terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Treta! Internet reage à resposta da chanceler venezuelana a Macri na Cúpula do Mercosul

Fonte portal Sputnik | 22/12/15

O novo líder argentino e a chanceler venezuelana roubaram a cena durante a reunião de chefes de Estado da Cúpula do Mercosul. Em resposta ao pedido do Presidente Mauricio Macri pela libertação de “presos políticos” na Venezuela, a Ministra Delcy Rodríguez o acusou de defender os “violentos” na Venezuela e os torturadores da ditadura na Argentina.

​Rodríguez, enviada pelo presidente venezuelano Nicolás Maduro, que resolveu não participar da reunião desta segunda-feira (21), disse que o novo governo argentino estava violando os princípios do direito internacional, particularmente o direito à não-ingerência nos assuntos internos de um Estado e o direito à autodeterminação dos povos.

A ministra também estava preparada para responder às previsíveis críticas que Macri faria em relação aos direitos humanos na Venezuela, tanto que estava munida de fotos que supostamente comprovavam o caráter violento que as manifestações contra o governo chavista tomaram em Caracas no ano passado.

​“O senhor está defendendo esta pessoa, nós sabemos”, disse ela, mostrando uma foto de Leopoldo López, líder oposicionista venezuelano condenado a 13 anos de prisão por seu suposto papel nos protestos que deixaram 43 mortos no país no ano passado.

Lopez foi acusado de incitação pública à violência, incêndio intencional e danos à propriedade pública, entre outros delitos. Sua libertação foi um dos objetivos em que Macri mais insistiu durante sua campanha eleitoral na Argentina. 

"O senhor está defendendo esse tipo de manifestação. O senhor está defendendo esta violência política. Bazucas foram usadas nessas supostas manifestações durante o ano de 2014 na Venezuela”, acrescentou a chanceler venezuelana, exibindo outras imagens aos líderes reunidos na Cúpula. “Incendiaram o Ministério Público. Incendiaram serviços públicos essenciais”.

Em seguida, Rodríguez disse que entendia por que Macri defendia a libertação desses opositores “violentos” na Venezuela, alegando saber “que um de seus primeiros anúncios [de Macri] foi liberar os responsáveis pelas torturas, desaparecimentos e assassinatos durante a ditadura na Argentina”.

Posteriormente, a ministra das Relações Exteriores da Argentina, Susana Malcorra, disse que o Presidente Macri não responderia à acusação porque esta estava baseada em uma informação errônea. Na verdade, o presidente argentino teria se manifestado contra a libertação dos torturadores e dito que os julgamentos dos crimes contra a humanidade continuariam, depois que um editorial do jornal La Nación pedira a libertação dos repressores de idade avançada condenados por crimes contra a humanidade durante a ditadura. O jornal, segundo a rede TeleSUR, usara parte de uma frase dita por Macri por ocasião de sua vitória eleitoral para dar título ao editorial: “Sem mais vingança”.

​Além disso, entretanto, Rodríguez também destacou os “duplos padrões” e a “dupla moral” do presidente argentino, dizendo que a líder do movimento social Mães da Praça de Maio, Hebe de Bonafini, estava sendo acusada na Argentina por convocar manifestações contra o governo de Macri. 

​"Se vamos falar de direitos humanos de forma franca, como pediu o Presidente Macri, temos que fazê-lo sem padrões duplos e sem dupla moral. (…) Não podemos falar de direitos humanos para defender os violentos que causam ações de natureza terrorista nem para penalizar ou criminalizar os protestos sociais", disse a ministra.

​Como não podia deixar de ser, a resposta contundente da chanceler foi motivo de brincadeiras entre os internautas, especialmente entre os argentinos que criaram a hashtag #MacriVerguenzaNacional ("Macri, vergonha nacional")…

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Pais de estudantes de SP vão a comissão internacional denunciar abuso policial

Fonte El Pais | 21/12/15

Dossiê foi entregue à Comissão Interamericana de Direitos Humanos nesta segunda-feira

O Comitê de Mães e Pais em Luta, grupo que reúne pais apoiadores dos secundaristas contrários à reorganização escolar do governo Alckmin, foi à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) denunciar as violações cometidas pela Polícia Militar contra os estudantes nos últimos dois meses no Estado de São Paulo. A denúncia, dirigida à secretaria de Segurança Pública do Estado, foi acompanhada de um dossiê contendo dezenas de violações aos direitos humanos cometidas pela PM. Desde outubro, quando a reorganização escolar foi anunciada, e os secundaristas começaram a se manifestar, mais de 100 estudantes foram detidos em todo o Estado.

Violência policial em manifestação de estudantes
Estudante menor de idade é detido em manifestação em SP. Marina Rossi
O documento é assinado por diversas entidades, entre elas, o Núcleo de Direitos Humanos e o Núcleo de Situação Carcerária, ambos da Defensoria Pública. Além da denúncia, os signatários pedem uma audiência temática com a CIDH para que os estudantes possam expor a repressão da PM, que, segundo o documento, age contra o direito à manifestação. Se o pedido for aceito, a audiência deve ocorrer por volta do mês de abril do ano que vem em Washington, nos Estados Unidos.

Dentre as denúncias contidas no dossiê, estão o caso de uma mãe de aluno agredida com cassetete em frente à escola Fernão Dias, na zona oeste da capital paulista, o sucessivo uso de spray de pimenta e bombas de efeito moral para conter os alunos e as diversas tentativas de tortura psicológica por meio de ameaças aos estudantes e professores. Constam no documento também alguns flagrantes de policiais agindo com uma farda onde não constava a identificação – prática comum nas ações de repressão da PM – as dezenas de detenções de alunos e até o caso de um policial que disparou tiros em direção à escola Joaquim Adolfo, na zona sul. Todas as denúncias são acompanhadas de fotos, vídeos e links para as notícias, veiculadas na imprensa.

Luis Braga, um dos pais que fazem parte do Comitê, diz que a ideia de apelar para um órgão internacional surgiu pela ausência do Estado brasileiro na hora de apurar as violações. "Percebemos que não tem sido tomada atitudes em âmbito nacional para coibir esses abusos da polícia", diz. "No Paraná, onde professores foram agredidos pela PM no primeiro semestre, as apurações dos abusos não avançaram. As ocorrências de violência nas manifestações de junho de 2013 até agora não foram apuradas também."

Ele diz que o objetivo da entrega das denúncias é não somente a apuração dos fatos mas também a coibição de novas violações. "É como se a gente ficasse constrangido em pedir isso num momento em que a polícia pratica violências muito maiores", diz. "Parece que eu tenho que agradecer à PM por não ter sido muito pior com o meu filho. Ele foi só enforcado, e ficou com umas escoriações, mas poderia ter levado um tiro. Estamos falando de uma polícia que mata." O filho de Braga, Francisco, de 16 anos, foi detido no último dia 3, data que marcou uma nova fase da reorganização escolar de Alckmin, protagonizada pela violência e repressão da polícia às manifestações dos estudantes.

A representação também pede que as manifestações realizadas por crianças e adolescentes "sejam acompanhadas por órgãos específicos que garantam a proteção integral em conformidade com o previsto na Convenção Americana de Direitos Humanos e na Convenção Internacional sobre os Direitos das Crianças." E que "não haja atuação da Polícia Militar em manifestações e/ou qualquer tipo de monitoramento ou controle, inclusive 'ronda escolar', de caráter militar em estabelecimentos educacionais."

Uma outra questão levantada pelo documento é a Lei do Desacato. Especificada no Código Penal, pode punir com detenção de até dois anos quem desacatar funcionário público "no exercício da função ou em razão dela." O documento pede a extinção dessa lei, e lembra que o Brasil é um dos poucos países que ainda prevê o desacato na legislação criminal. O pedido retoma um encaminhamento feito pela Defensoria Pública em 2012 e reforçado neste ano, que pedia à CIDH a extinção dessa lei.

No final da tarde desta segunda-feira, haverá uma manifestação dos estudantes em São Paulo, convocada pelo Comando das Escolas, coletivo de secundaristas que participaram das ocupações pelo Estado. No auge do movimento, no final de novembro, 200 escolas chegaram a ser ocupadas. No último dia 5, Geraldo Alckmin anunciou a suspensão do plano da reorganização escolar para este ano, mas, ainda assim, os estudantes permaneceram mobilizados. Argumentavam que não tinham nenhuma garantia de que o governador cumpriria sua palavra.

Na semana passada, a Justiça acatou o pedido de liminar expedido pelo Ministério Público e a Defensoria Pública pedindo a suspensão do plano que fecharia ao menos 92 escolas no ano que vem. Com isso, as escolas foram, aos poucos, sendo desocupadas. A data prevista para o início da reposição das aulas perdidas ao longo das ocupações é 15 de janeiro.

sábado, 19 de dezembro de 2015

Às vésperas de fim de prazo dado por Israel, mídia local diz que Brasília 'segura' nomeação de embaixador

Fonte Opera Mundi | 19/12/15

Chancelaria israelense aguardará até o fim de dezembro a aceitação ou recusa formal do governo brasileiro sobre indicação do ex-líder colono Dani Dayan


Nos últimos dois dias, a imprensa israelense tem reagido quanto à demora do governo brasileiro em aceitar — ou formalmente recusar — o ex-líder colono Dani Dayan como novo embaixador no Brasil, indicado pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, há quase quatro meses.

Segundo o Times of Israel, Brasília estaria segurando propositalmente o pedido de "agrément", esperando que, com isso, Tel Aviv entenda o recado e proponha um novo embaixador para o país latino-americano. Para o jornal, o Brasil "tem mantido um silêncio gelado sobre a nomeação, em vez de emitir a confirmação habitual".

Dani Dayan foi dirigente de associação de colonos judeus em territórios palestinos durante seis anos
Já de acordo com The Jerusalem Post, as autoridades israelenses expressaram preocupação na sexta-feira (18/12) sobre a possibilidade de uma "crise diplomática com o Brasil". Um oficial do Ministério das Relações Exteriores de Israel consultado pelo veículo destacou que a chancelaria "ainda está aguardando a aprovação do governo brasileiro de Dayan como embaixador".

Até o Haaretz, jornal de orientação mais progressista em Israel, tem levantado temores a respeito de uma "séria crise entre os dois países nos próximos dias". À publicação, a chancelaria israelense explicou que decidiu que aguardará até o fim de dezembro, "antes de qualquer reavaliação da nomeação ou de um pedido de esclarecimento formal sobre o atraso".

No início desta semana, o então embaixador de Israel no Brasil, Rada Mansour, retornou a Jerusalém. Há meses, ele tem expressado ao gabinete de Netanyahu seu desejo de deixar o posto na capital brasileira. Desde então, a principal missão diplomática de Israel em Brasília tem sido gerida por seu vice, informou a imprensa local.


Entenda o caso


A nomeação de Dayan foi anunciada publicamente pelo governo de Netanyahu no dia 6 de setembro, surpreendendo o governo brasileiro, já que a divulgação foi contrária às normas diplomáticas que exigem que tal pedido seja feito de forma sigilosa.

Nascido em Buenos Aires e formado em Finanças, Dayan foi presidente do Conselho Yesha (2007-2013), órgão responsável por assentamentos judaicos na Cisjordânia que violam o direito internacional, bem como os acordos da ONU nos territórios palestinos.

As importantes posições ocupadas por Dayan na representação de organismos de colonos na Cisjordânia e a sua indicação abrupta e extraoficial por parte de Netanyahu são os dois principais motivos pelos quais — especula-se — o Itamaraty ainda não se posicionou quanto à aceitação do pedido de "agrément.

Desde início do mandato de Netanyahu, em 2009, número de casas construídas na Cisjordânia aumentou a cerca de 1.500 a 2.500
A indicação teve reação negativa de parte de políticos israelenses.Em entrevista em outubro aOpera Mundi, Mossi Raz, ex-deputado do partido de esquerda Meretz e líder de uma coalizão de direitos humanos em Israel, criticou a nomeação de Dayan.

“Ele [Dayan] era o líder de uma organização cuja essência violava o direito internacional. Se o Brasil aceitá-lo seria uma forma de reconhecer como legítimos esses assentamentos. O Brasil é um dos mais importantes e maiores Estados do mundo. Sua importância também advém do fato de que muitos palestinos e judeus vivem no Brasil”, afirmou Raz.

Em carta à presidente brasileira, Dilma Rousseff, o deputado Yousef Jabareen, da coalizão árabe-judaica de orientação socialista Joint List, pediu que não seja aceita a indicação de Tel Aviv. "Dayan tem repetidamente agido com desrespeito à lei e às normas internacionais, e tem liderado diversas iniciativas que violam diretamente os direitos fundamentais do povo palestino", escreveu.


Críticas do Brasil


Movimentos sociais brasileiros criticam a nomeação de Dayan em um manifesto assinado por mais de 30 organizações.

Para Sérgio Storch, membro do Juprog (Judeus Brasileiros Progressistas), a nomeação de Dayan gerou uma queda de braço nos bastidores. “Netanyahu, astutamente, não consultou o governo brasileiro com o pedido de agrément que é convenção na diplomacia. Com isso, o Brasil não pode dizer sim ou não, e ele pode vencer pelo desgaste e pelo cansaço”, argumentou.

Por sua vez, Pedro Charbel, coordenador latino-americano do Comitê Nacional Palestino de BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções), declarou esperar que Dilma permaneça crítica à nomeação de Dayan. “Esperamos que a presidenta Dilma mantenha este posicionamento no caso de Israel seguir adiante com a indicação", falou.

Na abertura da Assembleia Geral da ONU no fim de setembro, Dilma já havia reiterado que, assim como não se pode postergar a criação de um Estado palestino que coexista pacificamente com Israel, não se poderia mais permitir a expansão de assentamentos israelenses na Cisjordânia.

'Você não pode dizer que está doando seu sangue para a UE', diz Renzi a Merkel

Fonte Opera Mundi | 19/12/15

Premiê da Itália faz comentários acalorados sobre a postura da chanceler alemã perante o bloco em relação a questões financeiras e refugiados

O primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, criticou a chanceler alemã, Angela Merkel, a respeito de questões financeiras e da crise humanitária de refugiados, durante a reunião de líderes do Conselho Europeu na noite de sexta-feira (18/12).

Renzi e Merkel discutiram durante cúpula em Bruxelas (Bélgica)
"Cara Angela, você não pode dizer que está doando seu sangue para a União Europeia", disse o chefe de governo italiano, em alusão aos resgates financeiros alemães a outros países do bloco que vivem uma crise econômica há anos.

Nesse sentido, Renzi ainda exemplificou que os alemães também compraram terrenos na Grécia durante a crise do país e isso não seria um ato de generosidade.

"De cabeça erguida, peçamos que a Europa mude, que busque mais crescimento, que esteja mais atenta aos valores sociais e ao emprego e que não se foque apenas às políticas técnicas, burocráticas ou vínculos que pertençam ao passado", completou Renzi.

Após a discussão, Renzi minimizou e disse à agência de notícias italiana Ansa que as suas afirmações foram "qualquer coisa antes de ser um ataque à Alemanha.

"Fiz as perguntas à chanceler Angela Merkel, com a qual tenho uma ligação de amizade e de estima que não me impedem de formular questionamentos. Foi um Conselho Europeu muito combativo e houve uma porção de discussões verdadeiras. Estou muito satisfeito em relação aos países aliados e amigos", destacou o premiê italiano.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Como a extrema-direita foi de vitoriosa a derrotada na França em apenas uma semana

Fonte BBC Brasil | 14/12/15

No primeiro turno das eleições regionais da França, na semana passada, a extrema-direita saiu como grande vitoriosa: a Frente Nacional (FN) conquistou a maioria dos votos, liderava em 6 das 13 regiões francesas e chegou ao segundo turno em todas elas.

Neste domingo, a situação se inverteu: o partido não conquistou nenhuma das regiões do país [espécies de Estados] e ficou em 3º lugar no geral.

Mas como isso aconteceu em apenas uma semana?

Entre as explicações para a derrota da FN estão o "voto útil" de eleitores de legendas tradicionais, o Partido Socialista do presidente François Hollande e o Republicanos do ex-presidente Nicolas Sarkozy, o maior comparecimento às urnas e a campanha, principalmente da esquerda, contra a Frente Nacional.

Nas eleições regionais francesas, não são apenas dois partidos que disputam o segundo turno - para avançar para a segunda etapa, basta conquistar 10% dos votos.

Os socialistas desistiram da disputa em favor do Republicanos nas duas regiões em que a FN tinha mais chances de ganhar - a líder da legenda, Marine Le Pen, e sua sobrinha, Marion Marechal-Le Pen, haviam conquistado cerca de 40% dos votos nas regiões que disputavam.

Com a desistência dos socialistas, seus eleitores, estimulados pelo partido, acabaram votando nos candidatos republicanos, praticando o "voto útil".

Marine Le Pen teve 42,2% dos votos, ante 57,8% do candidato republicano.

Já Marion teve 45,2%, ante 54,8% do rival de centro-direita.


Avanço


Após a derrota nas urnas, Marine Le Pen disse que os partidos haviam conspirado para manter a Frente Nacional fora do poder e que a sigla iria "continuar lutando".

"Nada pode nos parar", disse ela. "Ao triplicar nosso número de conselheiros [deputados regionais], seremos a maior força de oposição na maior parte das regiões da França."

Le Pen disse que o partido "perdeu votos das formas mais indecentes por uma campanha de mentiras e desinformação."

O republicano Xavier Bertrand, que venceu Marine Le Pen na região de Nord-Pas-de-Calais-Picardie, disse que a França havia dado "uma lição de fazer campanha junto, de coragem". "Aqui nós paramos o progresso da Frente Nacional", afirmou.

Mas o primeiro-ministro Manuel Valls estava menos otimista. Ele disse que "o perigo representado pela extrema-direita não foi embora, longe disso".

Outra razão apontada para a derrota da FN foi o aumento no comparecimento às urnas na comparação com o 1º turno - de 22,6 milhões para 26,2 milhões - e uma intensa campanha da esquerda contra a sigla.

Valls chegou a afirmar que poderia haver uma guerra civil na França caso a Frente Nacional vencesse.


Votação


Apesar de não ter saído vitoriosa em nenhuma região, a Frente Nacional aumentou sua votação no segundo turno. O partido havia conquistado 6,02 milhões de votos no dia 6 de dezembro e, agora, chegou a 6,8 milhões. Mas o percentual de votos teve queda tímida, de 27,73% para 27,36%.

Os Republicanos aumentaram sua votação de 26,65% para 40,63%, e os Socialistas foram de 23,12% para 29,14%.

Os números se referem o quadro de votação com 98% das urnas apuradas.

A Frente Nacional também elegeu mais conselheiros e, além disso, aumentou sua votação em relação às eleições regionais anteriores, quando conquistou cerca de 10% dos votos.

As eleições na França foram as primeiras realizadas após os ataques em Paris em 13 de novembro, que mataram 130 pessoas.

O grupo autodenominado Estado Islâmico assumiu a autoria dos atentados, o que, de acordo com pesquisas, fortaleceu a Frente Nacional, partido com plataforma nacionalista e anti-imigração.

As eleições elegeram os chamados conselheiros e presidentes de regiões nas 13 regiões francesas. Eles têm poderes sobre transporte local, educação e desenvolvimento econômico.

Os Republicanos venceram em sete regiões e os Socialistas em cinco. Na região da Córsega, a vitória ficou com os nacionalistas.

domingo, 13 de dezembro de 2015

Mulheres se elegem a cargos municipais na Arábia Saudita

Fonte portal Terra | 13/12/2015


Pela primeira vez as sauditas puderam votar e se candidatar. Apesar do pouco poder dos conselhos municipais, permissão é vista como avanço, em monarquia absoluta que ainda pune adultério e bruxaria com pena de morte.

Pelo menos nove candidatas se elegeram nas eleições municipais da Arábia Saudita, segundo informaram autoridades e a mídia nacional neste domingo (13/12). Os resultados definitivos ainda não foram divulgados.

Esta foi a primeira vez que as cidadãs daquele país árabe puderam votar e se candidatar a cargos públicos. Segundo a agência de notícias oficial SPA, as vencedoras assumirão postos nas prefeituras da capital Riade, de Gidá, da região de Meca e das províncias de Al Jawf e Al Hasa, respectivamente no norte e leste do país.

Até o pleito deste sábado, a Arábia Saudita, que mantém regime de monarquia absoluta, era o único país do mundo a só permitir o voto masculino. As candidatas totalizaram 979 dos 6.917 políticos inscritos. Por outro lado, apenas 10% dos votantes eram do sexo feminino. Isso se deveu também aos numerosos obstáculos impostos pela ida às urnas, como entraves burocráticos no cadastramento eleitoral e problemas de transporte, devido à proibição de que mulheres dirijam, vigente no reino.


Progresso relativo


Embora os conselhos municipais só se ocupem de questões locais, não tendo praticamente nenhum poder político, a permissão de participação política feminina é vista como um enorme avanço, num país em que as mulheres só podem realizar transações de negócios sob as vistas de um tutor do sexo masculino.

A liberalização remonta a um decreto do rei Abdullah bin Abdulaziz Al Saud, morto em janeiro de 2015. Ele também encorajava a atividade profissional feminina e determinou que a Shura, a Assembleia Consultativa saudita, tenha 20% de mulheres entre seus membros.

Em comparação, o atual governo, sob o rei Salman, é bem mais conservador. Além das restrições aos direitos femininos e a liberdade de imprensa extremamente restrita, a Arábia Saudita ainda pratica execuções públicas, inclusive por crimes como adultério, bruxaria e apostasia.

Incidente no Mar Egeu intensifica atritos entre Rússia e Turquia

Fonte G1 | 13/12/2015

Barco de patrulha russo evitou colisão com barco pesqueiro turco.
Ministério da Defesa russo convocou o adido militar turco após incidente.



A Rússia afirmou neste domingo (13) que um de seus barcos de patrulha conseguiu evitar uma colisão com um barco pesqueiro turco no Mar Egeu e acrescentou que o ministério da Defesa russo convocou o adido militar turco depois do incidente.

"Em 13 de dezembro de 2015, a tripulação do patrulheiro russo Smetlivy, que se encontrava a 22 km da ilha grega de Lemnos, no norte do Mar Egeu, evitou uma colisão com um barco pesqueiro turco", explicou o ministério da Defesa.

O navio russo usou armamento leve para avisar a embarcação turca quando estava a 600 metros de distância para impedir uma colisão. "Apesar das inúmeras tentativas do Smetlivy, a tripulação do pesqueiro turco não estabelecia contato por rádio nem respondia os sinais visuais especiais", afirma o ministério.

"Imediatamente depois, o pesqueiro mudou drasticamente de rumo e continuou sua trajetória, passando pelo Smetlivy a uma distância de 540 metros sem estabelecer contatos".


Turquia derrubou caça russo


O último incidente entre Moscou e Ancara aconteceu quando a Turquia derrubou um caça russo na fronteira síria em novembro, provocando a maior crise nas relações entre os dois países desde o final da Guerra Fria.

Depois da queda do avião, que causou a morte de um piloto e de outro militar que tentou resgatá-lo, a Rússia impôs sanções econômica à Turquia e reforçou sua capacidade armamentística em sua base aérea na Síria.

Na sexta, o presidente Vladimir Putin ordenou ao exército russo que responda com "extrema firmeza" a qualquer força que o ameace na Síria, três semanas depois da Turquia derrubar o caça de Moscou.

"Ordeno que se atue com extrema firmeza", disse Putin em uma reunião com altos funcionários do ministério da Defesa.

"Todo alvo que ameace as unidades russas ou nossas infraestruturas em terra será destruído de imediato", completou.

"É importante colaborar com todo governo que tenha interesse de verdade em eliminar os terroristas", afirmou o presidente, que citou como exemplo o acordo entre a Rússia e a coalizão liderada por Washington, para evitar incidentes no céu sírio.

Agora, os bombardeiros russos operam na Síria escoltados por caças. Além disso, baterias de mísseis antiaéreos S-400 foram deslocadas para a base de Hmeimim, noroeste da Síria.

Para completar, o cruzeiro lança-mísseis "Moskva" foi enviado para a região.

Desde 30 de setembro, a Rússia realiza bombardeios aéreos na Síria, principalmente contra grupos rebeldes de oposição ao regime de Bashar al-Assad, aliado de Moscou.

Também bombardeia em algumas ocasiões o grupo jihadista Estado Islâmico, alvo dos ataques da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos neste país e no vizinho Iraque.

Principais pontos do acordo de Paris sobre o clima

Fonte portal Terra | 13/12/2015

Documento aprovado na Conferência do Clima entra em vigor até 2020 e, a cada ano, os países deverão rever as suas contribuições para o combate à mudança climática. Uma visão geral do conteúdo do pacto.


Após longos dias de negociação, os delegados dos 195 países presentes á Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP21) adotaram neste sábado (12/12) o primeiro acordo universal para luta contra as alterações climáticas e o aquecimento global.

O documento entrará em vigor até 2020 e, a cada cinco anos, os países deverão rever as suas principais contribuições nacionais para o combate às alterações climáticas.

Veja os principais pontos do acordo alcançado na COP21:


Manter o aumento da temperatura média global abaixo de 2ºC


A comunidade internacional se comprometeu a limitar a subida da temperatura "bem abaixo dos 2ºC" e a "continuar os esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5ºC".

O objetivo de um aquecimento máximo de 2ºC em relação à era pré-industrial tinha sido definido em 2009, em Copenhague. Ele implica uma redução drástica das emissões de gases de efeito estufa, com medidas como economia de energia, maiores investimentos em energias renováveis e reflorestamento.

Vários países, sobretudo as nações insulares que estão ameaçadas pela subida do nível do mar, afirmam que, mesmo com a limitação do aumento da temperatura em 1,5ºC, eles já correm perigo.

Durante a sessão de encerramento da COP21, o representante da delegação da Nicarágua, Paul Herbert Oquist Kelley, pediu a palavra e expressou a preocupação de que o acordo não seja suficiente para fazer frente às mudanças climáticas. Kelley enfatizou à agência de notícias DPA que seu país não partilha o consenso, sendo possível considerar sua postura como uma abstenção.


Como alcançar esse objetivo?


Dos 195 países, 186 anunciaram medidas para sustar ou reduzir as emissões de gases de efeito estufa até 2025/2030. Porém, mesmo se forem respeitadas, a elevação da temperatura poderia chegar a 3ºC.

Agora o objetivo é atingir "um pico das emissões de gases-estufa o mais cedo possível" e, "em seguida, iniciar reduções rápidas para chegar a um equilíbrio entre as emissões" originadas por atividades humanas e aquelas "absorvidas pelos sumidouros de carbono durante a segunda metade do século", uma referência às florestas, mas também às técnicas de captação e armazenamento de CO2 emitido para a atmosfera.


Revisão dos compromissos


Um dos objetivos essenciais do acordo é a criação de um mecanismo de revisão dos compromissos voluntários dos países, de cinco em cinco anos. A primeira revisão obrigatória ocorrerá em 2025 e as seguintes deverão mostrar "uma progressão".

Além disso, o painel intergovernamental de peritos do clima (GIEC) deverá elaborar em 2018 um relatório especial sobre os meios para se alcançar a meta de 1,5ºC e sobre os efeitos desse aquecimento. Nesse ano, os 195 países farão uma primeira análise da ação coletiva. Em 2020 serão convidados a rever suas contribuições.


Quem faz o quê?


Os países industriais "devem estar na linha de frente e estabelecer objetivos de redução das emissões em valores absolutos". Os países em desenvolvimento deverão "continuar a aumentar os esforços" na luta contra o aquecimento global "à luz de sua situação nacional".


Verificação


Se até agora os países industriais estavam sujeitos a regras mais rigorosas em matéria de verificação das ações realizadas, o acordo assinado em Paris prevê que o mesmo sistema seja aplicado a todas as nações signatárias. Este ponto era muito importante para os EUA. Todavia está prevista uma certa flexibilidade, devido "às diferentes capacidades" dos países.


Ajuda financeira aos países meridionais


Em 2009, os países desenvolvidos prometeram 100 bilhões de dólares por ano, a partir de 2020, com o fim de ajudar as nações em desenvolvimento a financiar a transição para energias limpas, assim como sua adaptação aos efeitos do aquecimento, dos quais são as primeiras vítimas.

Como defendido pelos países em desenvolvimento, o texto estabelece que a soma prevista é apenas "um teto". Um novo valor financeiro será definido em 2025. Os países mais ricos não queriam ser os únicos a pagar a conta, exigindo uma contribuição da China, Coreia do Sul, Cingapura e das nações ricas em petróleo.

A fórmula proposta é a de que "os países desenvolvidos devem avançar os recursos financeiros para ajudar os países em desenvolvimento". "Terceiras partes [países ou grupos de países] são convidadas a apoiar voluntariamente", diz o documento.


Indenizações a países vulneráveis


Pretende-se prestar ajuda aos países atingidos pelos efeitos do aquecimento global, quando os mecanismos de adaptação – como sistemas de alerta meteorológico ou diques – já não conseguirem mais deter os danos irreversíveis ligados ao degelo dos glaciares ou à subida das águas, por exemplo.

Sem definir todos os pontos e aspectos, o acordo da COP21 consagra todo um artigo a essa questão, o que representou uma vitória para os países mais vulneráveis, como os insulares. O acordo reforça o mecanismo internacional, "de Varsóvia", encarregado desta questão, e cujos dispositivos operacionais ainda serão elaborados.

Trata-se de uma questão sensível para países desenvolvidos como os EUA, que temem ações judiciais devido a sua "responsabilidade histórica" no aquecimento global. Assim, Washington conseguiu incluir uma cláusula segundo a qual o acordo de Paris não servirá de base para iniciar "processos de responsabilização ou compensações".


Transparência


Todos os países devem registrar e divulgar suas atividades para proteção do clima, assim como dados sobre a emissão de gases-estufa. Este ponto é "flexível" para as nações em desenvolvimento e emergentes.

Embora o acordo de Paris seja legalmente vinculante, não está prevista nenhuma sanção a países que não cumpram as estipulações. O documento aprovado entra em vigor quando for ratificado por pelo menos 55 nações que somem, no mínimo, 55% de todas as emissões globais.

Presidente da Gâmbia declara a república um "Estado islâmico"

Fonte portal Terra | 13/12/2015

O presidente da Gâmbia, Yahya Jammeh, declarou a república africana um "Estado islâmico", segundo uma publicação neste domingo no site da presidência.


"O destino da Gâmbia está nas mãos do todo-poderoso Alá. Desde hoje, a Gâmbia é um Estado islâmico. Seremos um Estado islâmico que respeita os direitos dos cidadãos", diz o texto, que está acompanhado de uma imagem de Jammeh sustentando um rosário e um exemplar do Corão.

Desde sua chegada ao poder em 1994, Jammeh se caracterizou por sua repetidas declarações de adesão à fé islâmica, da qual é estrito praticante.

Mais de 90% dos 2 milhões de gambianos professam a religião islâmica. O resto da população se declara cristã ou animista.

O presidente Yahya Jammeh dirige com mão de ferro o país desde que tomou o poder com um golpe de Estado há mais de 20 anos, e seu regime foi acusado de graves violações dos direitos humanos.

Jammeh é conhecido, além disso, por suas beligerâncias com os homossexuais, que chegou a qualificar de "alimárias" e os relacionou com doenças como a hanseníase, a tuberculose e a gonorréia.

Rodeado pelo Senegal e com 80 quilômetros de costa no oceano Atlântico, a Gâmbia é o menor do África continental.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Primeiro avião com refugiados chega ao Canadá; país receberá 25 mil sírios até fevereiro de 2016

Fonte Opera Mundi | 11/12/15

'Queremos mostrar ao mundo como abrir nossos corações e receber bem pessoas que fogem de situações extremamente difíceis', disse premiê Justin Trudeau

Um avião militar canadense com 163 sírios que estavam refugiados no Líbano aterrissou na madrugada desta sexta-feira (11/12) no aeroporto de Toronto.

Trata-se da primeira de uma série de viagens que transferirá 10 mil refugiados ao país antes do fim deste ano, conforme já anunciara o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, ao vencer as eleições no final de outubro.
Primeiro Ministro canadense, Justin Trudeau, recepcionando os refugiados
"Esta é uma noite maravilhosa", declarou Trudeau no aeroporto. "Saem dos aviões como refugiados, mas caminham deste terminal como residentes permanentes no Canadá", falou, acrescentando que, em quatro anos, essas famílias poderão obter cidadania canadense.

"Queremos mostrar ao mundo como abrir nossos corações e receber bem pessoas que fogem de situações extremamente difíceis", orientou Trudeau a funcionários do aeroporto e a voluntários que iriam atender os refugiados.

Segundo os planos do novo governo progressista canadense, a nação deverá realocar 25 mil refugiados até fevereiro de 2016. Essas pessoas fogem da guerra civil síria, que se arrasta há mais de 4 anos e já deixou mais de 200 mil mortos.

No sábado (12/12), chegará a segunda aeronave militar com mais de 200 sírios, entre crianças, mulheres e idosos, que chegarão ao aeroporto de Montreal, em busca de uma vida melhor.

"Nós sofremos muito", declarou ao Toronto Star o refugiado sírio de origem armênia Kevork Jamkossian. "Agora, sentimos como se tivéssemos saído do inferno e chegado ao paraíso", completou, ao lado de sua mulher, Georgina Zires, e a filha de 16 meses, Madeleine.

A acolhida de refugiados sírios foi uma das principais bandeiras eleitorais de Justin Trudeau na disputa à frente da chefia de governo contra o conservador Stephen Harper. Em sua posse, em 4 de novembro, ele anunciou que metade dos seus ministérios seria composta por mulheres — fato inédito no país.

Conhecido por propostas de cunho progressistas, Justin é filho do ex-premiê e também líder dos liberais, Pierre Trudeau (1919-2000). Entre outras de suas principais promessas, estão a taxação dos mais ricos e o debate sobre a legalização da maconha.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Rússia e Turquia: relações estremecidas

Fonte portal Cenário MT | 09/12/15

Rússia e Turquia: relações estremecidas

Semanas atrás, a Turquia abateu um caça russo que invadiu o seu espaço aéreo. Segundo o governo turco, o avião foi comunicado dez vezes antes de ser derrubado. Num período em que mínimas suspeitas podem significar ataques terroristas de grandes proporções, a medida constituiu um ato de defesa, aparentemente. A Rússia não se contentou com a justificativa, entretanto. Resultado: crise diplomática entre os dois países.

No incidente, os dois pilotos ejetaram. Um deles acabou falecendo. Para os olhos do povo russo, um de seus filhos morreu em serviço militar. E foi abatido pela Turquia, país supostamente aliado. O presidente Vladimir Putin, pressionado, não se absteve de ficar incólume perante o ruído internacional. O Kremlin anunciou que a Rússia vai interpor medidas restritivas aos turcos, desde sanções econômicas a severas intimidações no relacionamento entre cidadãos nacionais.

As restrições abrangem, entre outras coisas, a suspensão dos voos fretados entre Rússia e Turquia, a proibição de empregar turcos em empresas russas e o restabelecimento de vistos entre os dois países a partir de 1º de janeiro de 2016. O decreto, que entrou em vigor na data de sua publicação, apenas oficializou algumas ações já informalmente aplicadas em território russo. Em outras palavras, indivíduos que nada contribuíram à crise serão os mais atingidos.

O piloto sobrevivente afirmou, em entrevista, que jamais recebeu qualquer alerta, seja por rádio ou visual. O caso gerou reação imediata do presidente turco Recep Tayyip Erdogan. Ele declarou seu lamento pelo ocorrido. Por outro lado, Erdogan defendeu a atuação do exército de seu país, além de criticar a postura russa na Síria. Quem tem a razão? Há questões mal explicadas nessa história.

Guerras começam de mal-entendidos. Creio que dessa vez não seja para tanto. O caso repercutiu em vandalismo na embaixada turca na Rússia, há algumas semanas. O incidente deveria ser tratado como uma fatalidade, apesar da morte de um piloto. Não há justificativa para um episódio isolado ensejar um clima de beligerância entre dois grandes países. Destarte, a necessidade de conflito é da natureza humana. Espero que mais vidas não sejam violentadas diante de um novo ruído internacional.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

POR QUE O CHAVISMO PERDEU?

Fonte portal Opera Mundi | 07/12/15

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As urnas foram implacáveis com o Grande Polo Patriótico, frente eleitoral comandada pelo Partido Socialista Unido da Venezuela.

A oposição conservadora, organizada ao redor da Mesa de Unidade Democrática, segundo estimativas parciais, alcançou 99 entre 167 cadeiras da Assembleia Nacional, enquanto o governismo ficou reduzido a 46. Ainda restam para escrutinar 22 vagas.

O resultado é incontestável, com a participação eleitoral batendo nos 75%.

A revolução bolivariana, pela primeira vez em 17 anos, perdeu maioria. Ainda que já tivesse sido derrotada no referendo de 2007 e no número de votos totais das eleições parlamentares de 2010, o inédito é a conformação de uma onda eleitoral negativa que altera estruturalmente um dos poderes da república.

Ao contrário do que propalavam aos quatros ventos os inimigos do chavismo, dentro e fora do país, as eleições ocorreram dentro da normalidade e o presidente Nicolás Maduro reconheceu prontamente a voz das urnas, sem qualquer esboço de desrespeito à Constituição ou virada de mesa.

As forças de esquerda, no entanto, estão obrigadas a compreender, dentro e fora da Venezuela, o que se passou. Os chavistas terão igualmente que decidir o rumo a tomar.

Talvez o principal erro tenha sido o esquecimento de uma velha lição sobre o colapso do socialismo na União Soviética: nenhum processo revolucionário sobrevive, a longo prazo, com esgotamento do sistema produtivo.

A China extraiu todas as conclusões do aprendizado. A esquerda latino-americana ainda patina neste capítulo do manual.

O problema não é somente venezuelano, tem dimensões mais universais.

Governos progressistas, em regimes capitalistas, podem impulsionar fortemente a geração de emprego e renda, reduzir a desigualdade social, universalizar direitos, ampliar serviços públicos e aumentar a participação dos trabalhadores na renda nacional.

O fortalecimento da demanda, em um primeiro momento, se transforma em contagiante força propulsora da economia, pois a ampliação do mercado interno estimula a produção e atrai novos investimentos.

Mas se reformas estruturais não são feitas a tempo, expandindo a oferta de bens e serviços em ritmo sincrônico ao aumento da renda, abre-se uma contradição de fundo que potencialmente conduz à crise inflacionária, ao desajuste cambial e ao esgotamento fiscal.

As alavancas de estimulo ao consumo são predominantemente públicas, vale lembrar, mas o capital de investimento continua concentrado nas corporações privadas, nacionais e estrangeiras. Esses setores tomam decisões a partir da taxa de lucro, da segurança jurídica e de interesses político-ideológicos claramente definidos.

Pouco alvissareiro é o cenário se o Estado mostra-se incapaz de reordenar a economia, colocando sobre seu controle ou regulação ferramentas fundamentais para o desenvolvimento, particularmente as riquezas naturais e o sistema de crédito, ao mesmo tempo que estimula pacto produtivo com o empreendedorismo, os setores não monopolistas do capital e até mesmo grupos empresariais de grande porte.

A Venezuela é o maior exemplo continental de sucesso em distribuição de renda, avanço dos direitos populares, melhoria do padrão de vida e turbinagem dos principais indicadores de bem-estar.

Isso somente foi possível porque o governo passou a dirigir efetivamente a PDVSA e reorientou a renda petroleira, em período altista nos preços do ouro negro, para custear amplos programas sociais.

A estrutura econômica, porém, manteve-se praticamente intacta, com altíssimo grau de dependência do petróleo e baixo grau de diversificação. Era esse o atalho mais rápido, ironicamente, para oferecer prosperidade imediata à maioria dos venezuelanos, antes estrangulada pela apropriação da principal riqueza do país pelas famílias oligárquicas.

A revolução produtiva, conceito do próprio chavismo, significava caminho mais lento e difícil, além de pressionar por boa fatia dos recursos aplicados na construção acelerada de sistema de bem-estar.

O símbolo maior desta política provavelmente seja o preço da gasolina: mantido inalterado há muitos anos, equivale a 2% da média mundial, gerando um prejuízo anual de 8 a 12 bilhões de dólares, ao redor de 2,5% do PIB nacional.

Sem mudanças de largo alcance, o país continuou importando grande parte do que consome, mas em escala várias vezes superior que no passado, por conta da expansão de demanda.

Enquanto o movimento ascensional do petróleo custeou esse modelo, o voo era de cruzeiro. A terrível baixa dos últimos anos, no entanto, levou a uma situação de bancarrota, expondo fragilidades que acabaram aproveitadas pelo terrorismo econômico, instrumento oposicionista para sabotar o governo e leva-lo às cordas.

O governo nacionalizou empresas, criou redes de distribuição, buscou incentivar a agricultura e tentou enfrentar a chantagem burguesa com medidas administrativas. Quando o preço dos barris despencou, nada disso se mostrou suficiente ou eficaz.

O resultado, na soma entre esgotamento e sabotagem, foi uma gravíssima crise inflacionária e de escassez mercantil, além de cambial, duradoura a ponto de minar até as bases históricas do eleitorado chavista.

O problema não é novo. Durante vários anos, as formidáveis conquistas sociais, a disposição do chavismo para a disputa político-ideológica e a construção de forte identidade popular com o projeto permitiram substituir a economia pela política.

Ontem esta estratégia se revelou terminal.

O presidente Nicolás Maduro, em mensagem de reconhecimento democrático das urnas, claramente identificou o cenário e assumiu compromisso de enfrentá-lo.

Mas terá que fazê-lo em uma correlação de forças bastante diferente.

As eleições empurram o chavismo, se quiser ter alguma chance de sobrevivência, para a necessidade de estabelecer novas alianças e tentar dividir a oposição, agora majoritária no parlamento.

Não apenas por razões produtivas, mas também políticas, terá de reconstruir canais de diálogo e concessão com frações do empresariado.

A empreitada será dificílima: enfrentará uma direita que se sente muito perto de recuperar o poder e a galope de uma ofensiva aparentemente imparável.

O fato, porém, é que inexiste espaço real, interno ou internacional, para qualquer outra alternativa. As circunstâncias são parecidas com a derrota sandinista na Nicarágua, em 1990.

A revolução, para continuar respirando, mesmo por aparelhos, está diante da obrigação de dar vários passos atrás.

Daqui a alguns meses, haverá a batalha final, com convocação de referendo revogatório do mandato presidencial, previsto na Constituição.

A areia na ampulheta é rala, mas o chavismo sempre se destacou pelo fôlego de gato, como se sete vidas tivesse.

A saber se ontem perdeu a sexta ou a sétima de suas existências.

Processo de impeachment causará megatempestade na economia, dizem analistas internacionais

Fonte BBC | 03/12/15

O acolhimento pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, de um pedido de impeachment da Dilma Rousseff terá efeitos muito negativos sobre a economia, de acordo com analistas internacionais ouvidos pela BBC Brasil – embora a reação inicial dos mercados tenha sido positiva, com a Bolsa operando em alta e o dólar, em baixa.

AFP
Analistas veem a permanência da presidente como o cenário menos prejudicial
O agravamento da crise política chega num momento muito ruim para o país e tende a colaborar para a formação de um cenário econômico extremamente tempestuoso, afirmam.

Mas, ao mesmo tempo, ironicamente seria o "timing" ideal para as pretensões da presidente em evitar seu afastamento:

"Independentemente do resultado final, o processo paralisará o Legislativo brasileiro e vai impedir a análise da reforma fiscal, algo crucial para a recuperação econômica do país. Mas, para Dilma, ocorre antes do que estimamos que poderá ser o pior momento para o Brasil, o período entre o segundo e o terceiro trimestres de 2016, quando a economia prometer piorar e oferecerá um cenário bem mais difícil para a presidente", afirma Angela Bouzanis, economista da FocusEconomics, consultoria internacional que analisa mais de 127 países.

"O governo brasileiro está em uma posição horrorosa. Há inflação, juros altos, preço baixo para produtos de exportação e todos os problemas ligados à corrupção e às contas públicas. A única forma de responder é aprovar reformas em um ambiente politicamente hostil", completa a economista.

Jill Hedges, vice-diretora da consultoria Oxford Analytica, diz que o processo de impeachment poderá tornar inevitável um novo rebaixamento da economia brasileira pelas agências de classificação de risco, o que faria o país ainda menos atraente para os investidores internacionais.

"A economia encontra-se em péssimo estado e o governo não tem como fazer nada. As crises estão se alimentando uma das outras, e mesmo empresas como a Petrobras e a Vale estão em dificuldade. E as recentes desvalorizações do real, que poderiam ajudar as exportações, não têm surtido o efeito desejado."

Acolhimento de pedido de impeachment por Cunha foi anunciado nesta quarta
Robert Ward, da Economist Intelligence Unit, endossa as opiniões. Para ele, as discussões sobre o afastamento de Dilma prometem causar danos que aprofundarão a crise econômica e vão contribuir para um crescimento da relação entre dívida e PIB para a casa de 70% até o final de 2016.

"O Brasil está enfrentando a tempestade das tempestades", resume.
Gustavo Lima
Batalha no Congresso pode paralisar agenda de reformas
O fator PMDB


Especialistas afirmam discordar de algumas análises sobre o impasse divulgadas pela imprensa, na quais a eventual saída de Dilma é vista como uma chance de pacificação, sobretudo pela crença de que a ascensão do vice, Michel Temer, resultaria em um governo de imagem mais amigável para o mercado.

Além das acusações de corrupção que atingiram Cunha e ameaçam hoje seu mandato, analistas lembram que o PMDB em si também é alvo de denúncias da operação Lava Jato – logo, também enfrentaria imensas dificuldades de governabilidade. O presidente do Senado, o peemedebista Renan Calheiros, também é investigado no escândalo.

"O PMDB pode até ter uma bancada maior que a do PT, mas ainda não é suficiente para uma maioria. Com isso, precisaria costurar alianças em um Congresso em guerra – o PT, por exemplo, poderia facilmente se radicalizar com a saída de Dilma, que atualmente ainda consegue manter algum tipo de compromisso do partido com a reforma fiscal. A atual administração ainda parece o menor dos males", afirma Cameron Combs, da consultoria Eurasia Group.

Em um relatório distribuído poucas horas depois da bombástica entrevista coletiva em que Cunha anunciou o acolhimento do pedido de impeachment, a Eurasia Group calculou em 60% as chances de Dilma terminar o segundo mandato e aposta que o pedido de impeachment não encontrará respaldo no Câmara.

Mas a consultoria também ressalta os efeitos negativos do impasse político.

"A necessidade de o governo lutar por sua sobrevivência vai deixar menos espaço para defender sua agenda, incluindo a aprovação da CPMF", completa Combs.

Após vencer eleições regionais na França, Le Pen pede união a projeto da ultradireita

Fonte portal Opera Mundi | 06/12/15

Resultado do primeiro turno mostrou que partido de Marine Le Pen obteve cerca de 30% dos votos; esquerda deve se juntar para impedir sua vitória


A líder da FN (Frente Nacional), Marine Le Pen, comemorou neste domingo (06/12) os resultados obtidos por seu partido nas eleições regionais da França e convocou os franceses a se unirem em torno da ultradireita no segundo turno da votação, que será realizado na próxima semana. Seu partido obteve maioria em seis das 13 regiões na França.

O porta-voz do governo francês, comandado pelo PS (Partido Socialista), Stéphane Le Foll, no entanto, relativizou o resultado obtido pela FN. Após convocar uma "união de forças da esquerda" para o segundo turno, le Foll afirmou que "o total da esquerda deve ultrapassar os 36%, o que a torna no primeiro partido de França". No mesmo sentido, o secretário nacional dos Verdes, Emanuelle Cosse, também pediu por uma "fusão das listas da esquerda e dos ecologistas", o que inclui a Frente das Esquerdas.


Segundo as primeiras projeções de voto divulgadas pela imprensa local, a FN teria obtido 30% dos votos. Os Republicanos, partido centrista liderado pelo ex-presidente Nicolás Sarkozy, obteve 27%, e o Partido Socialista (PS), do presidente François Hollande, com 23%. A Formação dos Verdes obteve 6,5% e a Frente das Esquerdas, 4,1%. Quase metade dos franceses (49%) se absteve de votar.

"Nada poderá dificultar a vontade do povo", afirmou Le Pen após a divulgação dos primeiros resultados, considerados como históricos para a FN. Nas últimas eleições regionais, em 2010, o partido obteve apenas 11% dos votos.

"São resultados magníficos que recebemos com humildade e um profundo sentido de responsabilidade", afirmou ela, durante as comemorações dos simpatizantes da FN na região mais pobre do país, Nord-Pas-de-Calais Picardie, onde a líder venceu com mais de 40%.

A Frente Nacional é um partido anti-imigração e anti-União Europeia cujo posicionamento contra imigrantes e refugiados muçulmanos endureceu após os ataques em Paris, no mês passado. Durante as campanhas eleitorais, a sobrinha de Le Pen, Marion Maréchal chegou a dizer que muçulmanos não poderiam ser franceses sem que “sigam os nossos costumes e estilo de vida, herdado das tradições cristãs da França”.

Pesquisas de intenção de voto já indicavam uma possível vitória do partido de Le Pen. Na ocasião, o primeiro-ministro, Michael Valls, do partido Socialista, chegou a chamar a FN de racista e antissemita, sugerindo, ainda, que os centristas se juntassem a eles para impedir a vitória do partido de Le Pen.

Sarkozy, porém, rejeitou a possibilidade. "Vou propor ao comitê político que recuse qualquer fusão ou retirada de listas", disse ele. 

Como tentativa de barrar o avanço da FN, o primeiro secretário do PS, Jean-Christophe Cambadélis, anunciou neste domingo que seu partido irá se retirar da corrida eleitoral em pelo menos duas regiões decisivas, onde a FN já possui maioria, na tentativa de barrar a vitória de Le Pen em outras regiões. 

"Nas regiões com o risco Frente Nacional e onde a esquerda não ultrapassa a direita, o Partido Socialista decidiu proceder uma obstrução republicana, em particular no Nord-Pas-de-Calais-Picardie e Provence-Alpes-côte d'Azur. Durante cinco anos, os socialistas não estarão presentes nessa região", disse Cambadélis após reunião extraordinária da direção do PS.