Fonte Monitor Mercantil | 29/02/16
A maioria dos suíços rejeitaram ontem, em referendo popular, a iniciativa do partido populista União Democrática do Centro (SVP, na sigla em alemão) para uma expulsão automática de criminosos estrangeiros, segundo os resultados oficiais.
Cerca de 59% dos suíços rejeitaram a iniciativa que pretendia endurecer e tornar automático o processo de expulsão de estrangeiros que cometam delitos e infrações no território suíço. Votaram favoravelmente 41,8% dos suíços.
O "não" ao endurecimento do processo de expulsão de estrangeiros ganhou com 58,2% dos votos, no referendo que contou com participação superior a 60% do eleitores, um recorde desde 1992.
Em 2010, os suíços já tinham se manifestado sobre o tema em outro referendo. A proposta atual, no entanto, é mais dura e implicava na expulsão automática de todos estrangeiros, sem distinção, que cometam crimes e infrações no território suíço.
Antes, as infrações que levavam à expulsão automática incluíam assassinato, violação e fraudes relativas a ajudas sociais.
No domingo da semana passada, mais de 200 personalidades suíças do mundo político e cultural apelaram a uma rejeição do texto proposto pelo partido SVP.
Os cidadãos suíços também se pronunciaram sobre a construção de um segundo túnel na região do Gottardo. Os eleitores aceitaram a construção do novo túnel.
A Suíça consulta regularmente a população, via referendo, sobre questões políticas e sociais, chamando os cidadãos a votar quatro vezes por ano, em nível regional (cantões) e nacional.
Para que as iniciativas sejam aprovadas devem conseguir dupla maioria: de eleitores e, regionalmente, dos cantões.
As questões em consulta podem ser propostas por qualquer grupo da sociedade civil, composto por um mínimo de sete pessoas, ou partido, precisando, para isso, recolher pelo menos 100 mil assinaturas.
O povo suíço será chamado novamente às urnas no próximo mês de junho.
Migrações: 6 mil refugiados são barrados na fronteira da Grécia com a Macedônia
A fronteira entre a Grécia e a Macedônia foi fechada novamente hoje, após as autoridades de Skopje terem deixado passar 300 migrantes, estimando-se em cerca de 6 mil o total de pessoas barradas no lado grego, indicou a polícia helênica.
Segundo a mesma fonte, os 300 migrantes que conseguiram de madrugada entrar na Macedônia eram sobretudo iraquianos e sírios.
A Macedônia é o primeiro país da "rota dos Bálcãs" escolhido pelos migrantes que atingem as ilhas gregas oriundos da costa da Turquia e que pretendem seguir para a Europa central e do norte.
Após as restrições impostas na semana passada pela Áustria, Croácia e Eslovênia, três países da União Europeia, bem como pela Macedônia e Sérvia, que limitaram o número de entradas nos dois países, a Grécia advertiu que o atual número de refugiados no seu território, atualmente em cerca de 22 mil, poderá subir rapidamente para 70 mil.
Segundo a comunicação social grega, o governo de Atenas vai se reunir hoje para elaborar um "plano de emergência" para tentar ultrapassar a situação.
Atenas tem protestado com frequência contra as "decisões unilaterais" de vários países da UE, nomeadamente contra a Áustria, face à crise migratória.
Na sexta-feira, o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, apelou a uma "partilha proporcional" das responsabilidades por todos os Estados-membros para que se possa preservar a união da Europa.
Por seu lado, a chanceler alemã, Angela Merkel, reafirmou no domingo que a UE "não pode deixar cair a Grécia no caos" devido ao fluxo migratório.
Autoridades começam a desmontar parte sul do campo de migrantes de Calais
Duas escavadeiras e cerca de 20 trabalhadores de uma empresa privada contratada pelo Estado começaram a desmontar as tendas e barracas instaladas em uma área de 100 metros por 100 metros na presença de vários agentes policiais.
Alguns migrantes estavam no local para recuperar objetos pessoais. Mais de 30 viaturas policiais e dois caminhões antimotim estavam estacionados à entrada do campo para, segundo a prefeitura, garantir a segurança da operação.
A situação era calma, embora uma ativista da organização britânica de apoio aos migrantes "No Borders" tenha sido detida.
Uma porta-voz da prefeitura, Fabienne Buccio, disse à agência que três quartos dos abrigos naquela área do campo estão vazios, abandonados pelos migrantes depois de terem sido informados da evacuação.
Segundo a prefeitura, vivem no local, conhecido como Campo Selva, 3,7 mil pessoas, das quais 800 a mil serão afetadas pela evacuação.
Organizações que trabalham com os migrantes asseguram, no entanto, que a operação afeta mais de 3 mil pessoas, entre as quais 300 crianças desacompanhadas.
Os migrantes retirados foram aconselhados a se instalar na parte norte do campo ou em um dos 100 centros de acolhimentos em toda a França.
A evacuação da parte sul da "Selva" foi contestada em tribunal por um grupo de migrantes e organizações, mas a Justiça decidiu na quinta-feira a favor do Estado.
Cerca de 4 mil migrantes, vindos sobretudo da África subsaariana, vivem em condições muito precárias no campo, à espera de uma oportunidade para atravessar clandestinamente o Canal de Mancha e chegar ao Reino Unido.
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