quarta-feira, 25 de março de 2015

Reforço militar nas Malvinas é provocação, diz Argentina

Fonte Portal Terra com informações da Agência AFP | 25/03/2015 12:21

O Reino Unido anunciou que investirá 267 milhões de dólares nos próximos dez anos para reforçar a defesa das ilhas

O Chanceler argentino Héctor Timerman classificou nesta quarta-feira de provocação o reforço da presença militar do Reino Unido nas Ilhas Malvinas, e assinalou que levará uma denúncia às Nações Unidas.

"O que a Grã-Bretanha fez é uma provocação, não apenas à Argentina, como também às Nações Unidas", afirmou Timerman à Radio del Plata do Panamá.

Na véspera, o ministro da Defesa britânico, Michael Fallon, anunciou que reforçará o dispositivo militar nas Malvinas (Falklands, para os ingleses) porque continua existindo uma ameaça muito séria a este arquipélago reclamado pela Argentina.

Segundo Fallon, o Reino Unido investirá 180 milhões de libras (267 milhões de dólares) nos próximos dez anos para reforçar a defesa das ilhas.

Este investimento será feito, entre outras coisas, na renovação dos sistemas de defesa antiaérea terrestre, em dois helicópteros para o transporte de tropas Chinook e melhorias nas infraestruturas.

"Isto não seria necessário se não sofrêssemos com constantes intimidações do governo argentino", declarou o ministro em discurso no Parlamento após detalhar seu plano.

O número de militares, cerca de 1.200, não aumentará "porque é o número correto", assegurou, apesar de horas antes ter indicado em uma entrevista à rádio BBC Radio que este tema tinha sido revisado.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, declarou, segundo seu porta-voz, que "a garantia que dou às Falklands é que sempre estaremos com eles, sempre os defenderemos".

Em 1982, a ditadura argentina invadiu as Malvinas/Falklands e isso desatou uma guerra que terminou com a rendição argentina, depois de 74 dias de combates, e 649 argentinos e 255 britânicos mortos.

O anúncio de Fallon aconteceu depois que a imprensa britânica informou que a Rússia ofereceu aviões de bombardeio à Argentina.

O governo argentino reagiu assegurando que os militares britânicos buscam melhorar o orçamento com o reforço do dispositivo militar visando às Malvinas.


"É uma desculpa que se usa como 'lobby' militar para seguir gastando dinheiro", afirmou a embaixadora argentina em Londres, Alicia Castro.


Entenda mais


Guerra das Malvinas


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O que foi


A Guerra das Malvinas foi um conflito militar entre Argentina e Reino Unido, ocorrido entre 2 de abril e 14 de junho de 1982.


Causas


Em 2 de abril de 1982, as forças armadas da Argentina invadiram as Ilhas Malvinas (Ilhas Falklands para os britânicos), situadas a 464 km da costa argentina. O arquipélago, embora pouco habitado, tem uma posição geográfica estratégica.

Os britânicos colonizaram e dominaram o arquipélago desde 1833. Em 1982, a Argentina alegou que as Ilhas Malvinas deveriam ser incorporadas ao território da Argentina, pois com a independência em 1822, teriam direito ao território que antes pertencia à Espanha.

Havia também uma questão política envolvida no caso. Em 1982, a Argentina era uma ditadura, governada pelo presidente Galtiere. Com pouca popularidade, a guerra seria uma forma de unir a opinião pública do país contra um inimigo externo e dar fôlego ao governo. Por outro lado, o Reino Unido era governado pela ministra Margareth Thatcher que também enfrentava um período de baixa popularidade e usou a guerra como arma política interna, reagindo prontamente.


Desenvolvimento e acontecimentos importantes


Em 2 de abril de 1982 a Argentina tomou a capital do arquipélago, Port Stanley, passando a chamá-la de Puerto Argentino. O Reino Unido tentou resolver de forma pacífica, exigindo a saída imediata das tropas argentinas da região. Porém, com a recusa argentina, os britânicos enviaram forças militares prontas para o combate para o arquipélago.

No final de abril de 1982, 100 navios de guerra e 27 mil soldados britânicos chegaram nas ilhas.

Embora tivessem a vantagem da proximidade territorial, os argentinos não conseguiram fazer frente ao preparo dos militares britânicos e também à superioridade bélica. Enquanto os britânicos combateram com 100 navios de guerra, os argentinos tinham apenas 40. Os britânicos também contavam com aviões de guerra de última geração.


Resultado


Com ampla superioridade militar, o Reino Unido saiu vencedor da guerra e manteve o controle das Ilhas Malvinas. O governo trabalhista de Thatcher ganhou força e ela conseguiu se reeleger primeira-ministra. Já a Argentina entrou em profunda crise econômica e política, teve o presidente Galtiere deposto e deu inicio ao processo de redemocratização do país.

Durante todo conflito, que durou 75 dias, 258 britânicos e 649 argentinos morreram.


Pós-guerra


As relações diplomáticas entre britânicos e argentinos ficaram suspensas e só foram reatadas em 1990. Mesmo assim, ainda existe um clima pouco amigável entre as duas nações.

Em fevereiro de 2012, 30 anos após o conflito, o governo argentino solicitou a reabertura do caso para negociações. O governo britânico recusou prontamente, causando novamente um mal-estar nas relações diplomáticas entre os dois países.

(Com informações do portal Sua Pesquisa e Mundo Estranho)

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