Fonte Jornal do Brasil e Revista Exame (com adaptações) | 08/03/2015 16:51
Os exércitos do Niger e do Chade lançaram neste domingo (08/03) uma grande ofensiva “terrestre e aérea” na Nigéria contra os islamistas do Boko Haram a partir do sudeste do Níger, informou o governo nigeriano. Esta ofensiva vem algumas horas depois que o chefe do Boko Haram anunciou ter jurado fidelidade ao grupo Estado Islâmico. É o que diz uma matéria do jornal francês Le Monde.
Milhares de soldados nigerianos e do Chade estavam posicionados há mais de um mês em posição defensiva na província de Diffa, sob o fogo do Boko Haram. “Desde o início desta manhã, vimos tropas nigerianas e chadianas se dirigirem para a fronteira com a Nigéria e uns trinta minutos depois, ouvimos explosões muito fortes, inclusive de armas pesadas”, afirmou um jornalista residente em Diffa, capital provincial do sudeste nigeriano.
A radio privada Anfani, com base em Diffa, citou “mais de 200 veículos: jipes equipados com metralhadoras, tanques, ambulâncias, cisternas de água e caminhões de transporte logístico são visíveis no comboio” que iam para a fronteira nigeriana. A rádio afirmou também que aviões atingiram, sábado e domingo de manhã cedo, posições do Boko Haram.
'Essa ofensiva significa a abertura de uma nova frente contra o Boko Haram na Nigéria. O Chade comanda há dois meses, junto com Camarões, uma outra ofensiva em território nigeriano. O nordeste da Nigéria é tido como o reduto do Boko Haram. É muito ativo, e há um mês comanda ataques ao sudeste da fronteira com o Niger.
Na sexta-feira, a União Africana havia anunciado ter aprovado a criação de uma força regional de luta contra o Boko Haram, que vai contar com até 10.000 homens e terá sua base em N'Djamena.
Entenda mais

O líder do Boko Haram, Abubakar Shekau, aparece um vídeo: grupo surgiu em 2002 como seita e se transformou em grupo armado
Boko Haram é grupo radical islâmico que luta para impor a sharia (lei islâmica) em toda a Nigéria – eles já conseguiram o feito no norte do país.
Boko Haram significa, na língua local, “a educação não islâmica é pecado”.
A milícia radical surgiu em 2002. Começou como uma seita fundada no meio da juventude frustrada de Maiduguri, por Mohammed Yusuf.
Ele dizia que a cultura cristã era a culpada de todos os males do país e que era preciso estabelecer a sharia para livrar a sociedade dos vícios.
Também falavam em combater a corrupção e o abandono promovido pelos governantes locais.
Aos poucos, a seita se transformou em grupo armado – recebeu treinamento e apoio da Al Qaeda do Magreb e outras grupos radicais africanos, como o Al Shabab.
Os Estados Unidos declararam oficialmente o grupo como uma organização terrorista mundial - que precisa ser combatida - em novembro de 2013.
O grupo coopta jovens chamados de “almajirai” – descritos como jovens sem instrução e que estão decepcionados com a negligência do governo.
A fase totalmente radical do Boko Haram começou em 2009, depois de Mohammed Yousef ser morto pela polícia nigeriana durante um confronto.
Pelos cálculos da Anistia Internacional, cerca de 2300 pessoas já morreram por causa do conflito. Foram 1500 mortes somente entre janeiro e março de 2014.
Por ser o país mais populoso da África – e um dos mais populosos do mundo, com 170 milhões de habitantes – e um cenário de diferentes tribos e religiões,
A Nigéria é um terreno fértil para grupos desse tipo. É um país muito populoso, com 170 milhões de habitantes, mas muito dividido por tribos e religiões distintas. Depois, é o país mais rico da África - dependente da extração de petróleo - mas tem 62% da população na extrema pobreza.
Os ataques do grupo – e a retaliação da polícia - se concentram no norte do país, região mais desértica e onde já predomina o islamismo.
As táticas incluem ataques com homens-bomba, ataques a escolas e assassinatos com armas. Atualmente, o grupo controla a região norte e promove, desde janeiro, praticamente um atentado por dia.
Políticos locais também são acusados de colaborar com o Boko Haram, tentando ganhar a simpatia e proteção do grupo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário