Fonte Agência Brasil e portal Terra | 23/03/2015 21:32
A casa Branca pediu hoje (23) que o governo de Israel reavalie a postura e que termine o conflito com o Estado palestino. Em declarações hoje à tarde, o chefe de gabinete da Casa Branca, Denis McDonough, pediu que o governo de Israel demonstre comprometimento com a solução pacífica para o conflito entre isralenses e palestinos.
“Os Estados Unidos estão gastando muita energia neste objetivo [paz entre os dois Estados]”, disse McDonough horas depois de o primeiro-ministro isralense Benjamin Netanyahu ter pedido desculpas sobre comentários que havia feito contra as minorias árabes-israelenses e também depois de Israel ter boicotado uma reunião do Conselho de Segurança na Organização das Nações Unidas em Genebra, que discutiu a ofensiva isralense e a ocupação na Faixa de Gaza.
“Já é hora de Israel terminar esta ocupação”, defendeu, referindo-se à ocupação isralense da Faixa de Gaza, que dura 50 anos. Nas declarações feitas à imprensa, o chefe de Gabinete disse que os Estados Unidos não podem ignorar os comentários de Netanyahu e pediu seriedade para com o tema.
McDonough disse que a Casa Branca continua incomodada com os comentários feitos por Netanyahu na véspera da eleição em Israel, quando o premiê disse que não permitiria a criação de um Estado palestino enquanto estivesse no poder.
“Não podemos simplesmente fingir que tais comentários nunca foram feitos”, acrescentou McDonough. Netanyahu venceu a eleição de 17 de março em Israel e está trabalhando para formar uma nova coalizão de governo.
McDonough é um dos principais auxiliares do presidente dos EUA, Barack Obama. Ele disse que os Estados Unidos eram contrários à construção de assentamentos judeus em território reivindicado pelos palestinos, questão de grande sensibilidade nas negociações de paz para o Oriente Médio.
“Vamos continuar a nos opor às atividades de assentamento, pois isso prejudica os prospectos de paz”, afirmou. Ele frisou que o governo norte-americano não deixará de trabalhar por uma solução pacífica entre os dois Estados.
Netanyahu tem feito declarações contraditórias, sobre o Estado palestino. Antes das eleições de 17 de março, ele disse que era contrário à criação de um Estado para os palestinos, mas depois das eleições disse que não se opunha à ideia.
McDonough destacou que os palestinianos deveriam ter “o direito de viver num Estado soberano e de se governar a eles próprios”. Ele não fez nenhuma referência ao pedido de desculpas de Netanyahu hoje, mas falou horas depois do pedido de desculpas do premier israelense.
Entenda mais
Chama-se de “Questão Palestina” o conflito surgido com a criação do Estado de Israel em 1948 culminando com a 1ª Guerra Árabe-Israelense.
Costuma-se atribuir o termo, também, ao problema dos refugiados palestinos que se viram obrigados a deixar a região quando da criação de Israel, chegando a 900 mil na época.
Os judeus, também chamados de israelitas, israelenses ou hebreus, são um povo de origem semita que teriam migrado para a região da palestina ocupando-a por um longo tempo até que uma grave seca os teria forçado a migrar para o Egito. De lá eles retornam por volta do ano 1200a.C no episódio conhecido como “Êxodo” conquistando a região que acreditavam ser-lhes prometida por Deus e subjugando toda a palestina.O conflito se deve ao confronto entre duas ideologias nacionalistas: o Sionismo, movimento judeu surgido no século XIX e que prevê a criação de uma pátria judaica, e o nacionalismo árabe que tomou força com a queda do Império Otomano e culminou com a criação da Liga árabe em 1945.
Mais tarde, no episódio conhecido como “Cisma” o reino é dividido e são formados os Reinos de Israel ao norte e de Judá ao sul, com capital em Jerusalém. O Cisma enfraquece os dois reinos facilitando o seu domínio pelos Assírios quando os hebreus são levados para a Babilônia – “1ª Diáspora Judaica” ou “Cativeiro da Babilônia”. Anos depois, Ciro, o rei dos Persas, permite que os hebreus voltem à Palestina onde ainda seriam governados pelos Persas, pelo Império Helenístico(Greco-Macedônico), Egito e finalmente pelos Romanos que os expulsam da palestina intensificando o processo de dispersão dos judeus (diáspora).
Os árabes são descendentes de povos nômades que habitavam a Península do Sinai e na verdade constituem uma infinidade de povos e tribos que habitavam o Oriente Próximo e o Oriente Médio. Com a unificação da Arábia surge de fato a identidade do povo árabe e um dos maiores impérios que o mundo já viu. Através da absorção de outras culturas os árabes desenvolvem as artes e as ciências, mas, com o surgimento de outras dinastias e a derrota na Península Ibérica (pelos Francos) o império se enfraquece e declina dando lugar a outros impérios que dominariam por séculos a região. O Império Turco-Otomano foi o último. Após a 1ª Guerra Mundial, ele dá lugar aocolonialismo franco-britânico na região que seria importante na criação de diversos estados nacionais.
Com o surgimento do nazismo na Europa o Sionismo toma força e judeus começam a migrar para a Palestina formando os kibutzim, colônias agrícolas. A princípio o Sionismo é tido como loucura até mesmo entre os judeus, mas, a idéia de reunir todos os judeus dispersos pela Diáspora (processo de dispersão dos judeus iniciado com a conquista da palestina pelos Assírios) acaba conquistando a todos, até que por fim, a ONU proclama a criação do Estado de Israel, em 53% do território da Palestina, e do Estado da Palestina, em 43% do território.
Mas a iniciativa seria logo rechaçada pelos países árabes que declarariam guerra a Israel dando início aos conflitos armados. À 1ª Guerra Árabe-Israelense se seguiriam ainda muitos conflitos: a 2ª Guerra Árabe-Israelense em 1956 ou Guerra de Suez; a Fundação dos grupos terroristas “Al Fatah” e “OLP” – Organização pela Libertação da Palestina em 1959 e 1964 respectivamente; a Guerra dos Seis Dias ou 3ª Guerra Árabe-Israelense em 1967; e a Guerra do Yom Kippur ou 4ª Guerra Árabe-Israelense em 1973.
Durante todo esse período, Israel ganha apoio dos EUA que haviam emergido como potência mundial desde a 1ª Guerra, enquanto que os Árabes enfrentavam diversos conflitos internos e contavam com o apoio Russo personificado no apoio ao governador egípcio Gamal Abdel Nasser, ícone do nacionalismo árabe.
Contudo, após a Intifada, movimento de revolta dos palestinos nos territórios ocupados pelos israelenses – de 1987 a 1993 – e por causa da pressão internacional e da OLP, Israel propõe um acordo de paz que leva a um reconhecimento mútuo e a assinatura de um acordo em 1994 onde Israel reconhece a soberania palestina sobre a Faixa de Gaza e Jericó. Mas o assassinato do Primeiro Ministro Israelense Yitzhak Rabin põe fim às negociações iniciando uma onda de ataques terroristas de ambas as partes. Mais tarde as negociações são retomadas, mas sem nenhuma decisão definitiva. Enquanto isso os atentados continuam e milhares de palestinos continuam refugiados em países como a Síria e o Líbano.
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