritarismo, construir a democracia e saberá impedir retrocessos.

“Não posso terminar minhas palavras sem mencionar o grave momento que vive o Brasil. A despeito disso, quero dizer que o Brasil é um grande país com uma sociedade que soube vencer o autoritarismo e construir uma punjante democracia. Nosso povo é um povo trabalhador e com grande apreço pela liberdade. Saberá, não tenho dúvidas, impedir qualquer retrocesso. Sou grata a todos os líderes que expressaram a mim sua solidariedade”, disse no encerramento do discurso.

Acordo de Paris

O presidente da França, François Hollande, foi o primeiro chefe de Estado a discursar hoje (22) na sessão.

Representantes de cerca de 160 países assinam o acordo de Paris, que visa a combater os efeitos das mudanças climáticas e reduzir as emissões de gases de efeito estufa. A cerimônia de assinatura do documento, fechado em dezembro de 2015, depois de difíceis negociações entre 195 países e a União Europeia, ocorre na sede da ONU, no Dia Mundial da Terra.

Para entrar em vigor em 2020, o acordo, no entanto, só se concretizará quando for ratificado por 55 nações responsáveis por, pelo menos, 55% das emissões de gases de efeito de estufa.

Depois da adoção do texto em Paris, ainda é necessária a assinatura do acordo, até fim de abril de 2017, seguida da ratificação nacional, conforme as regras de cada país, podendo ser por meio de votação no parlamento ou de decreto-lei, por exemplo.

Síria recebe o maior comboio de ajuda humanitária desde o início da guerra

Fonte portal Terra | 21/04/16

O maior comboio de ajuda humanitária enviado para a Síria desde o início da guerra civil, em 2011, chegou hoje (21) a Rastane, cidade rebelde cercada pelas forças governamentais, segundo informou o Comitê Internacional da Cruz Vermelha.

Organizado pela Cruz Vermelha Internacional e pelo Crescente Vermelho, o comboio, composto por 65 veículos, levou kits de alimentos, medicamentos e equipamentos médicos.

Rastane, onde estão cerca de 120 mil pessoas, está situada no centro da Síria e sitiada pelas forças governamentais desde 2012. A última vez que a cidade recebeu ajuda humanitária foi em 2012.

“Este foi o maior comboio humanitário que organizamos até agora para a Síria”, disse, em Damasco, Pawel Krysiek, porta-voz da Cruz Vermelha Internacional. O mediador da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Síria, Staffan de Mistura, disse hoje que houve um progresso “modesto, mas real” na entrega de ajuda humanitária.

Segundo Staffan, mais de 560 mil pessoas presas em áreas sitiadas ou remotas receberam ajuda desde o início do ano, incluindo mais de 100 mil nas últimas duas semanas.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Ministro espanhol da Indústria demite-se na sequência dos Panama Papers

Fonte RTP Notícias | 15/04/16

Ministro espanhol da Indústria demite-se na sequência dos Panama Papers

O anúncio foi feito esta sexta-feira em comunicado. José Manuel Soria é um dos nomes que aparece nos documentos do Panamá. Depois de na véspera terem sido conhecidos novos dados sobre a sua alegada participação em empresas de paraísos fiscais, José Manuel Soria demitiu-se dos cargos de ministro, deputado e presidente do Partido Popular da sua região.

Transmiti a decisão irrevogável de apresentar a demissão”, escreveu o ministro cessante, depois de uma conversa com o presidente do Governo espanhol e “tendo em conta o dano evidente que esta situação causa ao Governo e ao Partido Popular” de Mariano Rajoy. 

No comunicado, José Manuel Soria assume erros. 

"À luz da sucessão de erros cometidos ao longo dos últimos dias, em relação às minhas explicações das atividades empresariais anteriores à minha entrada na política em 1995, devidos à falta de informação precisa sobre fatos que ocorreram há mais de vinte anos; sem prejuízo de que nenhuma dessas atividades empresariais teve qualquer relação ou vínculo com o exercício de responsabilidades políticas" - excertos da declaração que justifica a demissão. 

“A política é uma atividade que deve ser a todo o momento exemplar também na pedagogia e nas explicações. Quando isso não acontece, devem assumir-se as responsabilidades correspondentes”, afirma Soria. 

Soria era ministro da Indústria, Energia e Turismo desde 21 de dezembro de 2015.

Soria e os Panama Papers

O ministro deveria ir ao Parlamento espanhol no início da próxima semana para prestar esclarecimentos sobre o seu alegado envolvimento numa firma offshore nas Bahamas, revelada no início da semana pela investigação jornalística Panama Papers, que na Espanha tem sido apresentada pelas publicações El Confidencial e La Sexta.

O ministro tinha negado qualquer relação com esta empresa ou com qualquer outra companhia num paraíso fiscal. Ontem, no entanto, a comunicação social espanhola dava conta do seu alegado envolvimento numa outra empresa em offshore, com base na ilha de Jersey, até 2002, altura em que ainda era alcaide de Las Palmas. Revelações que deixaram o ministro numa situação limite.

O ministro ficou contra as cordas, até porque tanto Soria como o próprio PP tinham vindo a reclamar que não estava presente em nenhuma companhia opaca, como refere o espanhol El Pais.

Nesta última semana, o ministro foi tropeçando de explicação em explicação, entrecortadas por novos dados apresentados pela comunicação social que iam, alegadamente, contrariando as suas afirmações. 

De início afirmou categoricamente: “É completamente falso que tenha tido qualquer relação com qualquer companhia ou negócio baseado no Panamá, nas Bahamas ou em qualquer outro paraíso fiscal”.

Argumentou sempre com “erros” nas informações apresentadas. 

José Manuel Soria é o segundo governante a abandonar funções na sequência do escândalo dos Panama Papers. No início do mês, o primeiro-ministro da Islândia apresentou a demissão depois de revelados documentos sobre a sua participação numa empresa offshore.a Indústria demite-se na sequência dos Panama Papers
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terça-feira, 12 de abril de 2016

Rejeição do Supremo da Venezuela a lei de anistia decepciona, diz ONU

Fonte G1 | 12/04/16

'Não gostaríamos de acreditar que isso é o fim do caminho', diz porta-voz.
Impasse político no país se agravou com maioria da oposição no Parlamento.

O fato de o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela ter rejeitado uma lei de anistia que poderia conceder libertação a ativistas de oposição na prisão foi muito decepcionante, já que poderia ter representado um passo rumo à reconciliação, disse uma porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (Acnudh) nesta terça-feira (12).

O país-membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) está mergulhado em um impasse político que se agravou desde que uma coalizão opositora obteve o controle da Assembleia Nacional em uma votação em dezembro e prometeu buscar a saída do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, ainda este ano.

Maduro, por sua vez, havia prometido vetar a lei de anistia, que seus opositores disseram poder beneficiar adversários governamentais de peso, como Leopoldo López, preso em 2014 por acusações de ter ajudado a incitar uma onda de manifestações que deixaram mais de 40 mortos.

"É um desdobramento muito, muito decepcionante", afirmou Ravina Shamdasani durante um boletim da ONU à imprensa em Genebra. "Não gostaríamos de acreditar que isso é o fim do caminho. Gostaríamos de incentivar todos os lados a explorarem novas rotas para o diálogo".

Ravina disse que o governo venezuelano pediu à ONU uma análise legal da lei, e que esta mostrou que ela se conformava em grande medida aos padrões internacionais.

"Foi um grande passo rumo ao diálogo e à reconciliação", afirmou.

Na segunda-feira, o Tribunal Supremo determinou que a lei viola a Constituição por incentivar a impunidade e conceder anistia a crimes que não estão sujeitos a tal benefício.

A corte vem apoiando Maduro reiteradamente em suas disputas com a legislatura desde a vitória surpreendente da oposição nas eleições do final do ano passado, que lhe concederam uma maioria de dois terços dos assentos.

Líderes opositores acusam Maduro de usar aliados nos tribunais para desprezar a assembleia, observando que os legisladores do governista Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV) nomearam militantes do partido no apagar das luzes da assembleia em fim de mandato no final de 2015.

A ministra das Relações Exteriores da Venezuela, Delcy Rodríguez, disse em comunicado que o apoio da comissão de direito humanos da ONU à lei de anistia "reforça a impunidade da direita da Venezuela para realizar ações insurrecionistas contra o estado de direito".

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Panama Papers: vazamento de milhões de documentos revela paraísos fiscais de ricos e poderosos

Fonte BBC Brasil | 03/04/16
BBC

Um grande volume de documentos confidenciais vazados revelou a forma que algumas das pessoas mais ricas e poderosas do mundo usam paraísos fiscais para ocultar fortunas.

Os 11 milhões de documentos pertecem ao escritório de advocacia panamenho Mossak Fonseca e mostram como a empresa ajudou clientes a evitar sanções e o pagamento de impostos e a lavar dinheiro.

O escritório afirma que opera há 40 anos legalmente e que nunca foi acusado de nenhum crime.

Os documentos mostram ligações com 72 chefes de Estado atualmente no poder ou que já ocuparam o cargo, incluindo ditadores acusados de saquear seus próprios países.

Os dados envolvem pessoas ligadas às famílias e sócios do ex-presidente do Egito Hosni Mubarak, o ex-líder líbio Muammar Gaddafi e o presidente da Síria Bashar al-Assad.

Também levantam a suspeita de haver um esquema de lavagem de diheiro comandado por um banco russo e pessoas muito próximas ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o primeiro-ministro da Islândia, Sigmundur Gunnlaugsson.

Eles foram obtidos pelo jornal alemão Süddeutsche Zeitung e compartilhados com o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, na sigla em inglês).

O programa BBC Panorama está entre as 107 organizações de mídia que vêm analisando os documentos. A BBC não conhece a identidade da fonte que os forneceu.

Gerard Ryle, diretor do ICIJ, diz que os documentos tratam do cotidiano de negócios do Mossack Fonseca nas últimas quatro décadas. "Acredito que o vazamento será o maior golpe que o mundo de empresas offshore já sofreu por conta da dimensão dos documentos", afirmou.

Esse nome é dado a empresas abertas por pessoas e empresas em um país diferente do que se reside, normalmente com condições fiscais mais favoráveis.

Os documentos indicam a existência de 107 empresas offshore ligadas a pessoas envolvidas na Operação Lava Jato, segundo o portal UOL, que integra o ICIJJ. No Brasil, essa prática não é ilegal se tiver sido declarada à Receita Federal.

Os documentos lançam suspeitas sobre as atividades do Bank Rossiya, ao qual a União Europeia e os Estados impuseram sanções após a anexação da Criméia pela Rússia, em 2014. Eles apontam pela primeira vez como o banco opera.

Dinheiro teria sido movimentado por meio de empresas offshore, duas das quais tem como dono um dos amigos mais próximos de Putin. Eles indicam que as companhias Sonnete Overseas, International Media Overseas, Sunbarn and Sandalwood Continental lucraram com transações falsas, serviços de consultoria inexistentes e a compra de ativos suspeitas.

A International Media Overseas e a Sonnette Overseas são de propriedade de do violoncelista Sergei Roldugin, amigo de infância do presidente russo e padrinho da sua filha, Maria. Segundo os documentos, Roldugin faturou milhões de dólares em acordos suspeitos.

Mas documentos das empresas de Roldugin afirmam: "A companhia é uma barreira corporativa criada principalmente para proteger a identidade e confidencialidade do verdadeiro beneficiário da companhia".

Conexão islandesa

Os dados da Mossack Fonseca também mostram que o premiê da Islândia, Sigmundur Gunnlaugsson, tinha um interesse não revelado nos acordos de ajuda financeira fechados com bancos do país.

Gunnlaugsson é acusado de esconder milhões de dólares em investimentos aplicados nestes bancos por meio de empresas offshore. Documentos mostram que ele e sua mulher, Anna Sigurlaug Pálsdóttir, compraram a empresa Wintris em 2007.

Ele não declarou sua participação na empresa quando assumiu como primeiro-ministro em 2009 e vendeu 50% da companhia para sua mulher por US$ 1 (R$ 3,6) oito meses depois.

Uma empresa offshore também foi usada para investir milhões de dólares ganhos com herança, segundo um documento assinado por sua mulher em 2015.

Agora, Gunnlaugsson enfrenta pedidos para que renuncie. O premiê diz que não infringiu nenhuma regra e que ele e Pálsdóttir não se beneficiaram financeiramente das decisões tomadas à frente do cargo.

Protocolos

A Mossack Fonseca diz ter sempre cumprido os protocolos internacionais e tomado as medidas necessárias para garantir que as empresas que auxilia não sejam usadas para evasão fiscal, lavagem de dinheiro, terrorismo financeiro e outros propósitos ilícitos e lamenta qualquer uso indevido de seus serviços.

"Há 40 anos, a Mossack Fonseca opera acima de qualquer suspeita em nosso país e em outras jurisdições onde temos operações. Nossa empresa nunca foi acusada de cometer ou ter conexão com um crime", afirma a companhia.

"Se detectamos uma atividade suspeita ou ato indevido, o relatamos rapidamente às autoridades. Assim como, quando as autoridades nos trazem evdiências de uma possível conduta errada, cooperamos totalmente."

Mossack Fonseca diz que empresas offshore existem em todo o mundo e são usadas para uma série de fins legítimos.

Human Rights denuncia detenções e execuções ilegais na Venezuela

Fonte G1 | 04/04/16

245 pessoas morreram em operações contra o crime, diz ONG.
Organizações denunciam apreensão arbitrária de mais de 14 mil pessoas.

A organização americana Human Rights Watch (HRW) denunciou nesta segunda-feira (4) execuções extrajudiciais e detenções arbitrárias na Venezuela, no âmbito de operações das forças policiais e militares para combater o crime.

Em mais de uma centena de operações contra o crime realizadas desde agosto de 2015, 245 pessoas teriam morrido, segundo números oficiais divulgados pela HRW e pela organização venezuelana Provea no relatório "Poder sem Limites".

Destes, "documentamos 20 casos onde as evidências sugerem que se tratam de execuções extrajudiciais", disse José Miguel Vivanco, diretor para as Américas da organização de direitos humanos.

Funcionários venezuelanos afirmaram que as duas centenas de mortes ocorreram por confrontos entre delinquentes e forças de segurança, durante as operações, realizadas principalmente em zonas populares.

Mas, segundo Vivanco, os relatos de familiares e de testemunhas, além da "enorme desproporcionalidade" entre supostos criminosos e policiais mortos (3), "nos permitem chegar à conclusão de que a versão oficial não é confiável".

"O governo da Venezuela tomou a decisão de enfrentar o crime de uma maneira não democrática", denunciou Rafael Uzcátegui, coordenador geral da Provea, durante uma coletiva de imprensa conjunta em Washington.

Outras violações

O relatório de cerca de 50 páginas informa sobre outras violações dos direitos humanos nestas operações, realizadas no âmbito da Operação de Libertação e Proteção do Povo (OLP), uma iniciativa do governo do presidente Nicolás Maduro para combater a onda de violência e insegurança na Venezuela.

As organizações denunciaram a apreensão arbitrária de mais de 14 mil pessoas, das quais menos de uma centena foi formalmente processada por algum crime.

Principalmente na zona fronteiriça com a Colômbia, 1.700 imigrantes colombianos foram deportados ao seu país: 400 deles tinham status de refugiados ou se declararam vítimas de perseguição de paramilitares.

A HRW e a Provea também verificaram a destruição de 976 casas em quatro estados da Venezuela, sem aviso prévio, depois que as forças de segurança abateram ou detiveram os supostos delinquentes.

"Nunca vimos uma coisa desta natureza nem na Venezuela, nem em nenhum outro local da América Latina", afirmou Vivanco.

O relatório será apresentado nesta segunda-feira durante uma audiência da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), na qual está prevista a presença de representantes do Estado venezuelano.

A Venezuela, um dos países sem conflito bélico mais violentos do mundo, encerrou o ano de 2015 com uma taxa de 58 homicídios por cada 100 mil habitantes (17.778 pessoas mortas), segundo o Ministério Público.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Cientistas avançam na busca do tratamento da Zika

Fonte portal Terra | 01/04/16

Um estudo divulgado nesta quinta-feira (31) revela a estrutura do vírus Zika, um avanço que os pesquisadores da Universidade de Purdue, nos Estados Unidos, acreditam ser crucial para o desenvolvimento de tratamentos e vacinas contra a doença.

Apesar das semelhanças, em particular com a dengue, o Zika parece ter uma estrutura ligeiramente diferente em uma área que, na dengue, facilita a ligação aos anticorpos e aos receptores do hospedeiro.

Para o autor da pesquisa, Richard Kuhn, quaisquer regiões do Zika que sejam únicas no vírus têm o potencial de explicar diferenças na forma como o vírus é transmitido e como se manifesta enquanto doença.

“A estrutura do vírus fornece um mapa que mostra potenciais regiões do vírus que poderão ser alvo de um eventual tratamento, usadas para criar vacinas eficazes ou para melhorar a nossa capacidade de diagnosticar e distinguir a infeção por Zika de outros vírus relacionados”, disse Kuhn, que é também diretor do departamento de Ciências Biológicas da Universidade de Purdue.

Para o cientista, “determinar a estrutura aumenta muito aquilo que se compreende do Zika, um vírus de que tão pouco se sabe, e ilumina as áreas mais promissoras para se investigar a forma a combater a infeção”.

“A maioria dos vírus não invade o sistema nervoso ou o feto em desenvolvimento graças a barreiras sangue-cérebro e à placenta, mas a associação com malformações no desenvolvimento do cérebro de fetos em grávidas infetadas com o Zika sugere que este vírus o faz”, disse Devika Sirohi, que participou na pesquisa.

Reconhecendo que “não é claro como é que o Zika consegue atingir estas células e infetá-las”, Sihori explicou que as diferenças encontradas na estrutura do vírus “podem ser cruciais e justificam mais investigação”.

Os investigadores estudaram um vírus do Zika isolado de um paciente infectado durante a epidemia na Polinésia Francesa e determinaram a estrutura a uma resolução quase atômica, explicou Michael Rossmann, coautor do estudo.

Kuhn e Rossmann estudam os flavivírus, família a que pertence o Zika, há mais de 14 anos. Foram os primeiros a mapear a estrutura de um desses vírus, ao determinar a estrutura da dengue em 2002. Em 2003, foram os primeiros a determinar a estrutura do vírus da febre do Vale do Nilo e são agora os primeiros a fazê-lo com o Zika.

Um surto de Zika afeta atualmente a América do Sul, inclusive o Brasil, país mais afetado e que registou mais de um milhão e meio de casos.

O vírus é transmitido aos seres humanos pela picada do mosquito Aedes aegypti, que existe em 130 países, e na maioria dos casos provoca sintomas gripais benignos.

No entanto, o vírus tem sido associado a casos de microcefalia, doença em que os bebês nascem com o crânio anormalmente pequeno e déficit intelectual, e a casos de Síndroma Guillain-Barré, uma doença neurológica grave.

Na semana passada, o Brasil confirmou 907 casos de microcefalia e 198 de bebês que morreram devido a este problema congênito desde o início do surto.

As autoridades estão investigam se a malformação afeta outros 4.293 bebês com sintomas parecidos.

Santander prevê o fechamento de 13% das agências na Espanha

Fonte Exame | 01/04/16
Agência do banco Santander, em Palma de Mallorca, Espanha
Santander: "Estas medidas implicam um ajuste do número de trabalhadores", afirma, sem apresentar um número
O Banco Santander prevê o fechamento de quase 450 agências na Espanha durante 2016, o que representa 13% de sua rede, informou nesta sexta-feira uma fonte próxima às negociações com os sindicatos.

O Santander, maior banco por capitalização da zona do euro, afirma em uma mensagem interna obtida pela AFP que a medida afetaria especialmente as agências com um a três funcionários.

Também pretende reformar outras 350 unidades e reorganizar os serviços centrais, segundo o e-mail assinado por Rami Aboukhair, diretor do Banco Santander na Espanha.

"Estas medidas implicam um ajuste do número de trabalhadores", afirma, sem apresentar um número.

De acordo com os cálculos do sindicato UGT, a reestruturação pode provocar o fim de quase 3.000 postos de trabalho em um total de 25.000 na Espanha.