segunda-feira, 25 de julho de 2016

Vladimir Putin não vai participar de cerimônia de abertura da Rio 2016

Fonte Agência Brasil | 25/07/16

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, não assistirá à cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016, no próximo dia 5 de agosto, no Rio de Janeiro. A confirmação veio nesta segunda-feira (25) pelo porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov. Ele, porém, não comentou sobre a possibilidade de Putin comparecer a alguma competição ou jogo das Olimpíadas.

A notícia veio um dia depois da decisão do Comitê Olímpico Internacional (COI) de não excluir todos os atletas russos dos Jogos de 2016 devido ao escândalo de doping, que envolvia suposto esquema com a ajuda dos serviços secretos do país.

A única modalidade que não contará com esportistas do país é o atletismo. Em todas as outras, a palavra final sobre a participação da Rússia caberá às federações internacionais. "Sem dúvida, aplaudimos a decisão do COI de permitir que atletas 'limpos' participem dos Jogos Olímpicos. Foi uma decisão positiva", disse Peskov.

O porta-voz destacou, no entanto, que a Rússia está "decepcionada" com o fato do COI negar o credenciamento do ministro russo dos Esportes, Vitaly Mutko, para os Jogos do Rio. A Agência Mundial Antidoping (Wada) acusa o ministro de ter coordenado o suposto esquema de doping na Rússia. Apesar da polêmica, Mutko continua no cargo.

Decisão do COI

Ao comentar a decisão de ontem do COI, o jornal francês Libération escreveu que o presidente russo pretende realizar uma série de ligações telefônicas com intuito de resolver pendências de vários atletas russos.

O porta-voz do Kremlin, no entanto, negou categoricamente a possibilidade. "Seu envolvimento pessoal neste caso é impossível", disse Dmitry Peskov, ao responder jornalistas sobre a possibilidade de Putin se envolver em temas relacionados ao acesso dos atletas russos aos Jogos.

terça-feira, 19 de julho de 2016

O que aconteceu na Turquia? Por que os militares tentaram tomar o poder?

Fonte Opera Mundi | 17/06/16


Após uma série golpes militares reais no passado, o povo turco agora reage a qualquer sinal de intervenção militar com a mesma preocupação imediata de um paciente pós-câncer que descobre um pequeno nódulo

O que aconteceu? O que precisamos saber?

Na noite de 15 de julho, um grupo de soldados turcos assumiu o controle de várias instituições em Istambul e Ancara, no que parece ter sido uma tentativa de golpe mal planejada. As forças policiais – auxiliadas por um grande número de cidadãos ordinários turcos– conseguiram frustrar o golpe. Chamados às ruas pelo presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, enormes grupos de homens tomaram as ruas para impedir as unidades do exército de entrarem em prédios governamentais. O golpe foi declarado encerrado na manhã do dia 16 de julho.

Então, o povo turco apoia o presidente Erdogan?

Graças a uma longa história de golpes militares, o ódio do povo turco a intervenções militares é muito maior do que sua aversão ao seu líder autocrático. Turcos de todos os espectros políticos compartilham o mesmo sentimento de que até uma péssima democracia é melhor do que um governo militar.

Por que os militares tentaram tomar o poder?

A explicação muda de acordo com em quem você escolhe acreditar.

Uma declaração supostamente feita pelos militares alega que seu propósito era “reinstituir a ordem constitucional, a democracia, os direitos humanos e as liberdades”. Porém, o presidente Erdogan e sua rede midiática pró-governo bombardearam o povo turco com alegações de que o golpe foi obra de um grupo clandestino, que teria infiltrado todos os órgãos estatais, organizado por um clérigo muçulmano chamado Fethullah Gülen, que é aposentado e vive na Pensilvânia. Pouca evidência sólida dessa conspiração foi apresentada até o momento.

Gülen negou qualquer envolvimento. De fato, ele e outros grupos oposicionistas alegam que o golpe foi, na verdade, orquestrado por Erdogan como desculpa para subjugar a oposição política e definitivamente mudar o sistema governamental da Turquia para uma presidência executiva (o que, na prática, tornaria Erdogan um sultão moderno). Essa explicação também não é inteiramente convincente – a alegação de que Erdogan planejou um falso golpe contra seu próprio governo para extirpar a oposição de dentro do exército e do Supremo Tribunal é muito grande para se levar em conta.

O que o povo turco acha?

A Turquia está extremamente polarizada. Metade a população acredita em qualquer coisa que o presidente diga, enquanto a outra metade tende a acreditar no oposto. Posições a favor e contra o regime de Erdogan tornaram-se tão enraizadas que não há como convencer qualquer lado com evidência e lógica.

Erdogan é como quiabo: algumas pessoas o amam intensamente; para outras, ele é nojento. Ninguém na Turquia é imparcial quando se trata do presidente.

De onde vem essa divisão na opinião pública?

Clivagens sociais tradicionais na Turquia incluem religiosos contra laicos, turcos contra curdos e periferias pobres contra centros urbanos ricos. Junto com a Primavera Árabe e a investigação de corrupção de 2013, surgiu uma nova cisão: pró-Erdoganismo e anti-Erdoganismo.

O ponto culminante dessa separação ocorreu em maio de 2013. Erdogan queria demolir um parque da era republicana na praça Taksim de Istambul e reconstruir um quartel da era otomana, que também incluía uma mesquita. Apesar de a Praça Taksim ser um símbolo do kemalismo secular de esquerda, muitas pessoas religiosas juntaram-se ao que, depois, ficou conhecido como a Revolta do Parque Gezi para preservar o parque como ele é. Naquele momento, secularistas, kemalistas, curdos, alevitas e grupos religiosos – incluindo o Movimento Gülen – cristalizaram sua coalizão contra Erdogan.

Infelizmente, esse setor da sociedade turca só é capaz de concordar em sua oposição a Erdogan, e em nada mais. Portanto, eles não foram capazes de criar uma aliança política que pudesse diminuir o forte controle dele sobre o poder.

Qual é a história por trás disso?

Até a Primavera Árabe, Erdogan era um líder admiravelmente democrático. Porém, após o início da Primavera Árabe em 2011, ele começou a acusar a Europa, a América e Israel por seu envolvimento no mundo muçulmano. Ele agradou às multidões descontentes nas ruas árabes e começou a se comportar como um líder não eleito do mundo muçulmano – ele era quase um califa não declarado. O eixo da Turquia começou a se mover para longe do Ocidente em direção às ditaduras do Oriente Médio.

Em dezembro de 2013, um grupo de procuradores públicos e policiais começou uma grande investigação de corrupção relacionada à lavagem de dinheiro iraniano e à evasão de sanções internacionais contra o Iran. Reza Zarrab, um turco-iraniano que, no momento, está detido nos EUA sob acusações de conspiração para violar sanções contra o Iran, estava supostamente envolvido.

Erdogan afirmou que essa investigação foi uma conspiração contra ele orquestrada por “poderes estrangeiros” e pelo movimento religioso liderado pelo clérigo muçulmano Fethullah Gülen, e lançou uma caça às bruxas contra traidores dentro da polícia e do Judiciário. Nos três anos seguintes, novos tribunais, com apenas um juiz, foram criados para simplificar os processos contra figuras críticas e dissidentes, jornais e canais de televisão foram tomados, e cerca de 3.000 jornalistas perderam seus empregos.

De onde vêm todos esses golpes e teorias da conspiração?

Após uma série golpes militares reais no passado, o povo turco agora reage a qualquer sinal de intervenção militar com a mesma preocupação imediata de um paciente pós-câncer que descobre um pequeno nódulo.

A alergia deles a ações militares no governo tem sido explorada por Erdogan – ele tende a enquadrar qualquer agitação pública como tentativa de golpe. Em 2001, Erdogan foi preso pelo regime laico por causa de um poema recitado por ele, isso fez dele um herói nas ruas. Porém, muitos afirmam que essa prisão foi um show desenhado para torná-lo popular aos olhos do público. Em 2007, os militares tentaram interferir nas eleições presidenciais por meio de um e-memorando, e Erdogan venceu. Ele é um homem cuja reputação cresceu em cada adversidade aparente.

Em 2013, ele acusou a Revolta do Parque Gezi de ser uma tentativa de golpe. Ele disse o mesmo sobre a investigação de corrupção daquele ano. E até afirmou o mesmo, em fevereiro deste ano, quando aldeões de uma remota cidade de Artvin protestaram contra a abertura de minas de ouro em seu vilarejo. Dessa vez, Erdogan está manipulando os mesmos sentimentos para demonizar seu arqui-inimigo, Fethullah Gülen.

O que vai acontecer agora?

Com o governo aparentemente de volta ao controle, Erdogan já ganhou. Sem dúvida, há esforços sendo realizados para silenciar todos os grupos de oposição em nome da segurança nacional, incluindo qualquer mídia local ou nacional que não é abertamente pró-governo.

A partir de agora, não haverá qualquer oposição significativa a essa caçada a grupos oposicionistas. Em 16 de julho, o Ministro do Interior declarou que 2.839 oficiais militares que supostamente eram membros do Movimento Gülen, incluindo dezenas de generais, foram presos. O Supremo Conselho de Juízes e Procuradores demitiu 2.745 juízes e procuradores, incluindo dez de seus próprios membros. O Chefe do Estado-Maior, que havia resistido a pedidos anteriores de Erdogan para limpar o exército, agora cedeu. Abundam rumores de outras detenções.

Uma coisa é certa: o número de pessoas detidas chegará a dezenas de milhares até o fim da próxima semana.

(*) Kerim Balci é editor do Turkish Review, uma revista acadêmica bimestral. Ele também é colunista dos jornais Zaman, que têm ligação com o movimento Hizmet, de Fethullah Gülen. Este texto foi originalmente publicado em inglês aqui.

sábado, 16 de julho de 2016

Turquia: desfecho inevitável da intervenção militar é país menos democrático e mais instável


Fonte Opera Mundi | 16/06/16

Tentativa de golpe, a quinta nos últimos 56 anos, chega em um momento no qual Erdogan atingia o ápice de uma guinada autoritária iniciada em 2013

Até a publicação deste texto, a situação na Turquia era incerta. Soldados e civis disputavam o controle de redações de jornais e canais de televisão em Istambul, enquanto caças e helicópteros bombardeavam prédios governamentais em Ancara, a capital do país, e tanques de guerra atacavam o Parlamento.

No aeroporto Ataturk, também em Istambul, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, era recebido por uma multidão ao voltar do balneário de Marmaris, onde estava quando uma facção das Forças Armadas anunciou a derrubada do governo, na noite desta sexta-feira 15. Relatos de mortos e feridos se acumulavam, mas a quantidade era impossível de atestar.
Tentativa de golpe vem em momento no qual Erdogan atingia ápice de guinada autoritária iniciada em 2013
Certeza só há sobre o futuro imediato da Turquia, sem dúvida sombrio. A tentativa de golpe, que seria o quinto no país nos últimos 56 anos, chega em um momento no qual Erdogan atingia o ápice de uma guinada autoritária iniciada em 2013.

Por si só, este processo já ameaçava o futuro democrático turco. Com o advento da tentativa de golpe, a situação tende a se agravar. 

Presidente da Turquia desde agosto de 2014, Erdogan foi primeiro-ministro por 11 anos antes disso. Desde a primeira vitória eleitoral, em 2002, o Partido Justiça e Desenvolvimento, conhecido como AKP, é a força dominante na política turca. Em todos os pleitos realizados na última década, a sigla oscilou entre 40% e 50% das intenções de voto.

O grosso desse eleitorado é a massa conservadora turca que por décadas foi subjugada por uma elite secular ligada aos militares. Sob Erdogan, esses religiosos praticantes puderam pela primeira vez na história do país prosperar e almejar poder político.

Originalmente ligado ao islã político, ideologia segundo a qual a religião pode resolver todo e qualquer problema criado pela modernidade, Erdogan moderou suas posições e fez do AKP exemplo do que poderia ser a conciliação entre a democracia e o mundo muçulmano.
Apoiadores de Erdogan exibem bandeiras turcas em frente a tanque, em Istambul, após tentativa de golpe
As coisas começaram a mudar em 2013. Entre maio e agosto daquele ano, Erdogan mostrou sua face autoritária ao comandar a repressão contra os manifestantes contrários a um polêmico projeto de desenvolvimento urbano centrado no Gezi Park, em Istambul.

Em dezembro do mesmo ano, seu governo foi abatido pela revelação de um enorme escândalo de corrupção envolvendo ministros e a própria família de Erdogan. Dezenas de pessoas foram acusadas de se beneficiar de um esquema para burlar as sanções econômicas impostas ao Irã pelos Estados Unidos, por meio de trocas ilegais de ouro por petróleo.

A resposta de Erdogan foi brutal. O então premiê turco iniciou um expurgo nas forças policiais, no ministério público e no Judiciário, de forma a remover autoridades que lideravam as investigações. Como justificativa, acusou muitas dessas figuras de serem integrantes do Hizmet, um movimento social e religioso que, por mais de uma década, apoiou o AKP.

Liderado pelo imã muçulmano Fethullah Gulen, que desde 1999 vive em um auto-exílio nos Estados Unidos, o Hizmet (serviço, em turco) se dedica majoritariamente a obras educacionais, por meio das quais adquiriu influência significativa na sociedade da Turquia, mas seus integrantes também atuam com destaque na mídia e no empresariado turco. Pouco transparente, o Hizmet foi acusado de montar um "estado paralelo" e atuar para derrubar o governo.

A perseguição serviu para abafar as investigações de corrupção, mas também para ampliar o poder de Erdogan. Hoje, o Hizmet encontra-se praticamente desmontado em território turco, mas outros críticos do presidente, em diversos setores da sociedade, também estão acuados. A Turquia é o quarto país com mais jornalistas presos e o Judiciário recentemente viu 3,7 mil juízes e promotores serem removidos de seus postos por meio de um único decreto presidencial. 

A perseguição esgarçou o tecido social turco. Há um temor intenso de cidadãos comuns de serem presos unicamente por criticar o presidente. Dentro e fora do país, famílias estão rompidas por conta da crise política. Contribuem para este cenário a retomada do conflito com os separatistas curdos, promovida por Erdogan, e a intensificação da atuação da Turquia na Síria. Por conta desses dois eventos, o país se tornou alvo de inúmeros atentados – apenas no último ano, foram oito grandes ataques, que deixaram pelo menos 267 mortos e mais de mil feridos. 

Nesta sexta-feira 15, Erdogan não esqueceu o Hizmet. Ele atribuiu o golpe ao movimento (que criticou a intervenção militar), embora seja pouco crível que as Forças Armadas, cuja autoimagem é centrada na defesa de um estado laico, tenham qualquer simpatia pelos conservadores do Hizmet. No breve comunicado que fizeram horas após o início do golpe, os militares disseram estar atuando para restaurar a democracia e criticaram o governo por "erodir a tradição secular da Turquia".

No momento da publicação deste texto, o desfecho do putsch estava indefinido, mas muitos elementos indicavam que o movimento falharia. Por um lado a Turquia se livraria de uma desoladora ditadura militar sem data para acabar, como a do Egito, mas por outro Erdogan sairá fortalecido e pronto para intensificar sua tentativa de criar um governo de um homem só, nos moldes do que Vladimir Putin faz na Rússia. 

O momento chave desta empreitada deve vir em breve. Erdogan trabalha para obter, seja por meio do Legislativo, seja por meio de um referendo, a troca do regime parlamentarista da Turquia por um presidencialista. Se conseguir esse feito, Erdogan assumirá ainda mais o controle do país, inclusive sobre as Forças Armadas, agora expurgadas dos golpistas desta sexta-feira. Sem a sombra militar, que sempre pairou sobre suas ações, Erdogan não terá mais contrapesos a seu poder e estará livre para moldar a Turquia a seu próprio gosto.

(*) Publicado orginalmente em Carta Capital

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Theresa May pede 'tempo' a líderes europeus para preparar saída britânica da União Europeia


Fonte Opera Mundi | 14/07/16

Em conversa com Angela Merkel, François Hollande e Enda Kenny, nova premiê do Reino Unido reafirmou 'compromisso de cumprir a vontade do povo' em deixar UE

A primeira-ministra britânica, Theresa May, pediu “tempo” aos líderes europeus para preparar as negociações sobre a saída do Reino Unido da UE (União Europeia), segundo informações divulgadas nesta quinta-feira (14/07) pela residência oficial de Downing Street.
Theresa May discursa em sua posse; nova premiê pediu "tempo" a líderes britânicos para preparar 'Brexit
Na noite desta quarta-feira (13/07), dia de sua posse como nova premiê britânica, May conversou por telefone com a chanceler alemã, Angela Merkel; com o presidente francês, François Hollande, e com o primeiro-ministro da Irlanda, Enda Kenny.

"Em todas as conversas telefônicas, a primeira-ministra enfatizou seu compromisso de cumprir a vontade do povo de deixar a União Europeia", afirmou uma porta-voz oficial.

De acordo com a fonte, a primeira-ministra explicou aos líderes que “é preciso um tempo” para que sejam preparadas as negociações para efetivar a saída britânica do bloco comunitário. Além disso, segundo a porta-voz, May falou de "sua esperança" que o processo seja efetuado "com espírito construtivo e positivo".

Na conversa com Merkel, as duas líderes disseram ser a favor da criação de uma "relação construtiva" e reconheceram a "importância da cooperação" mútua.

Com Hollande, Theresa May falou sobre a importância das relações bilaterais em relação a segurança, defesa e controle das fronteiras.

Já na conversa com o premiê irlandês, informou a porta-voz, May e Kenny concordaram em manter uma "parceria forte" entre os países.

A principal missão do novo governo de May será levar adiante a saída do Reino Unido da UE, após o plebiscito realizado em 23 de junho em que a maioria da população britânica se manifestou a favor do desligamento britânico do bloco.

Estados Unidos oferece à Rússia pacto militar na Síria

Fonte Estado de Minas | 14/07/16

Os Estados Unidos está oferecendo à Rússia um novo pacto militar contra os grupos extremistas Estado Islâmico e Al-Qaeda na Síria, de acordo com uma proposta norte-americana obtida pelo jornal Washington Post.

De acordo com o documento de oito páginas, os Estados Unidos propõem uma sincronização dos esforços para a operação conjunta de bombardeios e outros esforços. Norte-americanos e russos iriam "trabalhar conjuntamente para defender" esses grupos.

O secretário de Estado, John Kerry, que deveria discutir a proposta em Moscou nesta quinta-feira, não quis comentar o assunto.

"Eu vou a Moscou me encontrar com o presidente (Vladimir) Putin esta noite", disse a repórteres.

Caso se confirme, a proposta mudaria drasticamente o papel dos EUA no conflito, bem como iria na direção contrária de meses de críticas à intervenção militar russa na Síria. Ele também colocaria os EUA ao lado do presidente Bashar Assad, apesar de anos pedindo pela sua renúncia.

A Rússia, por outro lado, chegaria ao objetivo que traçou desde o primeiro ano de intervenção na Síria: liderar uma coalizão internacional.

Washington vem repelindo pedidos de Moscou por cooperação militar, acusando os russo de utilizar o combate ao terrorismo para proteger a posição de Assad. A Rússia também é acusada de violar tréguas e atacar grupos rebeldes moderados aliados aos EUA.

Boa parte do establishment em Washington tem receio de trabalhar em conjunto com a Rússia. No mês passado, um grupo de autoridades do Departamento de Estado assinou um documento em que pedia por uma intervenção contra as forças de Assad na Síria, dada a proeminência que o governo de Putin está ganhando com a intervenção.

Sob a proposta, um "grupo de implementação conjunta" seria estabelecido próximo à capital da Jordânia. Em seu nível mais básico, os dois antigos rivais da Guerra Fria iriam compartilhar inteligência e alvos, além de conduzir operações conjuntas, caso concordem.

A Rússia iria limitar seus ataques aéreos a regiões designadas e não deixar que as forças sírias bombeiem determinadas regiões.

Em troca, os russo pressionariam Assad a interromper a campanha militar contra grupos rebeldes. Washington também quer que a Rússia ajude a pressionar Assad a promover uma transição política que efetivamente terminaria com as quatro décadas de controle de usa família sobre a Síria.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Uruguai, Argentina, Brasil e Paraguai adiam decisão sobre passar Presidência do Mercosul à Venezuela

Fonte Opera Mundi | 11/07/16

Chanceler uruguaio diz que países devem decidir até a próxima quinta-feira; chanceler venezuelana reiterou direito de seu país aceder à Presidência do bloco

Representantes de Uruguai, Paraguai, Brasil e Argentina realizaram nesta segunda-feira (11/07) uma reunião em Montevidéu sobre a passagem da Presidência do Mercosul do Uruguai para a Venezuela, cerne de uma crise política dentro do bloco nas últimas semanas. Eles anunciaram que a decisão será tomada nos próximos dias, após mais conversas entre eles e os governos de cada país, afirmou Rodolfo Nin Novoa, chanceler uruguaio, em declaração à imprensa nesta tarde.

“Estamos para passar a Presidência Pro Tempore do Mercosul [para a Venezuela] e sobre isso se criou uma grande polêmica que estamos discutindo, analisando e tratando com os maiores respeito e profundidade”, declarou Novoa. Ele afirmou que se reuniu com a chanceler venezuelana, Delcy Rodríguez, na capital uruguaia nesta manhã, quando lhe passou as “nuances” da discussão com os representantes de Argentina, Brasil e Paraguai, que se opõem à passagem da Presidência do bloco à Venezuela.
Representantes de Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina durante declaração à imprensa nesta segunda
“Cada um dos países está mantendo sua posição e, consequentemente, nos demos um prazo até a próxima quinta-feira para que se façam as consultas necessárias entre todos os países”, disse o chanceler uruguaio, que reiterou a posição de seu país, que defende a passagem da Presidência do Mercosul à Venezuela, como determinam as regras do bloco. “Vi nesta reunião um ânimo de colaboração no sentido de solucionar este tema”, afirmou, de maneira a satisfazer “todas as partes”, “porque o consenso, como sabem, é a norma pela qual se adotam decisões neste organismo político, econômico e comercial”.

Delcy Rodríguez, que não participou da declaração à imprensa em que estavam presentes os representantes dos outros países do bloco, rechaçou nesta quinta-feira (11/07) o que classificou como uma tentativa “da direita antidemocrática do Mercosul de dificultar a entrega da Presidência Pro Tempore à Venezuela”.

Para a chanceler venezuelana, os representantes de Brasil e Paraguai “fingem desconhecer as normas” do bloco. “Sabemos que um ex-funcionário do Plano Condor lidera esta ofensiva contra o país dentro do Mercosul, mas ratificamos o direito da Venezuela conforme os tratados constitutivos”, disse Rodríguez em referência a Eladio Loizaga, chanceler do Paraguai, principal opositor ao país dentro do bloco.

Rodríguez reiterou que a passagem da Presidência do bloco acontece a cada seis meses em ordem alfabética dos nomes dos países e que esta regra não está sujeita a condições. “Qualquer coisa distinta nos colocaria em violação dos tratados constitutivos do Mercosul”, afirmou.

A chanceler venezuelana disse à imprensa que Loizaga e Marcos Galvão, vice-chanceler do Brasil, não quiseram se reunir com ela. Segundo Rodríguez, os dois "se esconderam no banheiro" e "não quiseram mostrar a cara à Venezuela". "Foi realmente uma pena", disse a chanceler.

Na última quinta-feira (07/07), o governo uruguaio, que atualmente preside o bloco, divulgou comunicado no site de seu Ministério das Relações Exteriores em que “reitera sua posição no sentido de proceder a passagem da presidência, de acordo com as normas vigentes do Mercosul”.

Segundo a nota, “em cumprimento com as responsabilidades inerentes a sua função e tendo em conta as diferenças existentes”, as autoridades uruguaias trabalharão para “analisar e buscar caminhos de encontro que, por meio do diálogo respeitoso e profundo, levem a superar os importantes problemas que enfrenta, neste momento, o processo de integração regional”.
A chanceler venezuelana, Delcy Rodríguez, após reunião nesta manhã em Montevidéu
A reunião desta segunda-feira entre os chanceleres do Mercosul foi convocada pelo Paraguai, único país do bloco regional que deu seu apoio explícito ao secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), Luis Almagro, no processo de aplicação da Carta Democrática da entidade contra a Venezuela.

Os venezuelanos foram integrados ao bloco em 2012, após a suspensão do Paraguai devido ao golpe que destituiu o então mandatário Fernando Lugo. 

Serra e Fernando Henrique tentam impedir passagem

Na terça-feira (05/07), o ministro das Relações Exteriores brasileiro, José Serra, e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tiveram uma reunião em Montevidéu com Tabaré Vásquez e o chanceler uruguaio, Rodolfo Nin Novoa.

O objetivo foi tentar postergar a passagem da liderança do Mercosul ao governo de Nicolás Maduro, que estava programada para ocorrer na terça-feira (12/07).

“Não estamos pedindo para não respeitar as regras, mas que se possa discutir, mais adiante, se a Venezuela fez a lição de casa para ingressar no Mercosul”, disse Serra em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo após a reunião.

A chanceler da Venezuela, Delcy Rodriguez, criticou as declarações de Serra, as quais classificou como “insolentes e amorais”.

Segudo ela, o ministro brasileiro “se soma à conjuntura da direita internacional contra a Venezuela e vulnera princípios básicos que regem as relações internas”. 

Rodríguez criticou também o afastamento da presidente Dilma Rousseff, fato que "vulnera a vontade de milhões de cidadãos".

Venezuelanos que entraram na Colômbia por alimentos retornam sem problemas


Fonte portal Terra | 11/07/16

Os 35 mil venezuelanos que cruzaram no domingo a fronteira com a Colômbia para comprar alimentos e remédios que não conseguem em seu país retornaram sem problemas, informou nesta segunda-feira a Chancelaria colombiana.

A entrada dos venezuelanos foi possível pela extensão temporária do corredor humanitário na fronteira comum, com a ideia de facilitar a passagem de estudantes, a compra de remédios e alimentos, indicou o Ministério das Relações Exteriores colombiano em comunicado.

A passagem fronteiriça entre a cidade colombiana de Cúcuta e a venezuelana de San Antonio permanece fechada desde 19 de agosto do ano passado por ordem do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, para combater o contrabando e os supostos paramilitares que operam na zona.

A passagem de ontem foi possível depois que Maduro autorizou a abertura da fronteira por algumas horas.

O processo de retorno dos venezuelanos a seu país foi acompanhado pelas autoridades civis, militares e migratórias que garantiram que o retorno foi realizado sem problemas, acrescentou o comunicado da Chancelaria.

Nesse sentido, as autoridades disseram que a ampliação do corredor é "uma alternativa humanitária que será revisada com as autoridades competentes" na Venezuela.

"Para tal efeito, foram iniciados contatos locais e nacionais de parte da Venezuela que permitam uma maior clareza e organização destes procedimentos", agregaram.

Além disso, reiteraram que os canais oficiais de comunicação "devem seguir sendo as Chancelarias dos dois países" e agregaram que "a coordenação efetiva com as autoridades nacionais e regionais poderá ajudar à abertura solicitada pelas comunidades de fronteira de uma maneira organizada e segura para evitar qualquer tipo de traumatismo".

O Ministério também pediu que o cruzamento de venezuelanos à Colômbia ontem "deve ser analisado nas mesas de trabalho bilaterais previstas para os próximos dias" e nas quais serão determinadas as condições e tempos para uma reabertura segura e positiva da fronteira comum.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

EUA encerram investigação sobre Hillary no caso e-mailgate

Fonte agência Brasil | 07/07/16

Hillary Clinton em campanha para disputar as eleições presidenciais pelo partido Democrata norte americano
Hillary Clinton em campanha para disputar as eleições presidenciais pelo partido Democrata norte americanoDominick Reuter/Agencia Lusa
A investigação sobre o uso indevido do e-mail pessoal de Hillary Clinton para assuntos oficiais, quando era secretária de Estado (2009-2013), chamado pela imprensa local de e-mailgate, foi oficialmente encerrada sem que Hillary seja incriminada. A informação foi divulgada pela procuradora-geral norte-americana de Justiça, Loretta Lynch, confirmando aceitar as recomendações do FBI sobre o desfecho do caso.

Após a conclusão do inquérito, o diretor da polícia federal norte-americana, James Comey, afirmou que não há provas de que a ex-primeira-dama e sua equipe tivessem a intenção de violar a lei, embora tenham sido "extremamente negligentes". Das mais de 30 mil mensagens analisadas, 110 continham "informações confidenciais". Segundo o FBI, é possível que "atores hostis" tenham tido contato com esses e-mails.

Enquanto foi secretária de Estado, Hillary usou um servidor privado para enviar mensagens oficiais, impedindo as autoridades norte-americanas de terem acesso aos registros de suas comunicações profissionais, como é de praxe para quem ocupa cargos públicos.

A lei federal dos Estados Unidos estabelece que cartas e e-mails enviados e recebidos por funcionários do governo no exercício de suas funções são considerados documentos oficiais e, por isso, devem ser conservados, arquivados e ficar à disposição do Congresso, de historiadores e da imprensa. A legislação exclui apenas as mensagens que guardam segredos de Estado ou estão ligadas à segurança nacional.

Hillary alega que adotou tal postura por comodidade e porque achava que era permitido. A resposta da procuradora-geral foi divulgada em meio à polêmica por ter se encontrado informalmente com o marido de Hillary, o ex-presidente Bill Clinton, dias antes do anúncio.

Agora resta a dúvida de que o caso possa assombrar a campanha de Hillary para a presidência. Com a decisão do FBI de não incriminá-la, ela terá um argumento para mostrar aos eleitores que não cometeu irregularidades.

Celso Amorim: “Sou contra qualquer sanção à Venezuela”

Fonte Revista Brasileiros | 07/07/16

Para ex-chanceler, país vizinho deve assumir a presidência do Mercosul e questões têm de ser resolvidas por meio do diálogo

O embaixador Celso Amorim. Foto: José Cruz/Agência Brasil
O embaixador Celso Amorim. Foto: José Cruz/Agência Brasil
A Venezuela enfrenta problemas políticos e sociais, é verdade, mas a relação da América Latina com o país comandado por Nicolas Maduro deve ser de diálogo e não de sanções. A opinião é do ex-chanceler de Luiz Inácio Lula da Silva e ex-ministro da Defesa de Dilma Rousseff, Celso Amorim, à Brasileiros. Na terça-feira (5), o ministro interino das Relações Exteriores, José Serra, embarcou com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para o Uruguai, onde se encontraram com o presidente Tabaré Vázquez para pedir mais tempo antes que o país vizinho passe o posto de presidente do Mercosul à Venezuela – o que aconteceria no próximo dia 12.

Para Amorim, a Venezuela deveria assumir a presidência, como previsto: “Existe uma situação séria na Venezuela e acho cabível que o Mercosul manifeste preocupação com relação a isso”, afirmou, sobre a crise política que ameaça o cargo do presidente chavista. 

Mesmo assim, Amorim rejeita a proposta de Serra e FHC de impedir a posse dos venezuelanos no bloco econômico. “Suspender a posse seria uma sanção e sou contra sanções, que só provocariam reações mais extremas do Nicolás Maduro. A diplomacia tem que acontecer por meio diálogo e da persuasão.”

Para ex-chanceler, a Venezuela na presidência do Mercosul não traria dificuldades em negociações comerciais com a Europa: “Acho que isso é uma mistificação. Na realidade a negociação não é feita nesse nível. São grupos técnicos, a Venezuela sequer participa dessa negociação, ela participa como observadora. Como esse acordo começou a ser negociado antes, ela não participa”.

O ex-ministro classificou de “política” a decisão de Serra e FHC de viajarem para o Uruguai para pressionar Vázquez, o presidente uruguaio: “A grande mídia há muito tempo cobra uma atitude dura contra a Venezuela”, lembrou.

Sobre a participação do ex-presidente na reunião, Amorim diz que não há nada de irregular, ainda que não seja algo “corriqueiro”: “Não me lembro de jamais ter levado um ex-presidente comigo, mas é um assunto que não comento porque é da alçada íntima deles”.

terça-feira, 5 de julho de 2016

Libra esterlina chega a valor mais baixo em três décadas após Brexit

Fonte G1 | 05/07/16

Divisa britânica caiu nesta manhã 1,8% frente ao dólar, até US$ 1,3113.
Britânicos decidiram sair da União Europeia no final de junho.

A libra esterlina voltou a cair nesta terça-feira (5) a seu nível mais baixo em mais de três décadas ao ser cotada a US$ 1,3113, sua segunda queda após o voto favorável ao "Brexit" no referendo de 23 de junho.

A divisa britânica caiu nesta manhã 1,8% frente ao dólar, até US$ 1,3113, abaixo da cotação de US$ 1,3118 que alcançou na segunda-feira posterior ao histórico referendo, que foi vencido pelos partidários da saída da UE por 52% dos votos.

A libra também caiu 1,04% em relação ao euro, seu valor mínimo em mais de dois anos.

A incerteza em torno do "Brexit" afetava também a Bolsa de Londres, que apresentava queda também devido à urgência dos investidores para se desprender de seus títulos.

O nervosismo se instalou no pregão londrino depois que a firma de gestão de fundos Standard Life deteve temporariamente a cotação de seu fundo imobiliário para conter a retirada de capital por causa do voto favorável a saída da União Europeia.

Os setores financeiro e empresarial pediram ao governo conservador que dê garantias sobre o processo de negociação com Bruxelas e o futuro dos cidadãos comunitários que trabalham no Reino Unido, muitos deles nesses setores produtivos.

Os britânicos decidiram sair da União Europeia. A decisão do referendo, realizado no dia 24 de junho causou um mau humor generalizado nos mercados financeiros na ocasião, em meio às incertezas sobre o impacto que a saída do Reino Unido do bloco deve causar aos outros países pelo mundo.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Equador diz que avaliará relações diplomáticas com Brasil em caso de impeachment de Dilma

Fonte Opera Mundi | 29/06/16

Chanceler do país, Guillaume Long, lembrou que Dilma Rousseff continua sendo presidente constitucional do Brasil até um possível afastamento definitivo

O ministro das Relações Exteriores do Equador, Guillaume Long, afirmou nesta quarta-feira (29/06) que seu país "avaliará" as relações diplomáticas com o Brasil caso a presidente Dilma Rousseff seja definitivamente afastada do poder ao fim do processo de impeachment de que é alvo.
Segundo chanceler equatoriano, as relações bilaterais com o Brasil se mantêm por enquanto normalmente
"As relações bilaterais se mantêm por enquanto normalmente e esperaremos o resultado do ‘impeachment’. Uma vez que saia o resultado, avaliaremos as relações diplomáticas", disse Long em entrevista coletiva em Genebra durante visita a instituições da ONU (Organizações das Nações Unidas) na capital suíça.

"Entendemos que a presidente Dilma Rousseff é a presidente constitucional do Brasil até que seja formalmente destituída", afirmou.

O chanceler ressaltou que o embaixador do Equador no Brasil, Horacio Sevilla Borja, foi chamado de volta a Quito pelo governo de Rafael Correa no dia 18 de maio, início do processo de impeachment, em protesto à investida contra a presidente brasileira. Segundo Long, o posto diplomático equatoriano no Brasil segue vago.

O ministro afirmou também que Dilma Rousseff não foi acusada formalmente de corrupção, mas sim do que classificou como "manobras administrativas". "Não lembro de nenhum caso na História no qual um presidente foi afastado do cargo acusado de manobras administrativas. Isso é uma preocupação para o governo do Equador", declarou.

Long disse também que o "valor do sufrágio universal é muito importante", por isso expressou seus receios com relação ao processo realizado no Brasil contra a presidente eleita para seu segundo mandato pela maioria da população brasileira em outubro de 2014.

Procurado por Opera Mundi, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil – chefiado por José Serra desde o dia 12 de maio, quando ele passou a ocupar o posto de chanceler no ministério do governo interino de Michel Temer – não havia tecido comentários sobre as declarações do chanceler do Equador até as 15h.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Tribunal austríaco invalida eleição presidencial por irregularidades

Fonte G1 | 01/07/16

Justiça aceitou recurso da extrema-direita. 
Decisão sem precedentes abre as portas para novas eleições.

O Tribunal Constitucional da Áustria anulou o resultado das eleições presidenciais após o recurso legal apresentado pela extrema-direita, que perdeu por uma pequena margem, por irregularidades na contagem de votos. A decisão sem precedentes abre as portas para novas eleições.

"O recurso apresentado pelo líder do Partido da Liberdade (FPO), Heinz-Christian Strache, contra as eleições de 22 de maio, foi aceito", anunciou Gerhard Holzinger, presidente do Tribunal Constitucional austríaco.

O novo pleito provavelmente acontecerá até o fim do ano. O candidato ecologista Alexander Van der Bellen, que venceu a disputa para a presidência com 50,3% dos votos, deveria tomar posse em 8 de julho.

Agora, a presidência da Câmara Baixa do Parlamento cumprirá as funções de forma interina.

O segundo turno das eleições presidenciais deve ser organizado novamente em toda a Áustria, afirmou Holzinger.

"Esta decisão pretende reforçar a confiança em nosso Estado de direito e na democracia", completou o juiz.

Nas eleições de 22 de maio não foi registrada nenhuma denúncia por fraude ou manipulações durante o escrutínio. Houve relatos de um acúmulo de negligências durante a contagem das cédulas e nos votos por correio que provocaram um questionamento sobre a validade do resultado em consequência da pequena margem de vitória do candidato Van der Bellen, que triunfou por apenas 30.863 votos.

A investigação e as audiências do tribunal permitiram confirmar que dezenas de milhares de cédulas enviadas pelo correio foram contabilizadas fora do horário legal, por funcionários não habilitados, uma prática que até então havia sido amplamente tolerada.

O presidente e os dois vice-presidentes do Conselho Nacional, a Câmara Baixa do Parlamento, cumprirão interinamente as funções do cargo de presidente até as próximas eleições.