quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Maduro envia carta de protesto a governo da Argentina após chanceler denunciar agressão

Fonte Opera Mundi | 15/12/16

Chanceler Delcy Rodríguez disse ter sido agredida ao tentar participar de reunião do Mercosul; Chancelaria argentina afirmou 'não saber de nada'

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, enviou uma carta de protesto ao governo argentino na noite de quarta-feira (14/12) após a chanceler do país, Delcy Rodríguez, afirmar ter sido agredida por seguranças argentinos ao tentar entrar no Ministério das Relações Exteriores e Culto em Buenos Aires, para participar de uma reunião do Mercosul, do qual Caracas está temporariamente suspensa.

“[Rodríguez] Foi jogada no chão às portas da Chancelaria [argentina] e ao entrar foi agredida pelos chefes de segurança do edifício. Emitimos um protesto enérgico e total à covardia do governo argentino contra esta digna jovem mulher que representa a voz do povo de Simón Bolívar”, disse Maduro na quarta.

O mandatário afirmou ter sido um episódio “nunca antes visto” e que a “direita intolerante” passou a recorrer novamente à violência. “Em vez de buscar que o Mercosul se fortaleça como o Mercosul social dos povos, que já havíamos conseguido, impuseram um plano retrógrado de destruição e divisão do Mercosul”, disse ele.

Além de Maduro, o Ministério das Relações Exteriores de Cuba também mostrou solidariedade à chanceler venezuelana nesta quinta-feira (15/12), publicando uma nota de repúdio ao episódio descrito por Rodríguez.

“A agressão física em uma reunião internacional contra representantes oficiais de outros governos, um dos quais, além do mais, é mulher, é injustificável”, afirmou o escritório, que também pediu diálogo e negociação para a Argentina e a Venezuela.

Reunião do Conselho do Mercosul

Na quarta-feira, Delcy Rodríguez afirmou ter sido agredida ao intentar ingressar no Ministério das Relações Exteriores argentino para participar da reunião do Conselho do Mercosul, do qual a Venezuela está temporariamente suspensa, e para a qual Caracas "não estava convidada”, segundo os outros participantes.

“Em nenhuma parte do mundo, nunca, se recebeu a chanceleres com tropas de segurança antiprotesto e se agrediu uma chanceler e sua delegação oficial”, disse Rodríguez, após o incidente.

No mesmo dia, a Argentina assumiu a presidência pro tempore do bloco, após meses de impasse, em que a Venezuela foi impedida de assumir o cargo por não ter supostamente cumprido com os protocolos de adesão ao Mercosul - motivo pelo qual o país foi suspenso do grupo.

Na ocasião, a Venezuela insistiu em assumir a Presidência rotativa mesmo assim e agora diz não reconhecer ter sido suspensa do bloco, afirmando ter cumprido com todas as suas obrigações.

Procurada por Opera Mundi, o Ministério de Relações Exteriores e Culto da Argentina afirmou “não saber de nada e não ter visto nada” com relação às agressões relatadas por Rodríguez e disse, ainda, não ter recebido nenhuma carta do presidente Maduro.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

UE e Cuba assinam primeiro acordo bilateral e bloco põe fim à 'posição comum'

Fonte Rede Brasil Atual | 12/12/16

"Hoje reconhecemos que há mudança em Cuba e queremos acompanhar esta mudança, levar a relação para um novo nível", afirmou a alta representante da UE para as Relações Exteriores, Federica Mogherini

A União Europeia (UE) e Cuba assinaram nesta segunda-feira (12) seu primeiro acordo bilateral, de diálogo político e cooperação, com o qual o bloco põe fim à "posição comum", que impunha uma relação unilateral e restritiva com a ilha desde 1996.

"Hoje reconhecemos que há mudança em Cuba e queremos acompanhar esta mudança, levar a relação para um novo nível", afirmou a alta representante da UE para as Relações Exteriores, Federica Mogherini, na cerimônia de assinatura do documento, que também contou com participação do chanceler cubano, Bruno Rodríguez, e representantes dos 28 países do bloco comunitário europeu.

O acordo "seguramente contribuirá para desenvolver os vínculos políticos, sociais, financeiros, acadêmicos, esportivos e de cooperação", disse Rodríguez, para quem o pacto fará uma "modesta contribuição para o equilíbrio, o entendimento, a justiça e a paz nesta época conturbada de crescentes perigos para a espécie humana".

Com a assinatura deste acordo, UE e Cuba abrem uma nova etapa de relações e deixam para trás a "política comum", por meio da qual ficava restrita qualquer negociação do bloco com o governo cubano enquanto não houvesse o que os europeus chamavam de "avanços" no campo dos direitos humanos dentro da ilha. A atitude era vista por Havana como um obstáculo para a normalização dos contatos.

Mogherini, que antes de assinar o tratado voltou a oferecer suas condolências pela morte do líder cubano Fidel Castro, uma "figura histórica", ressaltou que este acordo estabelece "a primeira relação contratual entre a UE e seus Estados e Cuba".

"Viramos a página e hoje começamos a escrever juntos um novo capítulo", indicou a alta representante da UE, que também comentou que o Conselho da UE "decidiu revogar a 'posição comum' de 1996 com efeito a partir da assinatura".

A diplomata afirmou que o acordo ajudará as partes a "aproveitarem plenamente o potencial de diálogo e cooperação" e que é "o instrumento pelo qual a UE pode apoiar melhor a modernização social e econômica de Cuba". Segundo ela, o acordo vai oferecer uma "plataforma comum para o investimento bilateral e cooperar mais estreitamente em desafios globais como a migração, a luta contra o terrorismo e a mudança climática".

Já o chanceler cubano disse que, "com boa vontade e reciprocidade, é possível avançar sobre as diferenças". "Estamos abertos à construção de uma nova etapa nas relações sobre as bases do respeito e da reciprocidade", afirmou. Rodríguez também reconheceu "o impulso das companhias europeias" que acompanharam Cuba "nos momentos mais difíceis".

As negociações do acordo começaram em abril de 2014 e terminaram em março deste ano, após sete encontros. No dia 11 de março, Mogherini esteve em Havana para participar da sétima reunião oficial de diálogo político entre UE e Cuba, durante a qual foi firmado o pacto.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Tabaré Vázquez diz que suspensão da Venezuela do Mercosul é reversível


Fonte Terra | 04/12/16

O presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, se mostrou neste domingo disposto a se reunir com seu colega venezuelano, Nicolás Maduro, para debater a suspensão temporária da Venezuela do Mercosul, uma medida que - disse - não é "irreversível" e pode ser mudada se forem aplicados fundamentos jurídicos e diálogo.

No último dia 2, os quatro países fundadores do Mercosul (Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai) comunicaram à Venezuela que o país deixa de exercer seus "direitos inerentes" como Estado parte do bloco regional, após ter descumprido as obrigações assumidas no Protocolo de Adesão.

"Em política e nas relações entre os países, nada é irreversível, tudo pode mudar. Mas tem que haver fundamentos jurídicos, fundamentos legais, fundamentos sólidos, para ver o caminho que vamos seguir rumo ao futuro", afirmou Vázquez em declarações à Agência Efe em Viena.

Sobre o pedido de Nicolás Maduro de uma reunião, o líder uruguaio se mostrou hoje disposto a ter esse encontro assim que tenha retornado de sua atual viagem pela Europa.

"Se o presidente Maduro quer se reunir comigo, não será a primeira oportunidade. Temos uma boa relação pessoal e nos reuniremos para discutir e ver no marco do jurídico qual é a situação atual do Mercosul e dos países que o integram", disse Vázquez.

O presidente do Uruguai lembrou que nesta semana e na próxima estará na Europa e que não pode concretizar ainda quando pode ser realizada essa reunião.

Por outro lado, destacou que na opinião do executivo uruguaio, na Venezuela funciona a divisão de poderes, independentemente se esteja de acordo de "como estão funcionando".

"Mas há um poder legislativo, há um Poder Judiciário e há um poder executivo funcionando. Enquanto estas condições se deem, nós achamos que não existem elementos para aplicar a cláusula (democrática)", afirmou.

Em meados de setembro, Argentina, Brasil e Paraguai, com a abstenção do Uruguai que permitiu o consenso, decidiram que, se para 1º de dezembro Venezuela não cumprisse com suas obrigações como membro do Mercosul, seria suspensa por tempo indeterminado.

Nesse sentido, Vázquez rejeitou as palavras de Maduro de que os outros membros do Mercosul tinham convencido o Uruguai com mentiras sobre a decisão de suspender a Venezuela.

"O Uruguai é muito consciente do que que faz e seu governo sempre é muito bem pensado, muito elaborado e muito fundamentado, reitero, sobretudo em elementos jurídicos e legais, afirmou o líder uruguaio.

Além disso, insistiu que o governo e o presidente do Uruguai "sempre em todos os temas aposta pelo diálogo, a troca respeitosa de ideias, com fundamentos".

Vázquez inaugurou hoje em Viena uma exposição de fotografia de cinco artistas uruguaios e se reuniu com centenas de membros da colônia uruguaia residente na capital austríaca.

O presidente, oncologista de formação, se reuniu ontem, após sua chegada a Viena, com o diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e hoje inaugura um congresso internacional sobre câncer de pulmão, do qual é o convidado de honra.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Papa pede que "em nenhum lugar do mundo existam crianças-soldado"

Fonte portal Terra | 01/12/16

Papa Francisco pediu que "em nenhum lugar do mundo existam crianças-soldado", em mensagem de vídeo publicada nesta quinta-feira na internet.

O vídeo faz parte de uma iniciativa impulsionada por Jorge Bergoglio, que publica todo mês em espanhol uma gravação na qual analisa o que considera os principais desafios da humanidade.

Neste vídeo de dezembro, o papa afirma que "neste mundo, que desenvolveu as tecnologias mais sofisticadas, armas acabam nas mãos de crianças-soldado".

"Devemos fazer todo o possível para respeitar a dignidade das crianças e acabar com esta forma de escravidão. Seja quem for, se está tão comovido como eu, peço que se una a este propósito, para que em nenhum lugar do mundo existam crianças-soldado", acrescentou.

Em ocasiões anteriores, o papa refletiu sobre assuntos como a proteção ao meio ambiente, a igualdade entre homens e mulheres, a crise dos refugiados, a exploração do trabalho e o diálogo entre religiões para promover a paz.